Discurso proferido pelo presidente da República de Cuba, Fidel Castro, no ato por ocasião do 60º aniversário de seu ingresso na universidade, realizado na Aula Magna da Universidade de Havana, em 17 de novembro de 2005.

 

 

(Revisado e corregido pelo autor, com absoluto respeito à integridade das idéias  exprimidas no seu discurso).

 

Caros estudantes e professores das universidades de toda Cuba;

Caros companheiros dirigentes e convidados que compartilharam conosco tantos anos de luta:

 

Este é o momento mais difícil, dizer algumas palavras nesta Aula Magna, onde já se pronunciaram tantas. Muitas idéias apoderam-se de nossa mente, lógico, transcorreu algum tempo.

 

Vocês foram muito amáveis ao lembrar hoje um dia muito especial: o 60º aniversário de meu tímido ingresso a esta universidade.

 

Por aí há uma fotografia, eu a observava: um casaquinho; o rosto assim, não sei se zangado, de mau, ou de bom, ou indignado, porque essa fotografia não foi feita no primeiro dia, acho que já tinham transcorrido uns quantos meses, e eu começava a reagir contra tantas coisas como as que víamos. Não era um pensamento formado nem nada disso; era um pensamento ávido de idéias, mas também por conhecer; um espírito talvez rebelde, cheio de ilusões, de ilusões não posso dizer revolucionárias, teríamos que dizer cheio de ilusões e de energia, possivelmente também de ânsias de luta.

 

Bom, fui esportista, fui escalador de montanhas. Até converteram-me primeiro — sei lá por que — numa espécie de tenente de exploradores e, depois, converteram-me em general de exploradores. Quer dizer que quando era estudante do ensino pré-universitário outorgaram-me mais patentes das que tenho hoje (Risos), porque depois fui Comandante, mas somente Comandante, e isso de Comandante em Chefe não queria dizer mais que era Comandante chefe daquela pequena tropa de quase de 82 homens, com os que desembarcamos do Granma.

 

Esse nome nasce depois do desembarque, em 2 de dezembro de 1956. Dos 82 algum tinha que ser chefe, depois acrescentaram o “em”. Assim, aos poucos, passei de Comandante chefe a Comandante em Chefe, porque foi a patente mais alta durante muito tempo. Lembrava essas coisas. A gente tem que pensar o quê foi, em que pensava, que sentimentos albergava.

 

Talvez circunstâncias especiais de minha vida fizeram com que reagisse. Passei trabalho desde muito cedo e fui desenvolvendo, quiçá por isso, o ofício de rebelde.

 

Por aí falam dos rebeldes sem causa; porém quando lembro aquela etapa, acho que era rebelde por muitas causas, e agradeço à vida ter continuado, o tempo todo, sendo rebelde, ainda hoje, talvez com mais razão, porque tenho mais idéias, porque tenho mais experiência, porque aprendi muito de minha própria luta, porque compreendo ainda melhor esta terra na qual nascemos e neste mundo em que vivemos, hoje globalizado, e em minutos decisivos de seu destino.  Não me atrevo a dizer em minutos decisivos de sua história, porque sua história é ainda mais breve, é realmente ínfima comparada com a vida de uma espécie que em anos muito recentes, talvez há 3 000, 4 000 ou 5 000 anos, deu seus primeiros passos, após sua longa e breve evolução; digo longa e breve, porque evolucionou até se tornar ser pensante talvez nalgumas centenas de milhar de anos, e  no final da existência da vida neste planeta, que afirmam os conhecedores, se não me engano, surgiu, acho que, há 1 000 ou 1 500 milhões de anos, primeiro surgiu a vida e depois surgiram milhões de espécies, e nós apenas somos isso, uma das muitas espécies que surgiram neste planeta, e por isso digo que, depois de uma breve e ao mesmo tempo longa vida, chegamos a este minuto, neste milênio que, segundo dizem, é o terceiro milênio desde o início da era cristã.

 

E por que tantas reviravoltas a respeito desta idéia? Porque me atrevo a afirmar que hoje esta espécie está realmente em perigo de extinção, e ninguém pode garantir, escutem bem, ninguém pode garantir que sobreviva a esse perigo.

 

Bom, que a espécie não sobreviveria é algo do que se falava há dois mil anos, porque lembro que quando era estudante ouvi falar do Apocalipse, profetizado na Bíblia, é como se há dois mil anos alguns perceberam de que esta débil espécie poderia desaparecer nalgum dia.

 

Lógico, também os marxistas. Lembro-me muito bem de um livro de Engels, a Dialéctica, que dizia que nalgum dia o Sol se extinguiria, que o combustível que alimenta o fogo dessa estrela que nos ilumina se esgotaria e deixaria de existir a luz do Sol. E então me faço uma pergunta que, quem sabe, vocês, seus professores, ou milhares e centenas de milhar de vocês alguma vez se fizeram, e é a pergunta sobre se é possível que esta espécie possa emigrar a outro sistema solar.

 

Jamais pensaram nisso? Pois nalgum momento se farão essa pergunta, porque a gente se pergunta muitas coisas durante a vida, e, sobretudo, quando existe uma razão para isso. E acho que o homem teve uma razão para se perguntar isso, porque se aquele que era marxista colocou o problema da desaparição do calor e da luz solar, e como cientista expressou que nalgum dia não existiria o sistema solar, nós também, como revolucionários, e deixando voar a imaginação, temos que nos perguntar que acontecerá, e se existe alguma esperança de que esta espécie escape e possa ir para outro sistema solar onde exista ou possa existir vida. O único que sabemos até agora é que há um sol a quatro anos luz, entre os bilhões de sóis que existem nesse enorme espaço, que ainda não sabemos bem se é finito ou infinito.

 

Pelo pouco que sabemos de física, matemática, da luz, da velocidade da luz, e dos que viajam aos planetas mais próximos, onde não encontram nada, e dos que viajaram a Vênus — acho que Vênus foi na etapa dos gregos a deusa do amor —, os que ali tenham o privilégio de chegar, vão encontrar uns furacões que são não sei quantas centenas de vezes piores que o Katrina, o Rita, o Michelle, ou o Mitch, e todos os outros similares que cada vez, com mais força nos açoitam, porque se afirma que a temperatura em Vênus é de 400 graus, e são massas de ar ou de atmosfera pesada em constante sopro.

 

Os que foram a Marte, que diziam que era um lugar onde poderia existir a vida — Chávez fala de que possivelmente existiu, ele brinca com isso —, e foi embora, desapareceu tudo, procuram alguma partícula de oxigênio ou algum vestígio de vida. Bem, tudo pôde acontecer, porém o mais provável é que não tivesse existido vida desenvolvida nalgum desses planetas. Os fatores que fizeram possível a vida no planeta Terra surgiram após bilhões de anos, essa vida frágil que pode transcorrer entre limitados graus de temperatura, entre uns poucos graus por baixo de zero e uns poucos graus por cima de zero, visto que ninguém sobrevive a uma temperatura na água de 60 graus; bastariam 20 segundos na água, a 60 graus, sem proteção nenhuma, e nenhum ser humano vive, bastariam umas dezenas de graus por baixo de zero, sem calor artificial e não sobreviveria. Nessa limitada margem de temperatura surgiu a vida.

 

 Falamos da vida, porque quando falamos de universidades falamos de vida.

Vocês, que são? Se me perguntassem agora mesmo, eu diria que vocês são a vida, vocês são símbolos da vida.

 

Aqui falamos de acontecimentos de nossas vidas, de nossa universidade, de nossa Alma Máter, dos que chagamos há algumas dezenas de anos e dos que estão hoje aqui, que ingressaram no primeiro ano ou que se graduam em breve, ou alguns já graduados que desempenham funções que outros, com menos experiência, não poderiam realizar.

 

Eu tentava recordar como eram aquelas universidades, a que nos dedicávamos, que nos preocupava. Nos preocupávamos com esta ilha, esta pequena ilha. Ainda não se falava de globalização, não existia a televisão, não existia a Internet, não existiam as comunicações instantâneas de um extremo ao outro do planeta, apenas existia o telefone, e, talvez, alguns aviões de hélice. Nos meus tempos, 1945, nossos aviões de passageiros apenas chegavam a Miami e com muito trabalho, embora quando freqüentava o ensino primário escutava falar da viagem de Barberán e Collar, lá em Birán diziam: “Por aqui passaram Barberán e Collar”, dois pilotos espanhóis que atravessaram o Atlântico e continuaram para o México; porém depois não houve mais notícias de Barberán e Collar, ainda se discute qual o lugar onde caíram, se no mar entre a província de Pinar del Río e o México, em Iucatã, ou nalgum outro lugar. Porém ninguém nunca jamais soube de Barberán e Collar, que tiveram a ousadia de atravessar o Atlântico num pequeno avião de hélice que tinham construído fazia pouco tempo. Foi no começo do século que recém passou que se iniciou a aviação.

 

Sim, acabava de acontecer uma terrível guerra, que custou por volta de 50 milhões de vidas, e falo do momento aquele, 1945, quando ingressei na universidade, em 4 de setembro; bom, ingressei nessa época, e vocês, logicamente, decidiram celebrar aquele aniversário num dia qualquer, pode ser no dia 4, pode ser no dia 17, pode ser em novembro, pode ser hoje, a data que vocês escolheram, porque são tantas comemorações que vocês não podiam realizar tantos atos e eu também não poderia participar de todos, e a dor maior da minha vida teria sido não participar, especificamente neste momento, de um ato na Aula Magna, convidado por vocês.

 

Eu todos os dias tenho muitos atos, todos os dias converso horas e horas com multidões, nomeadamente de jovens, com grupos de estudantes, ou com brigadas médicas que vão cumprir gloriosas missões que quase ninguém é capaz de cumprir neste mundo ao qual me refiro, agora, porque nenhum outro país poderia enviar a um povo irmão da América Central 1 000 médicos, como os que neste momento enfrentam a dor e a morte, perante a maior tragédia natural acontecida nesse país.

 

Uma por uma, com cada uma dessas brigadas, conversei, as despedi; ou com as que viajam ao outro lado da Terra, a 18 horas de vôo, onde aconteceu, quase simultaneamente, uma das maiores tragédias humanas que tem conhecido nosso mundo em muito tempo, não lembro outra, pelo lugar em que aconteceu, pelo povo humilde que afetou, povo de pastores que vivem em montanhas muito altas, e nas vésperas de um inverno, ali onde faz muito frio, onde a pobreza é grande e onde o mundo insensível esbanja um trilhão de dólares todos os anos em publicidade para enganar a imensa maioria da humanidade — que, aliás, paga as mentiras que se dizem — convertendo o ser humano numa pessoa que, segundo parece, não tem nem sequer capacidade de pensar, porque obrigam-na comprar o sabonete, que é o mesmo sabonete com 10 marcas diferentes, e têm que enganá-la, porque eles pagam esse trilhão, não o pagam as empresas, pagam-no aqueles que adquirem os produtos em virtude da publicidade; este mundo indiferente que gasta  anualmente um trilhão de dólares em objetivos militares — já são dois trilhões —; este mundo insensível que extrai das massas empobrecidas, da imensa maioria dos habitantes do planeta vários trilhões de dólares todos os anos, e permanece indiferente quando lhe dizem que ali morreram perto de 100 000 pessoas, entre elas, talvez, 25 000 ou 30 000 crianças, ou onde há mais de 100 000 feridos, e a grande maioria com fraturas de osso nos membros superiores e inferiores do corpo, e dos quais, quiçá, foram operados 10%, onde há crianças com membros mutilados, jovens, mulheres e homens, idosos.

 

Esse é o mundo em que vivemos, não é um mundo cheio de bondade, é um mundo cheio de egoísmo; não é mundo cheio de justiça, é um mundo cheio de exploração, de abuso, de saque, onde milhões de crianças morrem cada ano — e poderiam salvar-se —, simplesmente porque precisam de uns centavos de medicamentos, um pouco de vitaminas e sais minerais, e uns poucos dólares em alimentos, suficiente para que possam viver. Cada ano morrem, por causa da injustiça, quase tantos como aqueles que morreram naquela guerra colossal que mencionei há uns minutos.

 

Que mundo é esse? Que mundo é esse onde um império bárbaro proclama o direito de atacar por surpresa e de maneira preventiva 70 ou mais países, que é capaz de levar a morte a qualquer canto do mundo, utilizando as mais sofisticadas armas e técnicas de morte? Um mundo onde prevalece o império da brutalidade e da força, com centenas de bases militares no planeta todo, dentre delas uma em nossa própria terra, na qual interveio arbitrariamente quando o poder colonial espanhol não conseguiu suster-se e quando centenas de milhar dos melhores filhos deste povo, de apenas um milhão de habitantes, tinham morrido numa longa guerra de quase 30 anos; uma Emenda Platt repugnante em virtude de uma resolução, de igual repugnância que, de maneira traidora, outorgava o direito a intervir em nossa terra quando, segundo seu critério, não existisse suficiente ordem.

 

Transcorreu mais de um século e ainda ocupa pela força esse pedaço de território, hoje vergonha e espanto do mundo, quando se divulga a notícia de que foi convertida num centro de torturas, onde centenas de pessoas, de um lugar do mundo qualquer, lá estão, não as levam para seu território porque nele podem existir algumas leis que lhes dificultem poder manter ilegalmente seqüestrados e durante anos, sem nenhum trâmite, sem nenhuma lei, sem nenhum procedimento, aqueles homens que, também, para assombro do planeta, são submetidos a sádicas e brutais torturas. E disso se inteira o mundo quando lá, num cárcere do Iraque torturavam centenas de prisioneiros do país invadido com todo o poder desse colossal império, e onde centenas de milhar de iraquianos civís perderam a vida.

 

Todos os dias descobrimos coisas novas. Há pouco recebemos notícias de que o governo dos Estados Unidos tinha cárceres secretas nos países satélites do leste da Europa, esses que em Genebra votam contra Cuba e acusam-na de violar os direitos humanos; o país onde jamais ninguém conheceu um centro de tortura durante os 46 anos de Revolução, porque em nosso país jamais foi violada aquela tradição, sem precedentes na história, de que um só homem tenha sido torturado, ou se conheça — pelo menos nós — a tortura de um só homem; e não seriamos nós os únicos em impedi-la, seria nosso povo que já tem um conceito altíssimo da dignidade humana.

 

Quem de nós, quem de vocês, qual de nossos compatriotas admitiria tranqüilamente a história de um só cidadão torturado, apesar dos milhares de atos de barbárie e de terrorismo cometidos contra nosso povo, apesar dos milhares de vítimas da agressão desse império que há mais de 45 anos nos bloqueia e tenta nos asfixiar por todo lado? E agora os desavergonhados dizem — como dizia recentemente um deles, perante a votação esmagadora de 182 membros das Nações Unidas, com uma abstenção — que as dificuldades são resultado do nosso fracasso, e um grande cúmplice desse bandido, que é o estado pró-nazista do Israel apóia o bloqueio? Há que dizê-lo assim, porque aqueles que cometeram esses crimes fizeram-no em nome de um povo que durante mais de 1 500 anos sofreu a perseguição no mundo, e foi vítima dos crimes mais atrozes na Segunda Guerra Mundial, o povo do Israel, que não tem nenhuma culpa dessas selvajaria genocidas ao serviço do império, que levam ao holocausto de outro povo, o povo palestino, e proclamam também o direito repugnante de atacar por surpresa e de maneira preventiva outros países.

 

Atualmente o império ameaça com atacar o Irã se produz combustível nuclear. Combustível nuclear não são armas nucleares, não são bombas nucleares; proibir um país que produça o combustível do futuro, é como se proibissem alguém que explore na procura de petróleo, o combustível do presente, e que está em perigo de acabar em pouco tempo. A que país do mundo se proíbe explorar combustível, carvão, gás, petróleo?

 

Nós conhecemos muito bem esse país. É um país de 70 milhões de habitantes, que se propõe o desenvolvimento industrial e pensa com toda razão que é um grande crime comprometer suas reservas de gás e de petróleo para alimentar o potencial de bilhões de quilowatts/hora que precisa com a urgência como país do Terceiro Mundo seu desenvolvimento industrial. E aí está o império fazendo todo o possível por impedi-lo e ameaçando com bombardear. Atualmente se debate a nível internacional quais o dia e a hora, ou se será o império, ou utilizará — como fez no Iraque — o satélite israelense para o bombardeio preventivo e surpresivo de centros de pesquisa cujo objetivo é obter a tecnologia de produção do combustível nuclear.

 

Nos próximos 30 anos, o petróleo, 80% dele atualmente nas mãos dos países do Terceiro Mundo, já que os outros esgotaram o seu, entre eles os Estados Unidos, que teve uma reserva imensa de petróleo e gás e apenas lhe dá para alguns anos, e por isso se quer apoderar, de qualquer jeito, do petróleo do planeta, essa fonte energética, contudo, esgota-se e daqui a 25 ou 30 anos apenas ficará uma fonte fundamental, para além da solar, a eólica, etc, para a produção em massa de eletricidade, de energia nuclear.

 

É longínquo o dia em que o hidrogênio, através de processos tecnológicos muito incipientes, seja a fonte mais idônea de combustível, sem o qual não poderia viver a humanidade, uma humanidade que adquiriu determinado nível de desenvolvimento técnico. Este é um problema atual.

 

Nosso Ministro das Relações Exteriores respondeu recentemente ao convite de visitar o Irã, visto que Cuba será sede da próxima reunião de Países Não-Alinhados, dentro de um ano, e aquela nação exige seu direito a produzir combustível nuclear como qualquer outra nação entre as industrializadas e não ser obrigada a destruir a reserva de uma matéria prima, que serve não só como fonte energética, mas também como fonte de numerosos produtos, fonte de fertilizantes, fonte de têxteis, fonte de inúmeros materiais que hoje têm um uso universal.

 

Assim está o mundo. E veremos que aconteceria se bombardeassem o Irã com o objetivo de destruir qualquer instalação que se dedique à produção de combustível nuclear.

 

O Irã assinou o Tratado de não Proliferação, como também o fez Cuba. Nós jamais pensamos na fabricação de armas nucleares, porque não precisamos delas, e se tivéssemos a possibilidade, quanto custaria produzi-las, e que ganharíamos com produzir um arma nuclear perante um inimigo que tem milhares de armas nucleares. Seria participar do jogo dos confrontos nucleares.

 

Nós temos outro tipo de armas nucleares, são nossas idéias; nós temos armas nucleares: a magnitude da justiça pela qual lutamos; nós temos armas nucleares em virtude do poder invencível das armas morais, Por isso jamais pensamos em fabricá-las, e também não procurar armas biológicas, para que? Armas para combater a morte, para combater a Aids, para combater as doenças, para combater o câncer, a isso dedicamos nossos recursos, apesar do bandido aquele— já nem me lembro do nome desse cara, não sei se Bolton, Bordon, sei lá, que designaram representante dos Estados Unidos nas Nações Unidas, mentiroso demais, desavergonhado. Ele inventou que Cuba estava fazendo pesquisas para produzir armas biológicas no Centro de Engenharia Genética.

Também nos acusaram de colaborar com o Irã, transferindo tecnologia com aquele objetivo, e o que fazemos realmente é construir, entre o Irã e Cuba, uma fábrica de produtos anticâncer, isso é o que fazemos. Também querem proibir isso, vão para o demônio ou para onde vocês quiserem, idiotas, que aqui não vão assustar ninguém! (Aplausos).

 

Mentirosos, desavergonhados!, todo mundo sabe que até a própria CIA descobriu que era mentira o que dizia o atual representante do governo dos Estados Unidos na ONU, e obrigaram um homem a que renunciasse por dizer que isso era mentira, e outros no Departamento de Estado também perceberam que era mentira e o sujeito estava furioso, convertido num basilisco contra todos aqueles que diziam a verdade. Esse é o representante do “Bushecinho” perante a comunidade das Nações Unidas, onde recentemente tiraram 182 votos contra seu infame bloqueio. Esse é o mundo onde pretendem impor-se pela força, na base das mentiras e do monopólio quase total dos meios de comunicação social. Vejam só que batalha travamos neste momento. E designaram o sujeito por cima do Congresso, e por um tempo quando o mundo inteiro sabe que é um desavergonhado e um mentiroso repugnante.

 

Todos os dias o cavalheiro que governa os Estados Unidos é descoberto com um novo truque, um novo delito, uma nova canalhice de seus membros, e vão caindo, gotejando um após um como esgalho de coco, como diria um camponês da zona leste; sim, assim vão caindo, com um pouco de barulho. Já não resta nada a inventar, porém continuam fazendo barbaridades.

 

Falava-lhes dos cárceres que existem em vários países, cárceres secretos onde têm seqüestrados sob o pretexto da luta contra o terrorismo, e já não só Abu Ghraib, não só Guantánamo, em qualquer parte do mundo encontra-se um cárcere secreto onde torturam os defensores dos direitos humanos; são os mesmos que em Genebra, como cordeirinhos, votam, um a um, contra Cuba, o país que não conhece a tortura, para honra e glória desta geração, para honra e glória desta Revolução, para honra e glória de uma luta pela justiça, pela independência, pelo decoro humano que deve manter incólume sua pureza e sua dignidade! (Aplausos).

 

Porém a coisa não acaba aí, hoje de manhã chegavam notícias informando sobre o uso de fósforo vivo em Al-Fallüjah, ali onde o império descobriu que um povo, praticamente desarmado, não podia ser vencido e os invasores viram-se numa situação onde não podiam ir embora nem ficar: se iam embora, voltavam os combatentes; se ficavam, necessitavam essas tropas noutros lugares. Já morreram mais de 2 000 jovens soldados norte-americanos, e alguns se perguntam, até quando continuaram morrendo numa guerra injusta, justificada com mentiras grosseiras?

 

Mas nem pensem que possuem abundantes reservas de soldados norte-americanos, cada vez menos norte-americanos se inscrevem, converteram a entrada ao exército numa fonte de emprego, contratam desempregados, e muitas vezes tentam contratar o maior número de negros norte-americanos para suas guerras injustas, e chegam notícias de que cada vez menos negros norte-americanos estão dispostos a se inscreverem no exército, apesar do desemprego e da marginalização a que são submetidos, porque são cientes de que são usados como isca. Nos guetos de Louisiana, quando o governo gritou salve-se quem puder, abandonaram milhares de cidadãos que morreram afogados ou nos asilos de idosos, ou em hospitais, e nalguns casos aplicaram-lhe a eutanásia por medo do pessoal facultativo de vê-los morrer afogados. São histórias reais que se conhecem e sobre as quais se deveria meditar.

 

Procuram latinos, imigrantes que, tentando escapar da fome, atravessaram a fronteira, essa fronteira onde todos os anos morrem mais de 500 imigrantes, muitos mais em 12 meses que os que morreram durante os 28 anos que durou o muro de Berlim.

 

O império falava todos os dias do muro de Berlim; daquele que se construía entre o México e os Estados Unidos, onde morrem 500 pessoas cada ano, pensando escapar da pobreza e do subdesenvolvimento, tentado emigrar, não dizem uma palavra.  Esse é o mundo em que vivemos.

 

Fósforo vivo em Al-Fallüjah! Isso significa o império, e secretamente. Quando foi denunciado, o governo dos Estados Unidos disse que o fósforo vivo era uma arma normal. Se é uma arma normal, por que não o publicaram? Por que ninguém sabia que estavam usando essa arma proibida pelas convenções internacionais? Se o napalm é proibido, o fósforo vivo é ainda mais proibido.

Todos os dias chegam notícias desse tipo, e todas essas coisas estão relacionadas com a vida, todas essas coisas têm relação com este mundo. Veja que enorme diferença daqueles tempos em que nós chegávamos à universidade, todos cheios de ideais, cheios de sonhos, cheios de boa vontade apesar de não estarmos nutridos da experiência da ideologia profunda e das idéias que se adquiriam na passagem do tempo. Assim entravam os jovens nesta universidade, que não era, certamente, a universidade dos humildes; era a universidade da classe média, a universidade dos ricos do país, mas os jovens não se importavam com as idéias de sua classe e muitos deles eram capazes de lutar, e assim o fizeram ao longo da história de Cuba.

 

Oito estudantes foram fuzilados em 1871 e foram o alicerce dos mais nobres sentimentos e do espírito de rebeldia de nosso povo, que ficou indignado perante aquela colossal injustiça; como os nove, cuja morte comemoramos hoje, assassinados pelos nazistas, em Praga, aquele 17 de novembro de 1939, vésperas da Segunda Guerra Mundial.

 

Na história de nossa juventude sempre estiveram esses estudantes de medicina, e esses estudantes de medicina lutaram contra os governos. Mella foi um deles, também pertencente à classe média; porque os das classes mais pobres, os filhos dos camponeses, não sabiam ler nem escrever, como podiam ingressar na universidade, como podiam ingressar no bacharelado.

 

Eu, porque era filho de latifundiário, pude terminar a sexta série e depois pude freqüentar o ensino pré-universitário, já com a sétima série.

 

Quem não tivesse vencido o bacharelado, podia freqüentar a universidade?

 

Quem fosse filho de um camponês, de um operário, que morasse numa vila de uma usina açucareira, ou em qualquer dos muitos municípios que não fossem municípios como o de Santiago de Cuba, Holguín, talvez Manzanillo e dois ou três mais, não podia ser bacharel, nem sequer bacharel! Ainda menos universitário, porque, então, depois de ser bacharel, tinha que vir para a Havana.

 

Eu pude vir à Havana porque meu pai era tinha dinheiro, e assim foi que pude formar-me como bacharel e assim por acaso consegui ingressar na universidade. Será que sou melhor que qualquer daqueles rapazes, quase nenhum deles chegou à sexta série e nenhum deles foi bacharel, nenhum deles ingressou na universidade?

 

Meu próprio caso, como o de mais outros, mencionei Mella, poderia mencionar Guiteras, poderia mencionar Trejo, que morreu numa dessas manifestações um 30 de setembro, na luta contra Machado; poderia mencionar nomes como os que vocês aqui destacaram no início deste ato.

 

Antes da Revolução, sempre houve estudantes nobres que estavam contra a tirania batistiana, dispostos ao sacrifício, dispostos a dar a vida. E assim, quando a tirania batistiana voltou com todo seu rigor, muitos estudantes lutaram e muitos estudantes morreram, e aquele jovem de Cárdenas, Manzanita, como lhe chamavam, sempre rindo, sempre amável, sempre carinhoso com os demais, se destacava pela sua valentia, sua integridade, quando descia pelas escadarias, quando enfrentava os carros de bombeiros, quando enfrentava a polícia. Assim surgiram todos eles.

 

Se você visita a casa onde viveu Echeverría — José Antonio, vamos chamá-lo assim —, percebe que é uma casa boa, uma excelente casa. Vejam só como os estudantes não se importavam com sua origem social, nessa idade de tanta esperança, de tantos sonhos.

 

Naquela universidade, para estudar medicina havia apenas uma faculdade e um só hospital docente, e muitos ganhavam prêmios, primeiro prêmio em medicina e alguns, inclusive, de cirurgia sem terem operado nunca a ninguém.

 

Alguns o conseguiam, eram ativos e conseguiam se relacionar com alguns professores que os ajudavam, deixavam que eles participassem de alguma prática, os levavam a algum hospital. Assim surgiram bons médicos, não uma massa de bons médicos — sim havia uma massa com muita vontade de viajar aos Estados Unidos —, que não tinham emprego, e quando triunfou a Revolução, foram precisamente para os Estados Unidos, e ficou a metade 3 000 e 25% dos professores. E daí partimos para o país de hoje, que se ergue já quase como capital da medicina mundial.

 

Hoje nosso povo dispõe, ao menos, de 15 médicos muito melhor distribuídos, por cada um dos que ficaram aqui no país; tem dezenas de milhar no exterior oferecendo o seu serviço solidário, e aumentam. Neste momento há — pedi a cifra exata — 25 000 estudantes de medicina; no primeiro ano, são perto de 7 000, e ingressarão não menos de 7 000 todos os anos, e já tem mais de 70 000 médicos. Não falo das dezenas de milhar de estudantes de outras ciências médicas, em nosso país temos a idéia de que estudam na área da medicina por volta de 90 000, quando você inclui as enfermeiras, as que estudam a licenciatura em enfermagem e outras carreiras relacionadas com a saúde, dentro do enorme caudal de estudantes que hoje freqüentam nossa universidade.

 

Eu queria salientar a diferença desse ano em que comecei meus estudos universitários, que era o nosso país? Temos que nos perguntar isso e meditar, o que é hoje nosso país, em todos os campos. E poderíamos fazer-nos a mesma pergunta relacionada com oito, dez, quinze, vinte coisas. Não existe comparação nenhuma.

 

Falava de que Barberán e Collar morreram num pequeno avião cheio de tanques de gasolina, porque era o único que podíam fazer nesse tempo, decolaram, saíram quase como nós do México, em 1956: se saímos, chegamos; se chegamos, entramos; se entramos, triunfamos”. Parece que anteriormente outros homens realizaram uma ação tão audaz como essa, a de atravessar o Atlântico. Saíram e chegaram a Cuba; saíram novamente; porém só isso, chegaram ao México, mas chegaram ao México sem vida.

 

Falava de um avião que decolava; este era um avião que decolava nos primeiros tempos, um pequeno avião, que parecia movido pela força de uma tira elástica. Vocês jamais viram esses brinquedos, os soltam, decolam e chegam?

 

Quando triunfou a Revolução neste hemisfério, ao lado do império e rodeado de satélites do império, com alguma exceção, iniciávamos um caminho muito difícil. Era outra época, foram uns quantos anos após nosso ingresso na universidade.

Nós ingressamos na universidade finalizando o ano 1945, e iniciamos nossa luta armada no quartel Moncada em 26 de julho de 1953, realmente, quase oito anos depois, e a Revolução triunfa cinco anos, cinco dias e cinco meses após o Moncada, e depois de um longo percurso pelos cárceres, pelo exílio, e pela luta nas montanhas. Foi um tempo, se o vemos historicamente, se o comparamos com as lutas anteriores, tão duras e tão difíceis de nosso povo, um tempo relativamente breve, e foram duas etapas: a entrada na Universidade, a saída e o golpe de Estado de 10 de março de 1952.

 

Essa etapa quando iniciávamos a luta, é o ponto donde há que partir agora; começávamos, tentávamos começar, não conhecíamos nem sequer muito bem as leis de gravidade, íamos encosta acima lutando contra o império, já que era o mais poderoso, mas quando ainda existia outra superpotência, como a chamávamos; foi encosta acima, marchando encosta acima que ganhamos experiência, que nosso povo e nossa Revolução se fortaleceram até chegar aqui.

Oxalá tivesse mais tempo para falar, porém este agora de agora, é um agora sem precedente, é uma hora muito diferente das outras, não se parece em nada com a de 1945, com a de 1950 quando nos graduamos, porém possuidores de todas aquelas idéias das que falei um dia, quando afirmei com amor, com respeito, com entranhável carinho, que nesta universidade aonde cheguei simplesmente com um espírito rebelde, com algumas idéias elementares da justiça, me fez revolucionário, marxista-leninista, e adquiri os sentimentos que ao longo deste ano tive o privilégio de jamais sentir-me tentado, nem no mais mínimo, a abandoná-los alguma vez. E por isso atrevo-me a afirmar que jamais os abandonarei.

 

E se de confissões se trata, quando terminei nesta universidade eu achava que era muito revolucionário, e, simplesmente, iniciava mais outro caminho, muito mais extenso. Se sentia-me revolucionário, socialista, se tinha adquirido todas as idéias que fizeram de mim, e não podia existir nenhuma outra, um revolucionário, garanto-lhes modestamente que hoje sinto-me dez vezes, vinte vezes, talvez cem vezes mais revolucionário do que era nessa altura (Aplausos). Se nesse momento estava disposto a dar a vida, hoje estou mil vezes ainda mais disposto a entregar a vida que naquela altura (Aplausos).

    

A gente, inclusive, entrega a vida, por uma nobre idéia, por um princípio ético, por um sentido da dignidade e da honra, ainda antes de ser revolucionário e também dezenas de milhões de homens morreram nos campos das batalha da Primeira Guerra Mundial e noutras guerras, apaixonados quase por um símbolo, por uma bandeira que acharam emocionante, um hino que acharam emocionante, como foi A Marselhesa em sua época revolucionária, e depois hino do império colonial francês. Em nome desse império colonial e das partilhas do mundo morreram em massa nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, milhões de franceses. Se o homem é capaz de morrer, o único consciente de entregar a vida voluntariamente, não luta pelo instinto, como temos tantos animais que lutam pelo instinto, praticamente as leis da natureza o conduziram a essa estirpe; o homem é uma criatura cheia... o homem e a mulher, quando digo homem..., e cada vez mais é preciso dizer as mulheres, sim; tenho razões, não sei se terei tempo para dizê-las. Mas o ser humano é o único capaz, conscientemente, de passar por cima de todos os instintos, o homem é um ser cheio de instintos, de egoísmo, nasce egoísta, a natureza lhe impõe isso, a natureza lhe impõe os instintos, a educação impõe as virtudes; a natureza lhe impõe as coisas através dos instintos, o instinto de sobrevivência é um deles, que o pode levar à infâmia, enquanto a consciência o pode levar a realizar os maiores atos de heroísmo. Não importa como sejamos cada um de nós, quão diferente sejamos cada um de nós, mas entre todos nós fazemos um.

 

É impressionante que, apesar da diferença entre os seres humanos, possam ser um numa dada altura ou possam ser milhões, e só podem ser milhões através das idéias. Ninguém acompanhou a Revolução por culto a ninguém ou por simpatias pessoais de ninguém. Quando um povo chega à disposição para o sacrifício que quaisquer daqueles que com lealdade e sinceridade tentem dirigi-los e tentem conduzi-los rumo a um destino, isso só é possível através de princípios, através de idéias.

 

Constantemente, vocês estão lendo homens de pensamento, constantemente lêem na história, e na história de nossa Pátria lêem Martí, lêem outros muitos patriotas destacados, e na história do mundo, na história do movimento revolucionário lêem os teóricos, os grandes teóricos que nunca abriram mão dos princípios revolucionários. São as idéias as que nos unem, são as idéias as que nos fazem um povo combatente, são as idéias as que nos fazem já não só individualmente, mas sim coletivamente revolucionários, e é então quando se une a força de todos, quando um povo jamais pode ser vencido e quando o número de idéias é muito maior, quando o número de idéias e valores que se defendem se multiplicam, muito menos um povo pode ser vencido.

 

E assim, quando lembramos os camaradas, e vemos os jovens que têm importantes tarefas; os outros,  muitos deles foram líderes desta universidade, e têm longos anos de luta, uns deles mais; uns podem; alguns podem ter mais de 50, outros podem ter mais de 40 e hoje cada um deles em sua responsabilidade, muitos deles estudantes, outros de origem humilde, como os que vejo aqui, pessoas que estiveram no ataque ao quartel Moncada e pessoas que vieram no iate Granma, lutaram na serra Maestra e participaram de todos os combates; vejo-os aqui, a cada um deles, defendendo uma causa, uma bandeira.

 

Vejo, por exemplo, nosso caro companheiro Alarcón. Lembro-me dele porque aqui muito se falou da batalha pelos cinco heróis presos e ele tem sido um batalhador incansável pela justiça em relação a esses companheiros. Foi a tarefa que recebeu da Revolução, e a recebeu por suas qualidades, por seu talento, por seu caráter de presidente da Assembléia Nacional (Parlamento).

 

Vejo o companheiro Machadito, velho médico, mas não médico velho, que nos acompanhou lá nas montanhas. Vejo (Esteban) Lazo, vejo (Carlos) Lage, vejo (José Ramón) Balaguer, vejo muitos desde aqui - ainda vejo algo (Risos) - acho que vejo (Pedro Sáez), acho que vejo o ministro da Educação Superior, acho que vejo (Luis Ignacio) Gómez - é Gómez, talvez um pouquinho mais gordo - e um pouco mais para lá vejo Abel (Prieto), nome bíblico, que acaba de ter um papel de destaque, lá em Mar del Plata, onde se travou uma batalha muito gloriosa.

 

Vejam o mundo, vejam as mudanças, vejam os objetivos que hoje estamos perseguindo. Vejam as estratégias que estamos desenhando, que nos introduzem na estratégia do mundo, sendo um minúsculo país, aqui a 90 milhas do colossal império, o mais poderoso que existiu jamais ao longo da história, e passaram 46 anos e lá está mais distante que nunca conseguir fazer ajoelhar a nação cubana, aquela que ofenderam e humilharam durante algum tempo (Aplausos); aquela da que foram donos, donos de tudo: jazidas, terras, centenas de milhares das melhores hectares; de seus portos, de suas instalações, de seu sistema elétrico, do transporte, do setor bancário, comercial, etecétera, etecétera, e os muito idiotas acham que vão voltar aqui e vamos pedir a eles ajoelhados: "Venham salvar-nos mais uma vez, salvadores do mundo, venham, que vamos entregar tudo a vocês outra vez, e essa universidade, para que ponham nela 5 000 e não meio milhão, porque meio milhão é muito e para a mentalidade de vocês , que queriam ver desempregados e famintos, para que essa porcaria do capitalismo funcionar, porque é só à base de um exército de reserva; venham e reproduzam outra vez os desempregados analfabetos que faziam filas nas proximidades dos canaviais, sem que ninguém lhes levasse uma gota de água, nem café da manhã, nem almoço, nem alojamento, nem transporte. Procurem e tentem encontrá-los porque cá estão seus filhos estudando nas universidades às centenas de milhares" (Aplausos).

 

Eu vi, ninguém me contou, eu vi, há apenas 48 horas, eu vi lá no Palácio das Convenções, primeiramente em um grupo de várias centenas, com as camisetas azuis, eu vi através daqueles jovens que se formaram como trabalhadores sociais e hoje são todos, todos sem exceção!, estudantes universitários, de primeiro a quinto ano da carreira, depois de um ano de estudos intensos para se tornarem trabalhadores sociais, depois de vários anos nessa carreira, e eram primeiro 500 e agora são 28 000.

 

Acho que foi (Ignácio) Agramonte, outros dizem que (Carlos Manuel de) Céspedes, quem, respondendo aos pessimistas, e dizem que quando ficou com 12 homens, exclamou: "Não importa aqueles que não tenham confiança - que com 12 homens se faz um povo, se com 12 homens se faz um povo, quantas vezes somos hoje 12 homens. E 12 homens, multiplicados sei lá quantas vezes, armados de idéias, de conhecimentos, de cultura, que sabem como é este mundo, sabem de história, sabem de geografia, sabem de lutas, porque têm isso, isso que se chama uma consciência revolucionária, que é a soma de muitas consciências, é a soma da consciência humanista, a soma de uma consciência da honra, da dignidade, dos melhores valores que pode ter um ser humano. É filha do amor à Pátria e de amor ao mundo, não esquece aquilo de que Pátria é humanidade, proferido há mais de 100 anos. Pátria é humanidade deve ser repetido todos os dias, quando vem alguém e se esquece daqueles que vivem no Haiti, ou estão na Guatemala, golpeada, entre outras mazelas, pelo desastre natural, sofrendo dores indescritíveis, pobreza indescritível, como acontece habitualmente na maior parte do mundo.

 

Essa é a única coisa que pode exibir o infame império e seu nojento sistema, resultado da história no longo caminho da espécie procurando uma sociedade de justiça nunca atingida ao longo de milhares de anos, que é a brevíssima história relativamente conhecida da espécie procurando uma sociedade justa. E sempre estiveram tão longe quanto tão perto da mesma forma em que hoje nos sentimos perto dessa sociedade justa, e para demonstrar que é possível, se trata precisamente da sociedade que queremos construir, mas me atrevo a acrescentar, por cima do monte de defeitos que ainda temos, de erros, de faltas, que é a sociedade na história humana que está mais perto de poder ser qualificada como sociedade justa.

 

Onde está a justiça que não a vejo? Não a vejo porque aquele recebe vinte vezes, trinta vezes mais do que eu como médico? Ou mais que eu como engenheiro, ou mais que eu como catedrático da Universidade onde está e por quê. O que é que aquele produz? Quantos educa? Quantos cura? Quantos são felizes com os conhecimentos dele, com os seus Livros, com a sua arte?  A quantos faz felices construindo-lhes uma moradia? A quantos faz felizes cultivando algo para se alimentarem? A quantos faz felizes trabalhando nas fábricas, nas indústrias? Nos sistemas elétricos, nos sistemas de água potável, nas ruas nas instalações elétricas, ou atendendo as comunicações, ou imprimindo livros? A quantos?

 

Existem, e devemos dizê-lo, dezenas de milhares de parasitas que não produzem nada e recebem 1000 ou 1200 pesos, pode ser tanto como aquele que leva num calhambeque, comprando e roubando combustível pelo caminho, de Havana a Guantánamo, a um desses jovens estudantes, que teve que viajar, agora quando as circunstâncias do transporte são muito difíceis. Ele sabe, ao longo dessas estradas cheias de buracos em muitos lugares e carentes de sinais que não pudemos acabar por diversas razões, por falta de recursos que não tínhamos, por incapacidades que não tínhamos superado, por falta de controle daqueles que administram ou dirigem.

 

Sim, devemos tê-las em conta e não esquecê-las porque temos pela frente uma grande batalha que devemos travar, que começamos a travar, que vamos travar e vamos vencer. Isso é o mais importante.

 

Sim, somos conscientes e muito conscientes disso, e nisso pensamos mais do que nenhuma outra coisa: em nossos defeitos, em nossos erros, em nossas desigualdades, em nossas injustiças.

 

E não me atreveria a mencionar o tema aqui, se não tivesse a mais absoluta convicção e a mais absoluta certeza, que exceto catástrofes mundiais, guerras colossais, estamos nos aproximando aceleradamente da hora de reduzi-las e vencê-las, para que se cumpra uma coisa, escutem bem, que os cidadãos deste país que numa dada altura estavam desempregados, o índice de desemprego era de 10%, 15%, 20% ou mais, os cidadãos deste país que numa dada altura eram analfabetos, mais de um milhão, ou eram analfabetos ou semi-analfabetos até 90%, neste povo de hoje, e, sobretudo, de um amanhã muito próximo, cada cidadão viva fundamentalmente do seu trabalho e viva fundamentalmente de suas pensões.

 

Não esquecer jamais aqueles que durante anos foram nossa classe operária e trabalhadora, que viveram as décadas de sacrifício, os bandos mercenários nas montanhas, as invasões como a da Baía dos Porcos, os milhares de atos de sabotagens que custaram vidas de nossos trabalhadores açucareiros, da cana-de-açúcar, industriais, do comércio ou na marinha mercante, ou na pesca, os que de repente eram atacados com canhões e bazucas, só porque éramos cubanos, só porque queríamos a independência, só porque queríamos melhorar a sorte de nosso povo; e lá os bandidos cometendo malfeitorias, lá os bandidos recrutados e treinados pela CIA, os criminosos, os terroristas que faziam explodir nossos aviões no ar ou tentavam faze-los explodir, sem importar os que morressem, os que organizavam atentados de todo tipo e atos de terrorismo contra o nosso país. Por acaso mudou o império? E onde está, senhor 'Bushecito', o senhor Posadita Carriles, amável cavalheiro que, muito a pesar de suas coisas vergonhosas e conhecidas, cavalga e tenta levar as rédeas desse império? Quando vai responder aquela pergunta sã e simples que fizemos muitas vezes? Por onde entrou Posada Carriles aos Estados Unidos? Em que navio, por qual porto? Quais os príncipes herdeiros da coroa o autorizou, seria o irmazinho gordinho da Flórida? - e que me perdoe o qualificativo de gordinho, não é uma crítica, mas sim a sugestão de que faça exercícios e faça regime, não é? (Risos), é uma coisa que faço pela saúde do cavalheiro.

 

Quem o recebeu? Quem lhe deu permissão? Por que passeia pelas ruas da Flórida e de Miami quem o levou de forma tão desavergonhada? O que se fez daquela academia? De que era, de navegação ou de criação de peixes? Quem era o bárbaro aquele?, aquele que através de um telefone falou com outro terrorista que tinha umas latas cheias de dinamita e ao perguntar-lhe, e era sua voz, reconheceu o cara, reconheceu-o diante de todo o mundo, não se podia negar, quando lhe perguntou o quê devia fazer com aquelas latinhas, disse-lhe: "Vai a Tropicana, joga-as por uma janela e acaba com tudo aquilo". Vejam que pessoal tão nobre, que respeita tanto as leis, as normas internacionais, os direitos humanos. E o sem-vergonha de "Bushecito" não quis responder, ainda está caladinho, ninguém mais respondeu.

 

As autoridades de nosso irmão país, o México, tampouco tiveram tempo, -parece que sim, muito trabalho- para responderem a pergunta, que não custa nada, senhor, dizer que Posadita Carriles, essa criança ingênua, ingênua e inocente criança, entrou naquele navio, por aquele porto e da forma em que Cuba o denunciou.

 

Mas vejam se são descarados, dizem todas as mentiras do mundo, pois lhes fazem uma perguntinha ingênua, uma simples pergunta, e passam meses e não respondem. Assim passaram meses e não sabiam onde estava Posadita.

 

Essa garota inteligente, como se chama?, a que é secretária de Estado (Risos), Condoleeza ou Condoliza?, bom, Condessa Rice (Risos), tampouco sabe, ignora, e os porta-vozes ignoram; não disseram nenhuma mentira, não cometeram nem o mais mínimo pecado venial, são puros, merecem o aplausos e a confiança do mundo.

 

É mentira, nunca torturaram ninguém; é mentira, nunca foram cúmplices do terrorismo; é mentira, nunca inventaram o terrorismo; é mentira, nunca torturaram ninguém; é mentira, nunca utilizaram fósforo vivo em Al Fallüjah. Bom, dizem que é verdade, mas que é muito legal, muito legítimo e muito decente usar fósforo vivo. Vão intimidar alguém?

 

Fomos testemunhas, e lembrava isso quando observava os companheiros cá, via Abel, da colossal batalha travada lá em Mar del Plata, no estádio e no recinto onde se reuniram os chefes de Estado e de Governo; não vou comentar esse ponto, mas nosso povo teve a chance de ver, e acompanhar- eu conheço os estados de opinião - aquela grandiosa batalha, uma na rua e outra lá, onde estavam reunidos os chefes de Governo.

 

E falando de história, nunca na história deste hemisfério deu-se alguma coisa parecida com aquela batalha, em que o cavalheiro aquele da triste figura, não por seus ideais cervantescos, mas da triste figura porque faz coisas raras, caretas, olha, fica aborrecido, o deitam à meia-noite, qualquer dia, dos porta-aviões descolam os aviões e bombardeiam aqueles bandidos por culpa dos quais, por estarem um pouco ocupados, interromperam o sono do cavaleiro que leva as rédeas do império, porque enquanto ele dorme, o cavalo pode ir por qualquer lado; afinal, é possível que o cavalo conduza melhor os destinos do império do que o próprio cavaleiro que deve se deitar cedo (Aplausos).

 

Realmente, é pena que a madrugada não durar mais, porque pelo menos, o mundo poderia estar melhor.

 

Assim é tudo. Temos visto coisas que não podem ser esquecidas.

 

Alguns andam perguntando se Cuba falou ou não falou, se Cuba tomou o partido ou não tomou o partido a favor de alguém. Advirto, porque alguns andam armando intrigas de forma ridícula, acerca dessas coisas. Cuba fala quando tenha que falar e Cuba tem muitas coisas que dizer, mas não está com pressa nem impaciente. Sabe muito bem quando, onde e como pode desferir um golpe ao império, a seu sistema e a seus lacaios.

 

Ao que parece, alguns crêem ou fingem crer que não havia um só cubano lá em Mar del Plata, que não existia uma força revolucionária cubana de primeirissíma ordem naquela passeata gloriosa de dezenas de milhares de  cidadãos do mundo e nomeadamente argentinos, aos quais o imperador ofendeu estacionando os porta-aviões, levando um exército, alugando todos os hotéis e empregando milhares de policiais. Ninguém ia ter contato físico com ele, se o que desejava era que lhe atirassem um ovo podre; não, ele não merece tão alta honra (Risos), de maneira nenhuma.

 

 E os bem civilizados cidadãos argentinos, e os cada vez mais conscientes e experientes cidadãos deste hemisfério, onde a ordem imposta já é insustentável e insalvável, sabem o que fazem. Disseram que seria uma manifestação pacífica, que não seria jogada nem uma casca de laranja, e ao mobilizarem, sob aquela chuva fria tanto pessoal, que marchou durante horas até o estádio, para formar uma enorme massa naquele estádio, deram uma lição inesquecível ao império, porque demonstraram que são pessoas, são povos que sabem o que fazem e quem sabe o que faz essa marcha rumo à vitória é absolutamente certo. E os que não sabem o que fazem são esmagados pelos povos.

 

Não queremos dar pretextos ao império para armar um show. Neste xadrez de 50 peças veremos no fim quem dá o xeque-mate, xeque-mate que se vou por

aqui não posso, vou por cá e não posso, vou por aqui e tampouco posso; por aqui tampouco, realmente o império vai arrebentar.

 

Quando falo em império não digo o povo norte-americano, entendem bem. O povo norte-americano salvará muitos dos valores éticos, salvará muitos princípios que foram esquecidos, deverá se adaptar ao mundo em que vivemos, se este mundo pode ser salvo e este mundo deve ser salvo. E todos nós, entre todos e em primeira fileira devemos lutar para que este mundo possa se salvar e as nossas melhores e invencíveis armas são as idéias.

 

Alguém fala da batalha de idéias, sim, aquela batalha de idéias que travamos durante anos, está se tornando uma batalha de idéias a nível mundial. As idéias triunfarão. Transmitamos essas idéias, abramos os olhos a esta humanidade condenada a extinção. Se não vai ser eterna se é muito provável que até um dia a luz do sol vai se apagar, então com certeza não haverá forma de transladar matéria viva e sólida a uma distância que fique a anos-luz deste planeta e as leis físicas são muito mais rigorosas, muito mais exatas do que as leis históricas ou sociais, ou de outra índole. As ciências exatas não são iguais do que as ciências sociais.

 

De todas as formas, acho que esta humanidade e as grandes coisas que é capaz de criar, devem ser preservadas enquanto possam ser preservadas. Uma humanidade que não se preocupe pela preservação da espécie seria tal qual o jovem estudante ou o quadro ou dirigente que sabe que sua vida é limitada a um número reduzido de anos e, porém, fica preocupado só por sua própria vida.

 

Mencionei vários nomes de companheiros aqui presentes, aos quais ainda restam alguns anos, para outros restam menos, e ninguém sabe quantos, eu jamais penso que algum deles esteja pensando em se preservar, sem lhe importar qual será o destino deste admirável e maravilhoso povo, ontem semente e hoje árvore crescida e com raízes profundas; ontem cheio de nobreza em potência e hoje cheio de nobreza real; ontem cheio de conhecimentos em seus sonhos e hoje cheio de conhecimentos reais, quando apenas está começando nesta gigantesca universidade que é hoje Cuba.

 

E vejam como vão surgindo novos quadros e quadros jovens. Eis Enrique, que lidera este exército dos 28 000, trabalhadores sociais mais os 7 000 que estão estudando e aperfeiçoando essa nobre profissão.

 

Como vocês sabem, estamos em meio de uma batalha contra os vícios, contra os desvios de recursos, contra o roubo e lá está essa força, com a que não contávamos antes da batalha de idéias, desenhada para travar essa batalha.

 

Vou dizer uma coisa, para ver se os trabalhadores da construção recuperam seu amor-próprio; quando querem ser heróicos são mesmo. Mas não pensem que o roubo de recursos e de materiais é de hoje, ou do 'período especial', o 'período especial' agravou isso, porque o 'período especial' criou muitas desigualdades e o 'período especial' tornou possível que muitas pessoas tivessem muito dinheiro.

 

Lembro, que estávamos construindo na vila de Bejucal um centro de biotecnologia importantíssimo. Perto havia um pequeno cemitério. Eu visitava o lugar de vez em quando, um dia passei pelo cemitério, e lá existia um mercado colossal onde aquela força de construtores, seus chefes e a participação de um alto número de pedreiros, tinham lá um mercado de venda de produtos: cimento, vigas, madeira, pintura, tudo quanto é usado para construir.

 

Vocês sabem que sempre, e ainda hoje, o problema da construção é muito sério. Temos recursos, às vezes faltaram materiais, ou vamos tendo e surge a possibilidade de ter cada vez mais recursos para construir; mas vejam a tragédia com os construtores, as fraquezas dos chefes de brigada, dos que devem dirigir.

Mas isso não é novidade. Do tempo que estou falando, para produzir uma tonelada de betão, se consumiam 800 quilos de cimento e uma tonelada de um

bom betão, desse que utilizamos para fundir, pisos ou colunas, antes da época em que foram construídos o Morro e La Cabana, que duram mais que muitas das coisas que o mundo moderno constrói hoje; então, a despesa deve ser de mais ou menos 200 quilos. Vejam como se esbanjava, vejam como se desviavam recursos, como se roubava.

 

Nesta batalha contra os vícios não haverá trégua com ninguém e cada coisa será chamada por seu nome, e nós apelaremos à honra de cada setor. Estamos certos de uma coisa: de que em cada pessoa há uma alta dose de vergonha. Quando ela fica pensando não é um juiz severo, apesar de que, segundo minha opinião, o primeiro dever de um revolucionário é ser sumamente severo consigo próprio.

Fala-se em crítica e autocrítica, sim, mas nossas críticas costumam vir só de um grupinho, nunca utilizamos a crítica mais ampla, nunca utilizamos a crítica num teatro.

 

Se um funcionário da Saúde Pública, por exemplo, falsificou um dado, acerca da existência do mosquito Aedes Aegypti, é chamado, criticado. Eu conheço alguns que dizem: "Sim, me autocritico", e ficam tão tranqüilos, rindo! São felizes! Ah!, você se autocritica? E todo o dano que fez e todos os milhões que se perderam em conseqüência deste desleixo ou desta forma de agir?

 

Crítica e autocrítica, é muito correto, isso não existia; mas não, se vamos travar a batalha devemos usar projéteis de maior calibre, é preciso utilizar a crítica e a autocrítica na sala da aula, na organização de base do Partido, e depois fora dela, depois no município e depois no país.

 

Utilizemos essa vergonha que, sem dúvida, têm os homens, porque conheço muitos homens aos que chamamos de sem-vergonhas, e são justamente qualificados de sem-vergonhas, que quando em um jornal local aparece a notícia do que fez, então fica envergonhado.

O ladrão engana, ou o que merece uma crítica por sua falta, engana, é também mentiroso.

 

A Revolução tem que usar essas armas, e vai usá-las se for necessário! Não deveria ser necessário. A Revolução vai estabelecer os controles que forem necessários.

 

Havia muitos desses personagens felizes da vida, como diz uma canção. "E como vai você?". Isso podia ser perguntado a muitos dos que andavam com a mangueira na mão, pondo gasolina nos tanques desses calhambeques, ou recebendo dinheiro dos novos ricos, que nem sequer queriam pagar a gasolina que consumiam.

 

Vejam vocês se o que eu digo não era mais ou menos real e existia uma desordem geral, não só nisso, mas entre outras coisas, com perdas de dezenas de milhões de dólares, poderiam ser 80 - veja, repare que 80 é um monte de milhões!- podem ser 160, podem ser 200 milhões. Por acaso vocês sabem o que são 200 milhões? Vocês estudaram aritmética. Mas vocês ouviram falar das universidades deste país, verdade? Sim ou não? Vocês são dirigentes das universidades, e já todos os estudantes têm seus direitos, de uma forma ou de outra, todas as categorias; estudantes, regulares diurnos, regulares noturnos, estudantes disto e do outro. E vocês sabem qual o total de estudantes universitários, de nível superior? Se não sabem podemos analisar, eu cheguei aqui perguntando dados: vamos ver, me digam o dado exato: 360 000. Sim, 360 000 em conseqüência da universalização do ensino superior.

 

Acho que Vecino (Fernando Vecino, ministro da Educação Superior) sabe. Vecino não se incomoda se eu lhe pergunto esses números, não os conhece bem, não sinta pena por isso.

 

Quantos estudantes regulares diurnos têm todos os centros de ensino do país, incluindo os militares?

 

Se ele não sabe ninguém deve saber.

 

(Dizem-lhe que 230 000).

 

Enrique,  coincide com teus dados.

(Enrique explica a composição do número de estudantes).

Sim, 500 000, mas devemos continuar somando.

 

Os da universalização são esses, os regulares como diurnos juntos, esses dois números, é o que eu vinha discutindo, são 500 000.

 

Mas existem outras categorias, eu as tenho cá.

 

(Enrique esclarece que se incluem os professores adjuntos, com o que somam 75 000, unidos aos 25 000 professores universitários, que se aproxima do número os 100 000).

 

Aqui diz que está subdividido: "141 000 estudantes no curso regular diurno".

Concordamos com isso?

 

"Um número de 141 000 estudando no curso para trabalhadores".

 

São mesmos ou não?, ou foram incluídos no de 360 000? Foram incluídos nos 360 000 do programa de universalização. É isso correto ou não?

 

(Enrique explica que é independente, que existe o curso regular diurno, o curso para trabalhadores e a universalização.)

 

Regular diurno? (Esclarece-lhe que esse era o número que existia).

 

Temos cursos para trabalhadores que na universidade, quando entrem na universidade imagino que já estejam nesse número dos 360 000; 32 000 estudando no ensino à distância, esses em que categoria estão? Na de 360 000? Não estão na de regular diurno, não estão no curso para trabalhadores e são estudantes. Vem existindo essa modalidade de ensino.

 

Bem, vamos procurar o número mais conservador, que para os fins que eu  pretendo atingir, resolve.

 

Atualmente temos mais de 500 000, estudantes universitários.

 

Além do mais, vocês sabem que temos 958 sedes universitárias. Por isso vocês, os membros da Federação dos Estudantes Universitários (FEU), estão nos municípios, onde se estudam 45 especialidades universitárias e cresce o número por ano. Temos 169 sedes universitárias municipais, do Ministério da Educação Superior; 130 sedes universitárias para o setor "Álvaro Reinoso", delas 84 em povoados perto das usinas? Muitos destes estão na cifra anterior há 18 sedes nas prisões, sedes de estudo superior que têm 594 matriculados na Licenciatura de estudos socioculturais, ainda não são muitos; 240 sedes Universitárias do INDER, 19 sedes em prisões onde também estão estudando 579 matriculados, 200 que acabaram o primeiro ano da carreira. Isto também é novo: sedes universitárias nas prisões. Por outro lado existem 169 sedes universitárias municipais de saúde, 1 352 em policlínicas, em unidades de saúde e bancos de sangue, em todos esses lugares estão estudando diferentes licenciaturas associadas à saúde pública.

 

Temos quase 100 000 professores entre titulares e adjuntos das universidades. Muitos deles faziam parte do aparelho burocrático das usinas açucareiras e de outros lugares, hoje estão dando aulas, são professores adjuntos, cresceu a massa de professores de nível superior. Entre os dois - e não falo de outros trabalhadores das universidades - entre estudantes e professores somam mais de 600 000. E entre os estudantes mais de 90 000 que não tinham matrícula nem emprego, jovens, muitos deles de origem humilde, que hoje estão tendo excelentes resultados os estudos universitários.

 

Faço perguntas ou digo, mais ou menos, quais os dados que tenho?

 

Estive perguntando até agora, qual a despesa, o orçamento dos centros do ensino superior. Carlitos me deu um dado. Acho que disse 830. Vecino deve saber, porque ele conhece esses dados. Lembra desse dado, Vecino?

 

Vecino lembra que no ano letivo passado foram 230 milhões de pesos).

 

Não, tomara que fosse assim. Aqui tenho um dado que alguém deveria conhecer.

 

Vejam, este é o Ministério das Finanças. Esse é o ano 2004, este do 2005 é o que eu estou perguntando, nesse cresceu enormemente. O do ano passado não me serve, Vecino.

 

Bom, o que acontece a Vecino nos acontece a todos e é um tema de vida ou morte. Há poucos dias, estava na frente de um grupo de 200 profissionais universitários, bem preparados, e lancei uma pergunta. "Qual de vocês conhece o que se paga em seu lar pelo consumo de eletricidade?" Escutem bem, companheiras e companheiros. Quantos vocês acham que responderam? Façam um cálculo, segundo sua lógica.

 

O que você acha, você que falou agora? E o companheiro parece esperto, todos são espertos, mas alguns conseguem falar mais facilmente. Quantos vocês acham que responderam à pergunta que fiz aos 200 profissionais universitários? (Dizem-lhe que 100).

 

O que você acha? Você sabe quanto consome? (Diz que tem uma idéia) Quanto é a idéia, diz-me em dinheiro e em quilowatts? (Risos) Não, espera, eu vou dizê-lo, inclusive, se você me diz quantas lâmpadas incandescentes tem, a marca da geladeira, se o televisor é a preto e branco ou a cores e de que ano, o tipo de ventilador que tem, quanta água ferve no dia, em que a ferve, se com gás, com querosene ou com gás líquido. Não, é que eu não quero fazer a pergunta a vocês, porque os estou cuidando, a única coisa que eu perguntei é que me façam um cálculo de quantas pessoas responderam minha pergunta, dos 200 a que eu perguntei, acerca de quanto pagavam pelo serviço elétrico...

 

Você, que está rindo, vamos ver, um cálculo, uma estimativa, 50, 70, 120 (Alguém lhe diz que a terceira parte) E Você? (O garoto diz que não menos de 100) Você deve estar tentando lembrar o que está gastando e com medo de que lhe perguntem, mas não lhe vou perguntar (Risos).

 

Vocês sabem quantos daqueles 200 responderam a pergunta? Vocês sabem quantos? Uma proporção de 0.0000 até o infinito. Vocês estudaram algo de aritmética, então podem compreender: nenhum, absolutamente nenhum.

 

Eu acho que todos os cidadãos deste país deviam meditar sobre isso.

Posso fazer uma pergunta a vocês? Por que aconteceu isso? Vamos ver, temos que meditar. Temos dito que é preciso mudar o mundo, que é preciso salvá-lo, que estamos em um mundo em sua hora crítica e quase perto de um trágico final, não estou exagerando aqui para impressionar vocês todos. Pode ser que vocês tenham menos anos que eu e esse fenômeno acontecer. Falo por vocês, e pelos filhos de vocês, e pelos irmãos de vocês, mais novos ou mais velhos. Jamais se pode afirmar isso, ao longo da história breve do homem, não da história selvagem quando era homem e tinha desenvolvido uma capacidade mental, embora não vivesse na sociedade, não tinha desenvolvido a língua escrita, nem sequer uma tecnologia rudimentar.

 

Por que? Vocês são obrigados a pensar. Que tipo de líderes universitários são vocês? Carlitos, donde saiu esta tropa que não é capaz de dar uma idéia das razões pelas quais 200 profissionais universitários não responderam a pergunta sobre a despesa de energia? Que tempo precisam para meditarem? Basta com um minuto? (Um companheiro explica que é porque a família cubana tem a facilidade de pagá-la, não é como noutros lugares, que tem que estar pendente dessa situação.)

 

O que você acha? (Respondem-lhe que é porque nenhum universitário tem que ir para a rua, buscar dinheiro para pagar a eletricidade.)

 

O que achas? (Disse que isto acontece porque é insignificante o que se paga).

 

O que achas? (Pensa que a Revolução subsidia a maior parte das despesas de nossa população e poupar é uma preocupação).

 

Tudo bem, vou a fazer-lhes outra pergunta.  Vocês estão ficando perto da razão exata, pelo menos tal e como eu a veo, não quer dizer que veja a razão só nisso.  Há algumas perguntas que podem embaraçar-se ainda mais, mas é necessário fazer com que as pessoas pensem e chamar a todos nossos compatriotas honestos, e inclusive até aos desonestos, poderia existir qualquer desonesto que diga, tal vez, a verdade: “Por isto.” Há muitas.  Simplesmente porque praticamente a eletricidade é de graça, a eletricidade se oferece.  Bom, eu posso demonstrar-lhes isso.

 

Posteriormente poderão surgir outras perguntas: Quanto ganhamos?  Caso surgir a pergunta de quanto ganhamos, começaria a compreender-se o sonho de cada quem viva de seu salário ou de sua justíssima aposentadoria.

 

Acrescentem-lhe um pouquinho: quando você pensa em duas irmãs, uma delas foi mestra, agora estão juntas, tem problemas, dificuldades, recebiam 80 pesos pela aposentadoria, porque antigamente os salários eram mais baixos, e depois vieram períodos:  “Pago a Você por horário irregular, pago a você porque é no período da tarde, pago mais a você porque é a noite, pago mais a você porque tiveste que vir  um domingo de cada mês”,  nada disso influía no salário básico, influi na receita individual do mestre, mas não no salário do mestre, nem nas aposentadorias, segundo as leis, e muitas dessas leis eram velhas, e já tínhamos que começar a modificá-las e lhes posso assegurar que temos ganhado consciência e que a vida toda é um aprendizado, até o último segundo, e começas a ver muitas coisas num momento, e entre o milhão de temas em que estas pensando, ficas distraído, não reparas nenhum fenômeno, que os acréscimos de receitas pessoais quando chegou o período especial, quase todos foram feitos através dessas normas e não de um salário básico, e por isso não houve nenhuma vacilação, recentemente, quando se acrescentou até 150 o salário mínimo do trabalhador, e a senhora ganhava 80 pesos, quer dizer que o acréscimo no salário mínimo foi de 50 pesos numa categoria, noutra 190 e noutra 230.  Agora, imagina o mestre aquele, ou a mestre que passaram 40 anos, antes do surgimento do mercado livre camponês e os intermediários assaltaram a república.  Sim, porque todos sabem que o camponês não venderá três libras de arroz em nenhum lugar.  O camponês não é comerciante; o camponês é produtor.  Um deles tem um caminhão pequeno porque o roubou, ou porque o comprou, ou porque é com dinheiro roubado, porque colocou um motor, muitas coisas. 

 

Não, isto não é falar mal da Revolução, isto é falar muito bem da Revolução, porque estamos falando de uma revolução que pode falar disto, pode encarar as coisas, pode pegar ao tourinho pelos chifres, melhor do que um toureiro de Madri.  Aquele lhe mostra um pano vermelho, e depois o touro virá, o homem fecha os olhos, as vezes investe e lhe crava um ferrinho, uma bandarilha, fica enfurecido, mas é necessário pegar ao tourinho pelos chifres para obter o prêmio.

 

Nunca gostei dos touros, embora tenha lido a Hemingway, mas de quando em vez freqüentava uma corrida de touros no México, não sei como se chama.  E depois, o premio: bom toureiro, cauda, orelha.  Quem o fazia perfeito lhe entregavam as duas orelhas, a cauda, um nome glorioso e a festa romana do toureio.  Não tenho nada a ver com isso.

 

Lembro que no começo da Revolução não sei a quem de nós, ou a qualquer de nós, se nos ocorreu falar em toureio.  Éramos tão ignorantes que falávamos do toureio, porque já o tínhamos visto lá em México e porque podia atrair ao turismo.  Vejam quanto nós sabíamos, e já éramos, ou acreditávamos que éramos, muito revolucionários.

 

Vocês estão rindo, fico contente, porque fico animado para contar-lhes mais outras coisas.

 

Uma conclusão que tirei após muitos anos: entre muitos erros que todos temos cometido, o erro mais importante foi acreditar que alguém sabia de socialismo, ou que alguém sabia como se constrói o socialismo.  Parecia ciência sabida, tão sabida como o sistema elétrico concebido por alguns que se consideravam peritos em sistemas elétricos. Quando diziam: “Esta é a fórmula”, este é quem sabe.  Se alguém é medico.  Tu não vai a debater com o médico ao respeito de anemia, de problemas intestinais, de qualquer especialidade, ninguém discute com o médico.  Pode acreditar que é bom ou mau, sei lá, pode obedecê-lo ou não, mas a ninguém discute.  Quem de nós iria discutir com um médico, um matemático, ou com um perito em História, em Literatura ou qualquer matéria?  Mas seriamos estúpidos se acreditarmos, por exemplo, que a economia –e que me perdoem as dezenas de milhares de economistas que há no país- é uma ciência exata e eterna, e que existiu desde a época de Adão e Eva.

 

Perde-se todo o senso dialético quando alguém acredita que essa mesma categoria de hoje é igual a aquela de 50 anos atrás, ou 100 anos, ou a 150 anos, ou é igual a época de Lênin ou a época de Carlos Marx.  A mil léguas de meu pensamento o revisionismo, faço um verdadeiro culto a Marx e a Lênin.

 

Um dia eu diz: “Nesta universidade me converteram num revolucionário”; mas foi porque contatei com esses livros,  e antes de fazê-lo, pela minha própria conta e sem ter lido nenhum desses livros, já estava questionando à economia política capitalista, porque naquela época me parecia irracional, e estudava  economia política no primeiro ano por  Portela, 900 páginas em mimeógrafo, muito difícil, quase todos reprovavam.  Aquele professor era o terror.

 

Uma economia que explicava as leis do capitalismo, mencionava as diversas teorias sobre a origem do valor, e mencionava também aos marxistas, os utópicos, os comunistas, em fim as mais diversas teorias sobre economia.  Mas estudando economia política do capitalismo comecei a ter grandes dúvidas, a questionar aquilo, porque eu, além disso, tinha vivido num latifúndio e lembrava  coisas, tinha idéias espontâneas, como tantos utópicos que houve no mundo.

 

Posteriormente, quando soube o que era comunismo utópico, descobri que eu era um comunista utópico, porque todas minhas idéias partiam de: “Isto não é bom, isto é mau, isto é um erro. Como vão a chegar às crises de superprodução e a fome quando há mais carvão, mais frio, mais desempregados, porque há precisamente, mais capacidade de criar riquezas.  Não seria mais simples produzi-las e reparti-las ?

 

Naquela altura parecia, como também achava Carlos Marx na época do Programa de Gotha, que o limite à abundancia radicava no sistema social; parecia que na medida em que se desenvolviam as forças produtivas podiam produzir, quase sem limites, o que o ser humano precisava para satisfazer suas necessidades essenciais de tipo material, cultural, etc.

 

Já todos leram aquele Programa, e é, por acaso, muito respeitável.  Estabelecia com clareza a diferença em seu conceito entre distribuição socialista e distribuição comunista, Marx não gostava de profetizar ou planejar o futuro, era muito serio, jamais fez isso.

 

Quando escreveu livros políticos, como O 18 Brumário, As lutas Civis na França, era um gênio escrevendo, tinha uma interpretação claríssima.  Seu Manifesto Comunista é uma obra clássica.  Você pode analisá-la, pode ficar mais o menos satisfeito com umas coisas ou com outras.  Eu passei do comunismo utópico para um comunismo baseado em teorias serias do desenvolvimento social como materialismo histórico.  No aspecto filosófico apoiava-se no materialismo dialético.  Havia muitas filosofias, muitas pugnas e disputas.  É lógico que sempre é necessário oferecer a devida atenção às diversas correntes filosóficas.

 

Neste mundo real, que deve ser mudado, como táctico e estratega revolucionário, todo revolucionário tem o dever de conceber uma tática estratégia e uma estratégia que guiem ao objetivo fundamental de cambiar este mundo.  Nenhuma tática ou estratégia que divida seria boa.

 

Tive o privilégio de conhecer aos da Teologia da Libertação uma vez no Chile, quando visitei a Allende no ano 1971, e lá encontrei muitos padres ou representantes de diversas denominações religiosas, e colocavam a idéia de juntar forças e lutar, sem levar em conta suas crenças religiosas.

 

O mundo está precisando desesperadamente de uma unidade, Sé não conseguirmos conciliar o mínimo dessa unidade, não chegaremos a lugar nenhum.

 

Dizia ontem numa reunião com o representante da Santa Sé em nosso país, ao comemorar-se o 70 Aniversário das relações ininterrompidas entre Cuba e o Vaticano, que uma das coisas que apreciei muito em João Paulo II foi o espírito ecumênico. Porque estudei em escolas de mestres e professores religiosos desde a primeira classe até a sexta classe, nas escolas dos Irmãos da Salle e de jesuítas, eram religiosas, e tinha que ir a missa todos os dias. Não critico a quem desejar ir a missa, mas não concordo com que obriguem a ir todos os dias,  que era o que acontecia comigo.

 

Bom, muitas coisas.  Ontem conversei com os bispos muitos temas com respeito e bom espírito; lembrava o que dizia sobre o ecumenismo, e também lembrava que em minha época observava uma guerra a morte, todas as religiões, umas contra outras; a católica contra a judaica, a protestante, a muçulmana, e assim cada uma delas, falar de uma religião à outra era como falar do diabo.

 

Anos mais tarde, com surpresa ia vendo, acho que foi após do Concilio que teve lugar em Roma, O Vaticano II. Influiu muito na criação de um espírito ecumênico, de respeito às crenças do resto das pessoas.

 

Imaginem numerosas e poderosas igrejas, a Igreja Católica, o conjunto do resto das igrejas cristãs, a Igreja Muçulmana.  Nós próprios estamos observando coisas muito interessantes, que não conhecíamos, das fortíssimas culturas, crenças e costumes religiosas dos muçulmanos, porque lá estão os médicos num país muçulmano salvando vidas.  Tratam-nos com grande afeto e respeito.  Não entrarei em detalhes, mais são coisas de grande impacto.  Há diversas religiões muito fortes e algumas até tem milhares de anos, 2,500, 3,000, outras um pouco menos 2,000 anos, outras centos de anos.

 

É um bom exemplo, porque se o sentimento religioso não se junta, quaisquer que sejam as idéias éticas, os valores morais, ou os objetivos que persiga qualquer religião, não alcançarão jamais, si se trata da luta de numerosas igrejas, sete, oito, dez, ou mais –há muitas mais-, lutando todas umas contra as outras e repelindo-se entre sim.

 

Fez-me pensar nestes temas a idéia, para mim, clara, de que os valores éticos são essenciais, sem valores éticos não há valores revolucionários.

 

Não sei por que os comunistas foram imputados da filosofia de que o fim justifica os meios, e às vezes, inclusive, nós perguntamos por que não se defenderam ainda mais os comunistas de aquela acusação de que o fim justificava os meios; já me explico isso, inclusive por razões históricas, pela enorme influencia  exercida pelo primeiro Estado socialista e pela primeira e verdadeira revolução socialista, a primeira na história, que surge num país feudal, com hábitos e costumes feudais , em grande parte ainda, analfabeta a maioria da população; mas foi a primeira revolução proletária a partir das idéias de Marx e Engels, desenvolvida por outro grande gênio que foi Lênine.

 

Lênine, sobre tudo estudou as questões do Estado; Marx não falava da aliança operário-camponesa, morava num país com grande auge industrial; Lênin viu o mundo subdesenvolvido, viu aquele país onde 80% ou 90% era camponês, e embora tivesse uma força operária poderosa nas ferrovias e nalgumas industrias, Lênine viu com absoluta clareza  a necessidade da aliança operária camponesa, da qual ninguém tinha falado, todos tinham filosofado, mas não tinham falado ao respeito.  E num enorme país semi-feudal, semi-subdesenvolvido, é onde se produz a primeira revolução socialista, a primeira tentativa verdadeira de uma sociedade igualitária e justa; nenhuma das precedentes que foram escravistas, feudais, medievais, ou anti-feudais, burguesas, capitalistas, embora falassem muito em liberdade, igualdade e fraternidade, nenhum se propôs jamais uma sociedade justa.

 

Ao longo da história, o primeiro esforço humano sério tentando criar a primeira sociedade justa, começou há menos de 200 anos; em 1850 acho que se escreveu o Manifesto Comunista, e faltam 45 anos, sim, faltam 45 anos para completar 200 anos e pode apreciar-se após a evolução do pensamento revolucionário.

 

Com dogmatismo jamais se tivesse chegado a uma estratégia.  Lênine nos ensinou muito, porque Marx nos ensinou a compreender a sociedade; Lênine nos ensinou a compreender o Estado e o papel do Estado.

 

Todos esses fatores históricos influíram grandemente no pensamento revolucionário, e logicamente houve práticas abusivas e em ocasiões repugnantes.

 

Isso impulsionou a caluniosa imputação de que para o comunista “o fim justifica os meios.” Eu tenho pensado muito no papel da ética.  Qual é a ética de um revolucionário?  Qualquer pensamento revolucionário começa por um pouco de ética, por um pouco de valores que lhe inculcaram os pais, lhe inculcaram os mestres, ele não nasceu com essas idéias; da mesma maneira que não nasceu falando, alguém o ensinou a falar.  A influencia da família também é muito grande.

 

Quando nós estudamos os casos dos jovens que estão em prisão entre 20 e 30 anos de idade, vemos a procedência, níveis culturais dos pais, e tem influencia decisiva, de tal maneira que durante a batalha de idéias, nós, fazendo todo tipo de pesquisas sociais dessa índole, chegamos à conclusão de que o delito em Cuba estava estreitamente ligado ao nível cultural e ao status social dos pais; era incrível a baixíssima porcentagem de filhos de profissionais universitários e intelectuais que cometiam delitos.  Como também era incrível o número de aqueles que procediam de famílias humildes onde não existia essa base cultural.  Outro problema que influía muito: era a desintegração do núcleo numa família humilde de baixo nível cultural.  Alguns filhos não ficavam nem com o pai nem com a mãe, mas sim com uma tia, uma avô com dificuldades de saúde ou outros problemas, isto exercia uma notável  influencia no destino da criança.

 

Foi então quando usamos aquelas brigadas universitárias que visitavam os bairros mais pobres, ou um dia quando decidimos mobilizar 7 000 estudantes aos que depois entreguei a cada um, um diploma, os assinei no avião quando voltava de África, pelo caminho, ninguém sabe as horas intermináveis que fiquei assinando milhares de diplomas, pelo valor que lhe concedia a aquele trabalho.  Os que visitava em sua tarefa, e como apreendemos.  Havia que ver o que estava acontecendo ali na sociedade.  Queríamos saber muitas coisas e não as sabíamos: como viviam as pessoas.

 

Foi naquela ocasião que descobrimos que, por exemplo, uma mãe podia estar trabalhando, receber um salário, ter ao mesmo tempo um filho com retardo mental severo, em cama e com necessidade de atendimento o tempo todo, havia que fazer-lhe tudo.  Qualquer parente cuidava dele enquanto ela trabalhava.  Um dia esse parente ia embora ou morria e aquela mulher tinha que escolher entre o trabalho, do qual recebia a sua manutenção ou atender o filho.

 

Quero que saibam que naquela vez decidimos que qualquer mulher naquelas condições devia optar, segundo seu ofício, segundo as necessidades e importância de seu trabalho para a sociedade, por receber um salário para cuidar da criança, ou o Estado suportar o salário de alguém que cuidasse dessa criança, enquanto ela trabalhava.  Este é um exemplo entre muitos.

 

As brigadas de estudantes também ajudaram a salvar vidas de pessoas, por exemplo, pessoas que iam suicidar-se por enfermidade mental ou depressão por outra causa.  Como descobrimos coisas!  Havia não sei se 20 000 ou 30 000 pessoas de mais de 60 anos de idade que moravam sós e muitas delas não tinham nem uma campainha para avisar a alguém caso sofressem uma dor muito forte no peito ou qualquer outro problema dessa índole.  Essa era a sociedade.

 

Vimos as quantidades que recebia qualquer cidadão por pensão ou assistência social. Muitos dados não apareciam em nenhuma estatística, em nenhum recenseamento.  Íamos descobrindo, descobrindo e descobrindo coisas, e fazendo coisas, forjando idéias.  Chegamos a forjar mais de 100 programas sociais, muitos deles se estão cumprindo há muito tempo. Não temos divulgado o que foi feito.  Que dias gloriosos aqueles nos que, partindo fundamentalmente dos quadros da juventude e com o apoio do Partido e de todas as instituições, se desenvolveu aquela batalha de idéias ao redor do regresso da criança seqüestrada pelos Estados Unidos de América.

 

Ainda teremos que ficar gratos das circunstancias que aceleraram de tal maneira nosso conhecimento da sociedade e nosso aprendizado.  Acho que talvez hoje não estivéssemos fazendo o que estamos fazendo se tivéssemos vivido aquela experiência.

 

Criamos o primeiro curso de trabalhadores sociais.  Tivemos que saber quais eram os salários mínimos.  Quero que saibam que o acréscimo deste foi feito após percorrer todo o país, e a assistência social foi a terceira parte da que se estabeleceu neste ano, levando-a a 129 pesos a media.  Foi mais forte ainda o trabalho feito quando se elevaram as aposentadorias e pensões, quando a mínima se elevou até 150, a 190 a seguinte categoria e a 230 a subseqüente.  Também o salário mínimo se elevou grandemente.

 

Falávamos da importância do fator ético.  Haveria que investigar as razões da confusão.  Acho que aconteceram fatos históricos que influíram na idéia de que para um comunista o fim justificava os meios, acontecimentos internacionais difíceis de compreender –já os mencionei em mais de uma  ocasião-, apesar de todo o antecedente que constava da tentativa franco britânica, as duas grandes potencias coloniais, as maiores do mundo, de lançar Hitler contra a URSS. Acho que os planos imperialistas de lançar a Hitler contra a URSS jamais teriam justificado o pacto de Hitler com Stalin, foi duro.  Os partidos comunistas, que se caracterizavam pela disciplina, todos se viram obrigados a defender o Pacto Molotv-Ribbenntrop e a se desgastarem politicamente.

 

Antes desse pacto, a necessidade de juntar-se na luta antifascista levou a Cuba à aliança dos comunistas cubanos com Batista, e já Batista tinha reprimido a famosa greve de abril de 1934 que veio após do golpe de Batista contra o governo provisório de 1933, de inquestionável caráter revolucionário e fruto, em grande parte, da luta heróica do movimento operário e os comunistas cubanos.  Antes daquela aliança antifascista, Batista tinha assassinado não se sabe que quantidade de pessoas, tinha roubado não se sabe que quantidade de dinheiro, era um lacaio do imperialismo ianque; mas chagou a ordem de Moscovo: de organizar as fontes antifascistas.  A pactuar com o demônio. Aqui pactuaram com o ABC fascista e com Batista, um fascista de outro tipo, um criminoso e um saqueador do tesouro público.

 

São acontecimentos muito difíceis, mas aconteciam uns após outro, e os comunistas mais disciplinados do mundo, digo isto com sincero respeito, eram os partidos comunistas de América Latina e entre eles o Partido de Cuba do qual sempre tive e conservo um altíssimo conceito.

 

Hoje podemos falar do tema porque vamos marchando para novas e novas etapas.

 

Os militantes do Partido Comunista de Cuba eram os cidadãos mais disciplinados, mais honestos e mais sacrificados deste país, contribuíam ao Partido; os legisladores do Partido entregavam uma parte de sua receita, eram as pessoas mais honestas deste país, apesar da linha errada imposta por Stalin ao movimento internacional.  Como culpá-los.  Ponha-os no dilema de aceitar ou não algo, segundo minha opinião, absolutamente correto: a união de todos os comunistas.  “Proletários de todos os Uni-vos!”, ou romper abertamente, naquelas circunstancias, a disciplina.

 

E eu não sou daqueles que criticam às personagens históricas satanizadas pela reação mundial para agradar os burgueses e aos imperialistas; também não vou cometer a tolice de não me atrever a dizer algo que tenho o dever de dizer um dia como hoje.  Nós devemos ter o valor de reconhecer os nossos próprios erros precisamente por isso, porque só assim se atinge o objetivo que se pretende alcançar.  Pois, sim, se criou um tremendo vício de abuso de poder, de crueldade, e muito especialmente o hábito de impor autoridade de um país, de um partido hegemônico  ao resto dos países e partidos.

 

Há mais de 40 anos que mantemos relações com o movimento revolucionário de América Latina, e relações muito estreitas.  Jamais se nos ocorreu dizer a nenhum deles o que devia fazer.  Íamos descobrindo, ademais, a dedicação com que cada movimento revolucionário defende seus direitos e suas prerrogativas.

 

Lembro momentos cruciais, contarei aqui só uma pequena parte: quando a URSS se derrubou e ficou só, muita gente, entre elas nós, os revolucionários cubanos.  Mas nós sabíamos o que devíamos fazer, e o que devíamos fazer, quais eram nossas opções. Também estava o resto dos movimentos revolucionários em muitas partes travando sua luta.  Não direi quais, não vou dizer quem; mas se tratava de movimentos revolucionários muito sérios, nos perguntaram se negociavam ou não perante aquela situação desesperada, se continuavam lutando ou não, ou se negociavam com as forças contrarias procurando uma paz, quando nós sabíamos a que conduzia aquela paz.

 

Eu lhes dizia: “Vocês não nos podem pedir nossa opinião, são vocês os que iriam a lutar, são vocês os que morreriam, não somos nós. Nós sabemos o que faremos, e o que estamos dispostos a fazer; mas isso só pode ser decidido por vocês.”.  Ai estava a mais extrema manifestação de respeito ao resto dos movimentos e não a tentativa de impor baseados nos nossos conhecimentos e experiências e o enorme respeito que sentiam por nossa Revolução para saber o peso de nossos pontos de vista.  Naquele momento não podíamos pensar nas vantagens ou desvantagens para Cuba das decisões que tomaram: “Decidam Vocês”, e assim cada um deles, em momentos decisivos, decidiu sua linha.  Nós somos um pequeno país aqui no Caribe, a 90 milhas do império e a umas polegadas de sua base ilegal, mil vezes mais fraca do que era a URSS na época de seu pacto com Hitler, ou quando estava dando ordens aos líderes dos partidos comunistas.  Já na época da República de Weimar que surgiu na Alemanha após a primeira Guerra Mundial, a incrível crise econômica desencadeada produto do Pacto de Versalles imposto a aquele país pela Inglaterra, França e Estados Unidos de América, por um lado fortalecia ao movimento revolucionário e por outro às forças nacionalistas mais reacionárias.

 

Hitler triunfa eleitoralmente perante os partidos burgueses liberais e perante as forças comunistas combativas e revolucionárias; mas naquela situação foi mais forte o terrível ressentimento do povo alemão pelas condições leoninas estabelecidas pelos vencedores.  E assim é como Hitler chega ao poder. Este, num livro que escreveu, tinha declarado desenfadadamente seu objetivo de procurar espaço vital no território da URSS para a raça alemã, a custa dos russos, segundo sua opinião raça inferior. Tudo isso já estava escrito, e o movimento comunista se educou dentro das idéias e conceitos muito claros contra o nazi-fascismo.

 

Em nosso país, após a queda de tantos revolucionários, sendo os comunistas os mais cientes, os melhores militantes, a gente honrada, o partido marxista leninista foi norteado, no entanto, a aquela aliança com Batista, que tanto reprimiu aos estudantes e ao povo em geral.  Os jovens eram muito rebeldes a seu poder; os operários, que viam seus interesses defendidos continuamente pelos dirigentes comunistas, eram firmes e leais ao Partido; mas na juventude e em amplos setores populares havia muita rejeição justificada  a Batista.

 

Acho que a experiência do primeiro Estado Socialista, Estado que deveu compor-se e jamais destruir-se, tem sido muito amarga.  Não pensem que não temos pensado é muitas ocasiões nesse fenômeno incrível mediante o qual uma das mais poderosas potências do mundo, que conseguiu equiparar sua força com a outra superpotência, um país que pagou com a vida de mais de 20 milhões de cidadãos a luta contra o fascismo, um país que esmagou ao fascismo, desabou como se desabou.

 

Será que as Revoluções estão chamadas a se derrubarem, ou será que os homem podem fazer com que as revoluções se derrubem?. Os homens podem ou não impedir, a sociedade pode ou não pode impedir que as revoluções se derrubem?.  Até poderia acrescentar-lhes uma pergunta imediatamente.  Acham que este processo revolucionário, socialista, pode ou não derrubar-se?  (Exclamações de: “Não!”) Pensaram nisso alguma vez?   Pensaram-no com profundeza?

 

Sabiam de todas estas desigualdades que estou falando? Conheciam certos hábitos generalizados?  Sabiam que alguns ganhavam no mês quarenta ou cinqüenta vezes o que ganha um desses médicos que está lá nas montanhas da Guatemala, membro do contingente “Henry Reeve”? Pode estar noutros lugares distantes da África. Pode até estar a milhares de metros de altura, nas cordilheiras do Himalaia salvando vidas e ganha 5%, 10% do que ganha um ladrão destes que vende gasolina aos novos ricos, que desvia recursos dos portos em caminhões  e por toneladas,  que rouba nas lojas de divisa, que rouba num hotel cinco estrelas, talvez trocando a garrafa de rum por outra que procurou, a põe no lugar da outra e arrecada todas as divisas com as que vendeu os goles que podem sair da garrafa de um tipo de rum mais ou menos bom.

 

Quantas formas de roubo há neste país? Por que nos estados de opinião leio todos os dias que muitos perguntam, quando vão os trabalhadores sociais para as lojas de divisas, quando vão para as farmácias, quando vão para aqui ou para lá? Encheram-se de admiração e simpatias esses jovens trabalhadores sociais de origem muito humilde, e muito bem preparados.

 

Vi aqueles rostos, como posso ver estes, e os rostos dizem mais que qualquer artigo, dizem mais que qualquer livro, dizem mais que qualquer clichê.  Vocês conhecem muito bem que desde que esta civilização existe, desde que a propriedade privada existe, também surgiu a diferença de classes e que o mundo só conheceu a sociedade de classes, o resto é pré-histórico.

 

E como posso saber que vocês provêm de setores humildes?  Nenhum de vocês chegou à universidade porque era filho de um proprietário de importantes extensões de terra.

 

Cá estamos nós, me honraram colocando-me aqui.  Quem de vocês tem um pai que possua 1000 hectares, ou que trabalhe 10 000 hectares?  Não lhes vou perguntar a cada um de vocês, basta-me vê-los, se por acaso é filho de algum profissional, alguns de camadas médias.  Vocês aplaudiram muito bem porque eu seu de onde vocês vêm, e vocês também sabem que hoje não há ninguém para cortar a cana de açúcar.

 

E quem a cortava?

 

Também se pode explicar por que hoje já não talhamos mais a cana, não há quem a corte e as pesadas máquinas destroem os canaviais.  Os abusos do mundo desenvolvido e os subsídios levaram os preços do açúcar que foram, naquele mercado mundial, o preço do lixeiro de açúcar, enquanto que em Europa pagavam duas ou três vezes mais a seus agricultores.

 

Quando a URSS nos pagava o açúcar a 27 ou 28 centésimos e a pagava com petróleo, para eles o açúcar era mais barata pagada com petróleo, que o açúcar de beterraba produzida quase artesanalmente nos campos da URSS, um país no qual a economia crescia extensivamente, não intensivamente e, por tanto, a força de trabalho nunca bastava, a beterraba para fazer açúcar precisava de muita gente.

 

Mas vamos chegando –eu tenho chegado, e há muito tempo- a perguntar-me, face esse poderoso império que nos observa, nos ameaça, tem planos de transição e planos militares de ação, em determinado momento histórico.

 

Eles estão aguardando um fenômeno natural e absolutamente lógico, que é o falecimento de alguém. Neste caso me honraram consideravelmente ao pensar em mim será uma confissão do que não conseguiram fazer desde há muito tempo.

 

Se eu fosse um vaidoso, poderia ficar orgulhoso de que aqueles caras digam que têm que aguardar até que eu morra, e esse é o momento.  Aguardar que morra, todos os dias inventam alguma coisa, que sim Castro tem isto que se tem o outro, se tal o mais qual enfermidade.  A última coisa que inventaram é que tem Parkinson. 

 

Sim, eu tive uma queda muito grande, ainda estou reabilitando-me deste braço (assinala), e vai melhorando.  Agradeço muitíssimo as circunstancias em que se quebrou meu braço, porque me obrigou a ter ainda mais disciplina, mais trabalho, a dedicar mais tempo, a dedicar quase as 24 horas do dia a meu trabalho, se já eu estava dedicando-as durante o período especial, agora dedico cada segundo e luto mais do que nunca, ademais, me sinto, por sorte, melhor do que nunca, justo porque estou sendo mais disciplinado e faço mais exercícios (Aplausos).

 

Falaram em Parkinsonismo, e lembro que no dia seguinte da queda, tinham-me falado em fissuras, em plural, na parte superior do úmero, e quando fui escrever para informar o acontecido, me disseram: “Não, porque fissura em plural quer dizer fratura.” Naquela hora não tinha outra hipótese que dizer: “Escrevam fissura, que eu lhe explicarei ao povo, que não havia nenhuma fissura, mas sim que havia fissuras.” Inclusive o teria dito, porque sim, em qualquer circunstancia, não lhe tenho medo ao inimigo; achava que estava em plenas faculdades, que o problema era um acidente, não recebi golpes na cabeça, se tivesse recebido golpe na cabeça, com certeza agora não estaria aqui; entrei numa ambulância e vim para cá, onde, primeiro, me fizeram uma rótula nova com os oito fragmentos da anterior e o resto das coisas.  Aqueles que me mataram tantas vezes estariam quase felizes; mas sofreram desilusões mais desilusões, e me obrigaram a fazer um trabalho duro no que diz respeito à reabilitação, dia a dia para que a rótula funcione melhor ainda.  E, quem sabe: se derramaram dois litros de sangue no interior do ombro e a parte superior do braço, que não apareciam na imagem radiográfica.

 

Tenho envidado esforços, continuo a fazê-los, o que tenho aprendido é que até o último segundo estarei fazendo exercícios, não deixo de fazer nada, e tenho mais vontade que nunca para comer o que devo e não comer um grão a mais, do que não devo.

 

Agora dizem que a CIA descobriu que eu tenho Parkinson.  Esse caso é como aquele do cara que descobriu que eu era o homem mais rico do mundo.  Que engano colossal! É uma pequena conta que ainda esta pendente. A vocês lhes digo que não tenho falado disso porque nos últimos tempos não tive nenhum espaço livre na televisão: Posada Carriles por cá, o bandidismo por lá, milhões de coisas.  Mas esse assunto ainda fica pendente, perderam a luta, e o cara e todos os que o apoiaram vão passar um mau momento por ter cometido um erro tão grande, agora não sabem o que fazer,  talvez o único recursos que lhes resta seja retificar.  Disseram que tinha Parkinson.  É claro que quando a gente faz exercícios, o braço tem que ir fortalecendo-se músculo por músculo.  A quantas pessoas já tive que cumprimentar? Milhares, e alguns chegam e quase me arrancam o braço, e a gente não pode fazer a mesma coisa.  Tem que fazer como alguns, que quando tocam por essa parte que se esta curando, põem o ombro duro para que pensem que é fortíssimo e que é de ferro.  Cada vez que me cumprimentam faço isso. Esse aqui tem mais força do que esse outro (assinala para o braço direito).  O que é o que acham?

 

Mas a CIA tinha descoberto que eu tinha Parkinson. Bom, não tem importância se sofresse de Parkinson.  O Papa tinha Parkinson e ficou muitos anos percorrendo o mundo, tinha uma grande vontade, lhe fizeram atentados, e eu fiz assim: “Deixa ver como é que está meu Parkinson, deixa apontar (aponta fixamente com o dedo indicador) (aplausos e exclamações), e então eu digo: Essa é a direita”.

 

Sempre tive boa pontaria, foi uma sorte, e a tenho conservado, sem mirilha telescópica, não é?, logicamente.

 

Ao dia seguinte do acidente, me enviaram para um hospital, me tiraram de ali, me levaram para outro ponto, não protestei, mas a gente sabe tudo o que estão fazendo, porque comigo tiveram que debater a intervenção cirúrgica, e o que faziam com o joelho, e como o faziam; o que faziam com o braço, eu diz: coloquem anestesia local”, porque se na realidade não me sinto em condições de fazer qualquer coisa, chamo o Partido e digo: “Vejam bem, não me sinto em condições de fazer nada.” Por isso tenho criticado aos médicos, porque a gravidade de algumas coisas a reduziram um pouquinho.  Um dizia cirurgia, tudo bem;  outro reabilitação, expressei: “Tudo bem, a final eu não serei o lançador da próxima taça de beisebol, nem participarei nas olimpíadas”, disse:  Era mais perigoso submeter-se a uma intervenção cirúrgica, com pregos ortopédicos e isso tudo.  A uma pessoa de 20 ou 25 anos de idade têm que fazer-lhe isso; mas em fim, tinha que ser feito o correto, e se você pensa que não está em condições de cumprir com seu dever, deve dizer:  “Está acontecendo isto comigo, por favor, alguém que assuma o comando, eu não posso nestas circunstancias.”  Se vou morrer, morro, se não morro e recupero minhas faculdades, de todas as maneiras a gente já tem alguma experiência, certa autoridade e não ganha com a mentira e a desonra.  Tinha que preocupar-me por todas essas coisas naquele momento.

 

Uma vez disse que no dia em que morrer de verdade ninguém ia acreditar nisso, podia andar como o Mio Cid, que após a morte foi levado a cavalo ganhando batalhas.

 

Nunca devemos confiar no imperialismo, é traído e capaz de qualquer coisa: Torturas em Guantánamo, torturas nas prisões do Iraque, prisões de torturas em países ex-socialistas, usa fósforo vivo, e depois afirma: “É a mais inocente e legítima das armas.”  Em qualquer uma das circunstancias é devemos supor que você em meu caso disponha de uma arma e esteja em condições de usá-la.  Cumpro esse princípio.  Disponho de uma Browning, de 15 tiros.  Já atirei muito na minha vida.

 

A primeira coisa que eu quis verificar,  foi se meu braço tinha força para manipular essa arma que eu sempre usei.  Essa arma está ao lado da gente, a gente a tem.  Movimentei o carregador, a carreguei, botei o seguro, tirei o seguro, tirei o carregador, atirei as munições, e disse: Tranqüilo.  Isso foi ao dia seguinte.  Tinha forças para disparar.

 

Tomamos medidas, medidas previstas para que não exista surpresa, e o nosso povo deve saber com exatidão o quê fazer em cada caso.  Olhem bem, é preciso saber o quê fazer em cada caso.

 

Não vamos a descrever, não lhe vamos a contar a Bushezinho quê medidas temos. Se posso dizer-lhe: “Olhe, cavalheirinho, você vai estourar, caso não lhe dêem um pontapé por onde Deus salve o lugar e seja tirado daí por violar as leis dos Estados Unidos.”  Sim, todo o mundo esta rebelando-se contra ele, todo o mundo, todo o mundo e não encontram mais do que crimes, crimes, crimes, crimes e crimes.

 

É assim como estou dizendo as coisas, mas nesses planos, e sempre inventando.

 

Hoje eu não quero – e tomara que não tenha que fazê-lo - sugerir à CIA, que está investigando minha saúde e o grau de Parkinson que tenho sugerir várias investigações em torno do imperador. Acredito que não é preciso fazê-lo.

 

O meu objetivo não são as ofensas pessoais. Digo-lhes isto, porque refletem conceitos, refletem desprezo, refletem a idéia clara que temos da mediocridade, da estupidez e de muitas outras coisas; mas não quero referir-me a certos temas, temos muitíssimo  material, e podemos sugerir à CIA – que está muito zangada, certamente, porque foi ignorada, foi humilhada – algumas investigações sobre a saúde do imperador. Claro, a CIA também não disse nada sobre como foi que entrou Posada Carriles nos Estados Unidos. Ninguém, ninguém, ninguém!

 

Eu fiz uma pergunta para vocês, companheiros estudantes, que não esqueci, nem sequer, e pretendo que vocês não a esqueçam nunca, e é a pergunta que faço diante das experiências históricas conhecidas e peço-lhes a todos, sem exceção, que reflitam: Pode ser ou não irreversível um processo revolucionário? Quais seriam as idéias ou o grau de consciência que tornariam impossível a reversão de um processo revolucionário? Quando os que foram dos primeiros, os veteranos morram e surjam novas gerações de líderes, o quê fazer e como fazê-lo? Se, nós afinal de contas, temos sido testemunhas de muitos erros, e nem nos damos conta disso.

 

O poder que tem uma liderança quando goza da confiança do povo, quando confiam na sua capacidade. São terríveis as conseqüências de um erro daqueles que têm maior autoridade, e isso aconteceu em mais de uma ocasião nos processos revolucionários.

 

São coisas que a gente medita. Estuda a história, o quê aconteceu aqui, o quê aconteceu lá, o quê aconteceu lá, medita sobre o que aconteceu hoje e sobre o quê acontecerá amanhã, para onde conduzem os processos de cada país, para onde vai o nosso, como marchará o nosso, que papel desempenhará Cuba nesse processo.

 

O país tem tido limitações de recursos, muitíssimas; mas este país não fez mais do que esbanjar recursos, tranquilamente, e daí para frente, enquanto vocês recebiam um pequeno sabonete inodoro e creme de dentes para que se escovassem os dentes disciplinadamente, a cada mês, não sei quanto, embora que em algumas escolas descuidassem o atendimento a determinadas atividades que provocaram, por exemplo, a excelentíssima dentadura de nossos jovens, e existiram descuidos desse tipo. Houve pessoas que acreditaram que com métodos capitalistas iam construir o socialismo. É um dos grandes erros históricos. Não quero falar disso, não quero teorizar; mas tenho muitos exemplos de que não se deu certo em muitas coisas que foram feitas, aqueles que se consideravam teóricos que tinham estudado em profundidade os livros de Marx, Engels, Lênine e os outros teóricos.

 

Foi por essa razão que eu disse aquela palavra de que um dos nossos maiores erros no começo, e muitas vezes ao longo da Revolução, foi acreditar que alguém sabia como se construía o socialismo.

 

Em minha opinião, hoje temos idéias bastante claras sobre como se deve construir o socialismo, mas precisamos de muitas idéias bem claras e de muitas perguntas encaminhadas a vocês que são os responsáveis sobre como é possível preservar ou será preservado o socialismo no futuro.

 

Qual sociedade seria esta, ou que digna de alegria quando nos reunimos em um lugar como este, um dia como este, se não soubéssemos o mínimo do que se deve saber para que nesta ilha histórica, este povo heróico, este povo que escreveu páginas não escritas por nenhum outro povo na história da humanidade preserve a Revolução? Vocês não pensem que quem lhes fala é um vaidoso, um charlatão, alguém que gosta do bluff.

 

Transcorreram 46 anos e a história deste país é conhecida, os habitantes deste país a conhecem; a daquele império vizinho também, o seu tamanho, seu poder, sua força, sua riqueza, sua tecnologia, seu domínio sobre o Banco Mundial, seu domínio sobre o Fundo Monetário, seu domínio sobre as finanças mundiais, esse país que tem-nos imposto o mais brutal e incrível bloqueio, sobre o qual se falou lá nas Nações Unidas e Cuba recebeu o apóio de 182 países que passaram e votaram livremente ultrapassando os riscos de votar abertamente contra esse império. E isso foi conseguido pela ilha, e não precisamente contando com o apóio do campo socialista da Europa, quando esse campo socialista desapareceu e quando a URSS também se derrubou. Não apenas fizemos esta Revolução com o nosso próprio risco durante muitos anos, em determinado momento, tínhamos a certeza de que jamais se fossemos atacados direitamente pelos Estados Unidos lutariam por nós, nem podíamos pedi-lo.

 

Com o desenvolvimento das tecnologias modernas era ingênuo pensar ou pedir ou esperar que aquela potência lutara contra a outra, se intervinha nesta pequena ilha que está aqui a 90 milhas, tivemos a certeza total de que nunca receberíamos esse apóio. Ainda mais: um dia lhes perguntamos isso direitamente vários anos antes do seu desaparecimento: “Digam-no-lo francamente: “Não.” Responderam o que já sabíamos que íamos a responder, e então, mais do que nunca, aceleramos o desenvolvimento da nossa concepção e aperfeiçoamos as idéias tácticas e estratégicas com as que triunfou esta Revolução e venceu, com uma força que inicia a sua luta com sete homens armados contra um inimigo que dispunha 80 000 homens entre marinheiros, soldados, policiais, etc, tanques, aviões, todo tipo de armas modernas que naquela época podia-se possuir, era infinita a diferença entre nossas armas e as armas que tinha aquela força armada treinada pelos Estados Unidos, apoiada pelos Estados Unidos e fornecida pelos Estados Unidos. Mais do que nunca, após essa resposta, nos arraigamos em nossas concepções, as aprofundamos e nos fortalecimos a um nível tal que nos permite afirmar hoje que este país é invulnerável militarmente e não em virtude das armas.

 

A eles lhes sobram todos os tanques, e a nós não nos sobra nenhum, nenhum! Toda a sua tecnologia se derruba, é gelo ao meio dia no centro de um parque caloroso. E mais uma vez, como quando tínhamos sete pequenos fuzis e poucas balas.  Hoje temos muito mais do que sete fuzis, temos todo um povo que aprendeu a utilizar as armas, todo um povo que, apesar de nossos erros, tem tal nível de cultura, de conhecimento e de consciência que nunca permitiria que este país se tornasse novamente em uma colônia deles.

 

Este país pode-se autodestruir-se a si mesmo; esta Revolução pode destruir-se, são eles os que hoje não podem destruí-la; nós sim, nós podemos destruí-la e seria a nossa culpa.

 

Tenho o privilégio de viver muitos anos, isso não é um mérito, mas é uma excepcional oportunidade para dizer-lhes a vocês, a todos os líderes da juventude, a todos os líderes das organizações de massa, a todos os líderes do movimento operários, dos Comitês de Defesa da Revolução, das mulheres, dos camponeses, dos combatentes da Revolução organizados em todas as partes, lutadores durante anos que em cifra de centenas de milhar cumpriram gloriosas missões internacionalistas, estudantes como vocês, inteligentes, preparados, saudáveis, organizados, que estão em todas as partes, em cada uma dessas novecentas e tal sedes, nas mil e tal, nas duas mil e tal que vamos ter aceleradamente e continuará crescendo até mais de 500 000, 600 000 e não será muito maior porque irão formando-se muitos anualmente. E os que vão formando-se, como os nossos médicos lá na Venezuela, todos estarão estudando com os computadores, os vídeos, os meios audiovisuais necessários, na procura de um título científico, um mestrado ou um doutorado em ciências médicas, todos, cem por cento.

 

Hoje se pode falar de tantas dezenas de milhares de especialistas em medicina geral integral e amanhã, embora não queiramos, haverá que falar de dezenas de milhares de títulos ou de mestrados e doutorados em ciências médicas, por apenas citar um ramo. Não devemos esquecer que um dia tivemos 3 000 e não tínhamos professores universitários, e desta mesma universidade foram embora muitos e hoje se fala de que em poucos anos serão 100 000 médicos, e quando precisemos 150 000 os teremos, e haverá alguns que serão professores universitários como teremos dezenas de milhares de programadores e desenhadores de programas e pesquisadores, em muitas e várias mudanças temos que saber muitas cosas ao mesmo tempo, muitas mais do que os diversos títulos que consigamos.

 

Agora eu lhes falava sobre uma batalha, perguntei quanto custava. Não pensem que estes jovens vão suar e perder o tempo, os 28 000 trabalhadores sociais, já lhes exprimi como foi que me percebi de que pertenciam ao setor mais humilde deste país, eu o via nos seus rostos, involuntariamente foi-se desenvolvendo o hábito de adivinhar até a província de origem dos compatriotas. Eu já disse brincando e digo-o aos médicos que marcham a cumprir missão, aos trabalhadores sociais, que cada um deles pertence a uma microtribo. Conheço aos que são de Manzanillo, por exemplo, os de Havana, os de Guantánamo, os de Santiago; é impressionante ver os mais humildes setores sociais deste país convertidos em 28 000 trabalhadores sociais e centenas de milhar de estudantes universitários, universitários! Vejam que força! E em breve veremos também em ação a aqueles que formamos há pouco tempo na cidade esportiva.

 

A cidade esportiva nos ensina sobre o marxismo-leninismo; ensina-nos sobre as classes sociais; a cidade esportiva reuniu há pouco tempo aproximadamente a 15 000 médicos e estudantes de medicina e a alguns da ELAM, e outros que vieram inclusive de Timor Leste para estudar medicina, nunca poderá se esquecer. Não acredito que se trate de um sentimento pessoal de qualquer de nós.

 

Nunca esta sociedade esquecerá essas imagens das 15 000 batas brancas que ali se reuniram no dia em que se formaram os estudantes de medicina, no dia em que foi criado o contingente “Henry Reeve”, que já em um número considerável enviou suas forças para os lugares onde aconteceram fenômenos excepcionais em um tempo muito mais breve do que imaginávamos.

 

Pouco tempo depois formamos àqueles jovens instrutores de arte, mais de 3 000, era a segunda vez, após aquela primeira formatura em Santa Clara. Já são 3 000 novos, já estão atuando; também estão atuando os outros 3 000 que cursam o último ano. Assim vão-se multiplicar e um dia reuniremos pelo menos, a metade dos trabalhadores sociais que hoje estão desenvolvendo uma das tarefas mais importantes que realizara nunca um grupo de jovens, um grupo de especialistas no trabalho social, unido a uma força de jovens estudantes universitários, porque são, pela sua vez, a mesma coisa.

 

O que poderá resultar do trabalho desses jovens? Vamos pôr fim a muitos vícios desse tipo: muito roubo, muitos desvios e muitas fontes de fornecimento de dinheiro dos novos ricos.

 

Pensará alguém que vamos confiscar o dinheiro? Não, o dinheiro é sagrado; toda pessoa que tenha o seu dinheiro num banco, é intocável.

 

Vejam algo novo, vai travar-se um combate contra uma série de vícios, roubos, desvios, um por um, numa ordem que ninguém sabe. O suspeitavam? É muito bom!

 

Mas que nível de arraigo tem determinados vícios. Começamos por Pinar del Rio para ver o que acontecia com os postos de gasolina que vendem combustível em divisas. Logo descobrimos que o que se roubava era tanto como a receita. Roubavam quase a metade e nalguns outros lugares mais da metade.

 

Bom, o quê acontece em Havana? Mudarão? Que nada!, tranqüilos e felizes. Talvez pensassem que esses trabalhadores sociais erão bobos, meninas e meninos. Porque o curioso é que 72% dos trabalhadores sociais são mulheres –não sei se alguma vez aconteceu algo semelhante-, como também os médicos que estão dando glória a este  país, dando-lhe enorme prestígio e abrindo vias  para que o país utilize o seu capital humano, que vale muito mais do que o petróleo. Repito, vale muito mais do que o petróleo ou o ouro. Qualquer país que tenha petróleo, diz: “Ouça, que sorte, tenho este recurso natural que está esgotando-se!”  Nós também, e vamos incrementar a produção de petróleo, sem dúvidas. É uma sorte não tê-lo encontrado antes para não tê-lo esbanjado.

 

O capital humano não é um produto renovável; é renovável, mas, além disso, multiplicável.  A cada ano o capital humano cresce e cresce, recebe o que no meu tempo chamavam de juro composto: soma o que vale e recebe juros pelo que valia e o que ganhou pelo que valia, aos cinco anos é muito mais capital, e aos cem anos é nem sequer é possível imaginar-se.

 

Permitam-me dizer-lhes que hoje praticamente o capital humano é, ou avança aceleradamente para tornar-se o mais importante recurso do país, ultrapassando inclusive a o resto todos juntos. Não estou exagerando.

 

Eu perguntava quanto custava, qual era o custo econômico de todas as nossas universidades.

 

Apenas com as novas receitas arrecadadas pelas garagens – e, sem dúvidas, eles não estarão ai o tempo todo, não se imaginem – em três meses, a partir de agora; e se o ano próximo vocês forem mais outro 50%, arrecadariam o necessário em quatro meses. Isso por si só, obrigando os novos ricos a pagarem o combustível que consumem, poderiam pagar anualmente não menos de quatro vezes o que custam os 600 000 estudantes universitários e os seus professores. Mais vale pouco do que nada, não é?

 

Vocês sabem o que é “ñapa”?, os santiagueros o sabem. Quando alguém comprava algo no mercado recebia como prêmio um doce à base de amêndoas, coco e mel ou algo semelhante. Essa era a “ñapita”. Os trabalhadores sociais pagam isso com uma “ñapita” do que arrecadem.

 

Chegaram a Havana e de repente em Havana começam a arrecadar o dobro. E os que estavam não arrecadavam mais? Não, tiveram que chegar os trabalhadores sociais lá. Eu disse: “Será possível que não escarmentem e se auto-corrijam?”.

 

No fim vão-se auto-corrigir os que não queiram entender, mas de outro jeito; sim, vão-se sujar com o seu próprio lixo. Não querem compreender.

 

O que acontecia nesse momento em Matanzas e na província Havana? A arrecadação aumentou apenas um pouquinho, 12%, 15%, 20%, mas o comportamento era semelhante que em Pinar del Rio e na capital antes de serem controlados.

 

Na província Havana muitos aprenderam a roubar como loucos.

 

Hoje os trabalhadores sociais estão nas refinarias, hoje os trabalhadores sociais vão num caminhão-cisterna de 20 000 ou 30 000 litros e vão vendo, mais ou menos, por   onde é que vai, e qual deles se desvia da rota.

 

Por ai descobrimos postos de gasolina privados, alimentados com o combustível dos motoristas destes caminhões-cisterna.

 

Algo que é conhecido é que muitos dos caminhões do Estado vão por um lado ou por outro e sempre alguém aproveita a ocasião para visitar um parente, um amigo, uma família ou a namorada.

 

Lembro aquela vez, há vários anos antes do chamado período especial que vi rápido pela Quinta Avenida uma suntuosa carregadeira frontal Volvo quase acabado de comprar, que naquela época custavam 50 000 ou 60 000 dólares. Senti curiosidade de saber para onde é que ia a aquela velocidade e pedi ao escolta: “Espera, pergunta-lhe para onde vai, que te fale francamente.” E confessou que ia visitar à namorada com aquele Volvo, que corria a toda velocidade pela Quinta Avenida.

 

Vereis coisas, Mio Cid – dizem que alguém disse lá, seria Cervantes-, que farão falar às pedras.

 

Pois coisas como essas aconteceram. E, geralmente, o sabemos tudo, e muitos disseram: “A Revolução não pode; não, isto é impossível; não, ninguém pode solucionar isto.” Sim, isto vai solucioná-lo o povo, isto vai solucioná-lo  a Revolução e de que maneira. É apenas uma questão de ética? Sim, é, antes de mais, uma questão de ética; mas, além disso, é uma questão econômica vital.

 

Este é um dos povos mais esbanjadores de energia combustível do mundo. Aqui ficou demonstrado, e vocês com toda a honradez o disseram, e é muito importante. Ninguém sabe quanto custa a eletricidade, ninguém sabe quanto custa a gasolina, ninguém sabe o valor que tem no mercado. Ia dizer-lhes que é muito triste quando uma tonelada de petróleo pode custar 400 e de gasolina 500, 600, 700 e por vezes chegou a atingir 1000, e é um produto cujo preço não vai diminuir, alguns apenas circunstancialmente e não por muito tempo, porque o produto físico se esgota; simplesmente se esgota, como um dia vão esgotar-se muitos minerais.

 

Nós vemos as nossas minas de níquel, que vão deixando o buraco onde houve muito níquel. Isso também está acontecendo com o petróleo, as grandes jazidas já apareceram e cada vez são menos. Esse é um tema sobre o qual pensamos muito.

 

Sabem, por exemplo, um caminhão marca Zil-130 quantos quilômetros caminha por um litro? 1,6 quilômetros e transporta cana ou reparte a merenda dos estudantes do ensino secundário. Quando lhe perguntaram ao Ministério do Açúcar: Vamos ver, quantos caminhões te sobram para ajudar ao Ministério da Indústria Alimentar a distribuir a merenda gratuita do ensino secundário, que já alcança 400 000 estudantes, o iogurte que devem receber ou o pão? É claro, que dos caminhões que lhes sobravam lhe deram os de gasolina, os que mais consumiam.

 

Se você troca esse caminhão Zil de 1,6 litros por outro que tenha, em primeiro lugar, o tamanho adequado, por vezes está substituindo uma caminhonete de duas toneladas e ele é de cinco, por vezes até uma caminhonete de 1,2 toneladas. Isto começamos vê-lo  em uma discussão com a empresa da indústria elétrica, colocaram o problemas de seus caminhões para reparar as redes elétricas e disseram: “Temos que mudar 400 equipamentos soviéticos que consumem muita gasolina, consumimos tanto e tanto.” Começamos a estudar cada caso, quanto consumiam, com que deviam ser substituídos. Tivemos que discutir bastante, não pensem que os diretores de nossas empresas têm o hábito da disciplina. E não todos podem ser muito felizes, lhes advirto, e os advirto a eles também, porque esta vai ser uma luta dura. Até hoje ninguém tem protestado, mas existiam, se não me engano aproximadamente 3 000 entidades que operavam divisas convertíveis e decidiam com bastante amplitude as despesas em divisas convertíveis de seus lucros, se compro isto ou aquilo, se pintar, se comprar melhor um carrinho e não continuo com o carrinho velho que temos. Nós compreendemos que nas condições deste país essa situação devia ser ultrapassada e realizamos uma reunião com as principais empresas e aquela situação começou a mudar.

 

Se você estivesse em uma guerra e tem muitas balas não lhe importa se os fuzis disparam bem ou não; se tiver poucas balas, isso era o que sempre nos acontecia, devíamos conhecer as balas de cada fuzil e até as marcas das balas, embora que fossem do mesmo calibre, porque algumas funcionavam melhor com determinados fuzis, outras os estragavam e por vezes para poupar tínhamos que proibir que disparassem, dispare apenas se quiser tomar a trincheira. Assim estávamos nós.

 

Os bancos, nós temos excelentes instituições bancárias. Hoje são alocados recursos para todas as despesas do país, são administrados pelos bancos, o entregam de acordo com o programa estabelecido e nenhum diretor vai almoçar com o representante de uma poderosa empresa e nunca é convidado a um restaurante, nem é convidado a viajar para Europa para alojá-los na residência do dono ou num hotel de luxo; porque, afinal de contas, alguns de nossos funcionários eram compradores de milhões, e compradores de milhões por uma parte, e a arte de corromper que tem muitos capitalistas, mais sutis que uma serpente e por vezes piores que os ratos, anestesiam na mesma medida em que vão mordendo e são capazes de arrancar a uma pessoa um pedaço de carne em plena noite, dessa forma iam adormecendo à Revolução e arrancando-lhe a carne. Não poucos evidenciavam sua corrupção, e muitos o sabiam ou o suspeitavam, porque viam o nível de vida e, em ocasiões, por tonteiras este mudou o carrinho, o pintou, lhe colocou isto ou lhe colocou umas faixinhas bonitinhas porque se tornou vaidoso; isso já o ouvimos vinte vezes aqui, lá e é preciso tomar medidas aqui ou lá; mas isso não se resolvia facilmente.

 

Assim que há desvio de recurso nos postos de gasolina. Aqui há determinadas faculdades para fornecer combustível porque aquele cavalheiro, que pode ser muito amigo meu, está empregando o seu carro de uma maneira muito útil e, por tanto, lhe entrego uma quantidade de combustível. Essa é uma das mil formas, há dezenas de formas de esbanjar ou desviar recursos, e se os controles estabelecidos não são exercidos ou senão descobrimos a verdadeira maneira de acabar com isso, continua e se repete.    

 

Agora, neste país pode-se poupar mais energia, inclusive, que em outros, porque este país tem 2 400 000 geladeiras antiquadas na área dos núcleos familiares, que consumem quatro ou cinco vezes mais eletricidade por hora, e esse consumo fazem-no durante 24 horas.

 

Um pequeno dado, para que não o esqueçam. Pinar del Rio tem 143 000 geladeiras, deles aproximadamente 136 000 são marca INPUD, Minsk e outras antigas marcas soviéticas, Frigidaire e outras marcas capitalistas, consomem, calculo eu, pelo menos, aproximadamente 20% - eu utilizo outra cifra, perante vocês vou usar esta ainda mais conservadora – da eletricidade que as termelétricas produzem para Pinar del Rio nas horas de maior demanda elétrica.

 

Antes lhes falei sobre um caminhão marca Zil, como esse há milhares, muitos milhares. Há piores coisas, muitos organismos têm seus caminhões parados e não foram desativados, e por outro lado, a administração central acostumou-se, de certa forma, a negociar com os ministérios. A administração central do Estado não tem que negociar com nenhum ministro, tem que dar-lhes ordens aos ministros: Quantos caminhões tem o ministério? ”Tenho tantos ou tantos caminhões”. Analisar em profundidade os problemas e tomar decisões.

 

Quando a indústria canavieira, que antes produzia oito milhões de toneladas e hoje apenas consegue um milhão e meio, porque tivemos que suspender definitivamente a preparação das terras e a semeia quando o combustível já atingiu 40 dólares por tonelada e era a ruína do país, sobretudo, quando isso acontecia unido a furacões cada vez mais freqüentes , ou secas mais prolongadas e porque o campo de cana apenas durava quatro ou cinco anos, antes eram 15 anos ou mais, e quando o preço do mercado mundial era de sete centavos, lembro inclusive o dia que fiz uma pergunta sobre o preço do açúcar e outra sobre a produção no final de março a uma empresa comercializadora de açúcar e não sabiam nem sequer o açúcar que estavam produzindo mensalmente e ao perguntar o custo em divisas de uma tonelada de açúcar ninguém o sabia, se soube apenas aproximadamente um mês e meio depois.

 

Houve simplesmente que fechar as usinas açucareiras ou íamos para a Fossa de Bartlett. O país tinha muitos economistas, muitos, muitos e não tento criticá-los, mas com a mesma honestidade que falo sobre os erros da Revolução posso perguntar-lhes por que não descobrimos que a manutenção daquela produção, quando havia tempo que a URSS se derrubou, o preço do petróleo era de 40 dólares por tonelada e o preço do açúcar estava muito baixo, por que não se racionalizava aquela indústria e por que era preciso semear 20 000 (1 caballeria = 13,6 hectares) esse “caballerias” ano, quer dizer, quase 270 000 hectares para o qual é preciso lavrar a terra com tratores e charrúas pesadas, semear uma plantação de cana que depois é necessário limpar com máquinas, fertilizar com custosos erbicidas, etc., etc, etc. Nenhum economista dos que o país tem, pelo visto, percebeu isso e simplesmente houve que dar uma instrução, quase uma ordem para deter aquelas preparações da terra. É como se lhe dizem: “O país está sendo invadido”, você não pode dizer: “Espere-se, que vou reunir-me trinta vezes com centenas de pessoas”. É como se durante a invasão da Bahia dos Porcos tivéssemos dito: “Vamos realizar uma reunião e discutir três dias as previdências que tomaremos contra os invasores.” Posso assegurar-lhes que a Revolução tem sido ao longo de sua história uma verdadeira guerra e constantemente o inimigo vigiando, o inimigo disposto a bater e batendo quantas vezes lhe demos uma oportunidade.

 

Na verdade, eu falei com o ministro e lhe perguntei: “Olha, por favor, quantos hectares tem lavradas?” Responde: “Oitenta mil.” Lhe digo: “Não lavres nenhum hectare mais.” Não era o meu papel, mais não tive outra alternativa, você não pode deixar que o país seja afundado e em abril o país estava lavrando 20 000   

( “caballerias”).

 

Temos feito coisas assim, coisas que fariam com que as pedras falassem. Vocês não são culpados; mas o que estava nos acontecendo? Por que não o percebíamos? Que coisas más estávamos fazendo? O que devíamos retificar? Havia muito tempo que a URSS tinha-se derrubado, ficamos sem combustível do dia para a noite, sem matérias-primas, sem alimentos, sem produtos para a higiene pessoal, sem nada. Talvez fosse preciso que acontecesse o que aconteceu, talvez foi necessário que sofrêssemos o que sofremos, dispostos, como estávamos a dar a vida cem vezes antes de entregar a Pátria, antes de entregar a Revolução, a Revolução na qual acreditávamos.

 

Talvez foi necessário porque temos cometido muitos erros, e são os erros que estamos tentando retificar, se quiserem,  que estamos retificando.

 

Uma das grandes retificações que fizeram o Partido e o Governo foi essa de pôr fim à prerrogativa de 3 000 cidadãos de administrar as divisas do país, se contraiam dívidas –podiam contrair uma dívida de tal ou qual volume –ninguém tinha a certeza se era possível pagá-la ou não; quando chegava o momento de pagá-la, porque podia ser um investimento desnecessário ou disparatado, ou subjetivo, o Estado tinha que pagá-la, e se o Estado não a pagava o seu crédito se afetava muito.

 

Hoje não acontece assim, desejo exprimir-lhes que o país está pagando até o último centavo, sem retrasar-se um segundo e o seu crédito cresce, cresce e cresce. O dinheiro já não se esbanja; o esbanjamos, mas não em colossais disparates como o da indústria canavieira.

 

Chamaria mais a atenção se lhes digo que, segundo os inventários, esse ministério tem de 2 000 a 3 000 caminhões mais que os que tinha quando produzia 8 milhões de toneladas de açúcar. É difícil, mas o digo e o digo e não se sabe as vezes que deva dizê-lo e as críticas que faça publicamente, porque não tenho medo de assumir as responsabilidades que tenha que assumir, não podemos atuar com fraquezas. Que me ataquem, que me critiquem, eu sei como são as coisas, o sei muito bem. Tem que haver muitas pessoas magoadinhas: reis, zares, imperadores.

 

Todos são assim? Não! Todos os nossos ministros são assim? Não! Alguns de nossos ministros foram deficientes e deficientes de mais em seu desempenho. Por vezes temos sido fracos com funcionários que ocupam importantes cargos, mas eu tenho um velho hábito de muito tempo: costumo trabalhar com aqueles companheiros que tinham cometido erros, tenho-o feito muitas vezes ao longo da minha vida, enquanto veja qualidades neles e o que falta é a orientação correta ou muitas vezes sofrem cegueira, apesar de todos os mecanismos e instituições que tem o país para defender-se para lutar, para combater honradamente, sem abusos de poder. Olhem bem: sem abuso de poder!, nada justificaria jamais que algum de nós tentara abusar do poder. Sim, devemos atrever-nos, devemos ter coragem de dizer as verdades, e não todas, porque você não está obrigado a dizê-las todas de uma vez, as batalhas políticas tem a sua táctica, a informação adequada, seguem também o seu caminho. Eu não lhes digo tudo, eu vou dizendo-lhes aquilo que é indispensável. Não importa o que digam os bandidos e as notícias que cheguem amanhã ou depois de amanhã, ri melhor quem ri por último.

 

Por ai há uns cabograminhas dizendo coisas: que Castro lançou uma ofensiva, que Castro lançou os trabalhadores sociais, que estamos renunciando aos avanços progressistas conseguidos. O avanço progressista é que vendam uma libra de arroz a quatro pesos, que enganem o cidadão. Que aposentado pode comprar isso? Um aposentado, por um lado, 80 pesos, cinco librinhas de arroz na caderneta de racionamento. Havana não, era privilegiada, tinha seis, a Havana recebeu mais uma libra adicional e Santiago também recebeu uma, o resto das províncias receberam cinco libras. É preciso medi-las onça por onça, 100 gramas, como cresce, o que acontece com a caderneta de racionamento, a pessoa que tem açúcar a troca por arroz, e aquele ao qual lhe sobra uma coisa ou outra.

 

Hoje todo o país recebe mais duas libras de arroz. Gostaria de ver o momento em que esse produto satisfaça as nossas necessidades. Já não está tão longe, longe, longe, salvo se o utilizarem como razão animal para frangos. Bom, já isso é outra coisa. Nos aproximamos ao momento em que o arroz satisfaça as necessidades. Também vamos criando condições para que a caderneta de racionamento desapareça. Vamos criando condições para que algo que resultou indispensável em umas condições, e que agora atrapalha, mude. E se você quer comprar mais arroz, compra mais arroz e menos açúcar ou mais quantidade de uma coisa ou da outra, e não apenas feijão preto este ou feijão vermelho ou outro. Não, para comprar se quiser vermelho, preto, ervilhas, lentilha, fava, feijão branco e os saiba cozinhar. Advirto-lhes, vão ter que prestar atenção à cozinha, com certeza, em breve.

 

Assim também alguns falavam sobre o “chocolatinho”: “Eu acreditarei nisso quando o veja.” Assim também aconteceu com a panela de pressão, pois agora há milhões de pessoas que acreditam nisso. Outros diziam sobre o “chocolatinho”: “Como é? Quanto custa?” “Oito pesos”. “Para ser racionado está caro”!” Moral: Todo produto racionado tem que ser a preços muitos baixos como a eletricidade. “para ser racionado, quanto custa?” Ah!, oito pesos.” Quantos centavos em dólares, ao câmbio, depois da revalorização? Trinta e dois centavos. O que é que tem? Ah, tem 200 gramas; cada 11 gramas, sete são de leitelho ou leite magro em pó, aqueles que não acreditavam nisso que o averigúem, que o levem a um laboratório e o examinem; quatro gramas de cacau, que é muito forte, é tão forte quanto saudável, e já Cuba é hoje, possivelmente, o país com mais alto consumo de cacau per capitã, a criança consume o seu, mais o pai também o consume, do mesmo jeito que o pai também consume o café do filho, visto que a criança nasceu e está inscrita, então é preciso dar-lhe um pacotinho de café, com café de verdade, a cinco pesos. “Para ser racionado, está caro!” O mais que pode dizer-se é: Está muito menos subsidiado.

 

O caminho para conseguir o que dizia: que o trabalhador receba mais, e que toda pessoa que trabalhe receba mais, e que todo aposentado receba mais, não é esse; acontece que nós falamos de ter mais receitas e mais produtos.

 

Ai há dois, não são mus e alguns estão descobrindo o chocolate. Sei que os médicos lá na cordilheira de Cachemira todas as noites tomam “chocolatinho”, esse pacotinho que para ser racionado está caro e lhes podem acrescentar o leite. Se quiserem, ao “chocolatinho” da criança podem acrescentar mais, lhe acrescentam a água, ou acrescentam leite, e tem proteína.

 

Posso-lhes assegurar que medimos todas as proteínas que tem cada um desses grãos de feijão e cada ovo. Uma boa parte do país recebia cinco, em Havana recebiam oito. Hoje há mais de 100 municípios que recebem 10  e cada um dos novos recebeu um aumento. Sim, se somados: 5 vezes 9 são 45, mais 5 vezes 15 centavos são 75, significa que com 5,25 centavos podem comprar-se 10 ovos, e aquele que menos recebeu, daquelas pessoas que receberam os benefícios da previdência social, recebeu 50 pesos; o que menos recebeu pode comprar 5 novos ovos por 4,50. Correto.

 

Ah!, mas, depois apareceu o “chocolatinho”  que são 8 pesos, ou o “cafezinho” que são  5  pesos e somando 8 são, 13 e  13 mais somando 5,25 são 18,25.

 

Bom, é que há mais duas libras de arroz, e essas duas custam 90 centavos de peso cada uma delas, digamos , algo menos de quatro centavos de dólar. Sim, é nova, o país tem que gastar 40 milhões de dólares por conceito de essas outras duas libras de arroz e não duvidou em gastá-los. Quem recebeu o aumento de 50 pesos já começa a ter um pouquinho menos, mas já estamos pensando quanto aumentar de imediato ao aposentado para que comprem isso e outras coisas, e que o dinheiro esteja garantido antes de distribuí-lo. A questão não é imprimir notas e distribuí-las sem terem equivalente em mercadorias ou serviços, porque então aqueles ilustres intermediários vão cobrar 5 pesos pelo o arroz ou qualquer outra coisa e não 3. Não esqueçam que são piratas que podem cobrar o que quiserem. Se quiserem poderiam dizer: Me pagam a libra de feijão a 8 pesos.

 

Quero dizer que todos aqueles que no país eram 5 milhões-recebiam 10 onzas de feijão, já estão recebendo 20, e todos os que recebiam  20 já estão recebendo 30 quer dizer, que a quantidade de feijão ou grãos foi triplicada, salvo o arroz e o milho.  Cinco milhões, três vezes mais e o resto 50% mais. Isso custou algumas dezenas de milhões de dólares.

 

Não quis vós perguntar de onde é que saem ou como podem sair, porque o discutem os teóricos: “Isto é pouco”- Ideal seria o triplo. E de onde? Cavalheirinho, me quer dizer de onde é que saem, a quem é necessário assaltar ou zombamos de vocês dando muito mais do que isso para não resultar  enganado?

 

 

Há algumas perguntinhas que devemos fazer aos tolos, porque nem toda pessoa que opina é tola, porém há muitas tolices devido à ignorância: isto é caro, isto é caro, tudo é caro.

 

Finalmente demos as casas de presente, alguns as compravam, eram donos, pagaram 50 pesos mensais, 80 pesos, bom, segundo a troca, se o recebiam de Miami, eram aproximadamente US$ 3.00; alguns vendiam-na, US$ 15.000, US$ 20.000, no final dos anos a  tinham  pagado com menos de US$ 500.

 

 Pode o país pode resolver seu problema de habitação presenteando casas? Quem as recebia, o proletário, o humilde? Muitos humildes receberam a casa de presente e depois venderam-na ao novo rico. Quanto podia pagar o novo rico por uma casa? e isso é socialismo?

 

Pode ser uma necessidade num momento determinado, também pode ser um erro, visto que o país sofreu um golpe esmagador, quando de um dia para o outro aconteceu o derrubamento da grande potência e nos deixou sozinhos, e perdemos todos os mercados para o açúcar e deixamos de receber víveres, combustível, até madeira para poder enterrar de maneira cristã os nossos mortos.  E todos achavam: “Isso se derruba”, e os muito estúpidos ainda acreditam nisso, que isto vai cair e se não acontece agora, depois. E quanto mais ilusões tenham e mais pensem, mais devemos pensar nós, e mais conclusões devemos tirar, para que a derrota jamais atinja este glorioso povo que tanto confia em nós todos (Aplausos)

 

Que cá jamais exista a URSS, nem campos socialistas desfeito, dispersos! Que o império não venha a criar cárceres para torturar homens e mulheres progressistas do resto do continente que se ergue atualmente decidido rumo à segunda e definitiva independência!

 

É melhor que não fique nada do nosso passado nem de nenhum de nossos descendentes antes que tenhamos que viver novamente uma vida tão repugnante e miserável.

 

Eu dizia que éramos ainda mais revolucionários porque conhecemos melhor o império, conhecemos ainda melhor do que são capazes e antigamente fomos incrédulos inclusive perante algumas coisas, para nós eram impossíveis.

 

Enganaram o mundo. Quando surgiram os meios de comunicação em massa apoderaram-se das mentes e governavam não só com mentiras, mas também com reflexos condicionados. Não é o mesmo uma mentira que um reflexo condicionado: a mentira afeta o conhecimento; o reflexo condicionado afeta a capacidade de pensar. E não é o mesmo estar desinformado que perder a capacidade de pensar, porque já criaram-te os reflexos: “Isto é mau, isto é mau; o socialismo é mau; o socialismo é mau”, e todos os ignorantes e todos os pobres e todos os explorados dizendo: “O socialismo é mau” “O comunismo é mau” e todos os pobres, todos os explorados e todos os analfabetos repetindo: “O comunismo é mau. ”

 

“Cuba é má, Cuba é má”, disse o império, o disse em Genebra, o disse em vários lugares, e todos os explorados deste mundo, todos os analfabetos e todos os que não recebem atendimento médico, nem educação, nem te emprego garantido, que não têm nada garantido: “A Revolução Cubana é má, a Revolução Cubana é má”. “Escute, a Revolução Cubana fez isto e mais isto”. “Escute, não existe nenhum analfabeto”. “Escute, esta é a mortalidade infantil”. “Escute, todo mundo sabe ler e escrever”. “Escute, não pode existir liberdade se não há cultura”. “Escute, não pode existir eleição”.

 

De que falam? Que faze o analfabeto? Como pode saber que o Fundo Monetário Internacional é bom ou mau, e que os lucros são mais altos, e que o mundo é submetido e saqueado incessantemente através de mil métodos desse sistema? Ele não sabe.

 

Não ensinam a ler nem a escrever as massas, todos os anos gastam um milhão em publicidade; e não é só o que gastam, senão que gastam criando reflexos condicionados, porque ele comprou Palmolive; aquele, Colgate; mais outro, sabonete Candado, porque, simplesmente, o repetiram cem vezes, associaram-no a uma imagem bonita, semearam-lhe, talharam-lhe o cérebro. Eles, que falam tanto a respeito da lavagem de cérebro, talham-no, dão-lhe forma, tiram ao ser humano a capacidade de pensar; e se fizessem isso com alguém formado na universidade que pode ler um livro, seria menos grave.

 

O que é que pode ler o analfabeto? Como é que percebe que o estão enganando? Como á que percebe que a maior mentira do mundo quer dizer que isso é democracia, o sistema podre que impera aí e na maior parte, por não dizer em quase todos os países que copiaram este sistema? Fazem um dano terrível. E cada um vai tendo consciência, vai tendo consciência dia a dia, dia a dia; dia a dia, mais desprezo, mais repugnância, mais ódio, mais condena, mais vontade de combater. Isso é o que faz com que a gente seja, transcorrido algum tempo, ainda mais revolucionário do que era quando ignorava muita coisa e apenas conhecia os elementos da injustiça e da desigualdade.

 

No momento em que lhes digo isto não estou teorizando, embora tenhamos que teorizar; estamos atuando, marchamos visando uma mudança total de nossa sociedade. Temos que fazer mais outra mudança, porque tivemos tempos muito difíceis, surgiram essas desigualdades, injustiças, e vamos fazê-lo sem abusar de ninguém, sem tirar um peso a ninguém. Não, não vamos tirar um peso a ninguém; mas para nós, a fé que a população tenha num banco, vale mais do que outra coisa qualquer. E porque a Revolução cria riquezas, e porque a Revolução vai criar importantes quantidades de riquezas que não saíram da cana-de-açúcar nem de nenhuma outra coisa, saíram, principalmente, desse capital, também da experiência, porque é muito importante saber o que há que fazer.

 

Se alguém contar para vocês a história de todos os pontos de venda de gasolina da capital, ficam surpreendidos; há mais do dobro do que deveria haver, é um caos. Cada ministério decidiu pôr e pôs o seu, e reparte aqui e lá. Nos Poderes Populares o desastre é universal, o caos, e, além disso, deram ao Poder Popular os caminhões mais velhos, os que gastam mais gasolina, etc. Quando parecia que se racionalizava o uso dos caminhões, o país hipotecava-se para toda a vida.

 

Poderia ser a mesma conduta quando o combustível custava dois dólares, que quando custava US$ 10 ou US$ 20, ou custava US$ 40, ou US$ 60? Essa foi, precisamente uma das piores coisas que tivemos que enfrentar, acreditar nos estrategistas dos sistemas elétricos. A gente perguntava-se, várias vezes, e descobria que o problema fundamental era que se aplicava uma concepção que se correspondia com a época em que o combustível custava dois dólares, e também a política com a cana-de-açúcar se correspondia com a época que custava dois dólares.

 

O preço do petróleo não se corresponde atualmente com nenhuma lei de oferta e demanda; seu preço depende de outros fatores: da escassez, do esbanjamento colossal dos países ricos, e ele não tem nada a ver com nenhuma lei econômica. É sua escassez perante uma crescente e extraordinária demanda.

 

Mesmo hoje, de manhã, soube de uma notícia: para o ano próximo se precisa de mais dois milhões de barris diários, o ano próximo se necessitam mais de oitenta e quatro milhões de barris de petróleo diários, e os Estados Unidos, principal território do império, gasta diariamente 8,6 milhões de barris. Esse é um dos pontos chave.

 

Instamos o povo todo a que coopere nesta grande batalha, que não é só a batalha do combustível, da eletricidade, é a batalha contra todos os roubos, de qualquer tipo, em qualquer lugar. Repito: contra todos os roubos, de qualquer tipo, em qualquer lugar.

 

Quanto custa toda a energia que o país consome, segundo os preços deste petróleo? Por volta de US$ 3 bilhões.

 

Lógico, a poupança não será a única fonte de aumento da receita, não será a única, haverá mais, direi que algumas quantas e de grande peso. Estou quase certo — e o resultado final estará um bocado por cima ou por baixo, não gosto de dizer a última palavra, sempre sou conservador com o cálculo — de que o país, segundo todos os dados que conhecemos, pode poupar, em breve tempo, as duas terceiras partes da energia que consome, somando-as todas: eletricidade, gasolina, diesel, fuel oil e outros; com um preço como o atual pode descer um pouquinho e depois subir ainda mais. Isso seria mais de US$ 1,5 bilhões. E vocês se perguntarão: E que faz atualmente o país com esse US$ 1,5 bilhão? Eu respondo-lhes: uma parte é roubada, outra, esbanjada, e a outra é jogada fora.

 

Como estamos em meio do andamento, em ofensiva e em total atividade, não posso oferecer todos os dados; porém acho que o trabalho destes jovens trabalhadores sociais deve dar ao país, em 10 anos, talvez US$ 20 bilhões com a poupança de energia. Escutaram bem? Vocês sabem o que é um milhão, não é?, e  100 milhões, e um bilhão em divisas convertíveis.

 

Carlitos, você me deu este papel:

 

Despesa total de educação: 4,17 bilhões de pesos; despesa do ensino superior, 886 milhões.

 

“Informação oferecida pelo Ministério de Economia e Planejamento, elaborada por ele junto com o Ministério de Finanças e Preços, em 17 de novembro de 2005.”

 

Bem, 886 milhões. 700 milhões seriam US$ 35,4 milhões. Repito: uma pequena parte do combustível que é roubado ou desviado, menos de 20%. É o que custam as universidades, segundo esse dado.

 

Quando falo de US$ 1 bilhão de poupança, faço referência a 25 mil pesos. Todos os ordenados que se pagam no país, segundo a troca internacional, que com relação a Cuba é arbitrária demais, seriam por volta de 14 bilhões de pesos, que em nosso país é onde têm seu verdadeiro valor, têm poder real de compra ainda superior. O peso foi revalorizado e pode ser revalorizado novamente.

 

Cada palavra que se pronuncie deve ser pensada.  Não estou improvisando, meditei muito a respeito destes dados e estão na minha cabeça, e meço por aqui, por cá: isto posso dizê-lo, isto não, porque há um inimigo que tenta frustrá-lo tudo e confundir tudo, como esses que dizem que maltratamos a sagrada liberdade de comércio. E não dizem outras coisas, entre delas: “Que conseguem com um dólar que envie algum deles que talvez conseguiu ser um profissional? Não pagou um centavo, vocês sabem disso. Depois do triunfo da Revolução, os que viajaram para os Estados Unidos não eram analfabetos.

 

Daqui já cada ano, os que restavam da sexta série, da sétima série, os que tinham nível de instrução, que eram aqueles setores que estudaram na universidade, os primeiros que foram embora, procediam das classes mais ricas, e durante mais de 40 anos o império roubou dezenas de milhar de profissionais universitários e centenas de milhar de pessoas qualificadas, às que impede, custe o que custar, enviar ajuda a Cuba.

 

Que mágoa, aquele dia em que se inauguraram as lojas que vendem em divisas, para arrecadar um pouquinho daquele dinheiro que enviaram e fosse gastado nessas lojas, que vendiam com preços altos, para arrecadar parte desse dinheiro e poder redistribuí-lo aos demais que não recebiam nada, e quando o país encontrava-se em meio de condições muito difíceis.

 

Então, que fazem atualmente com o dólar? Enviam-no para cá... Sei lá se você recebe algum dólar (Refere-se a alguém). Eu tenho familiares que recebem dólares. Não tenho nada a ver com isso.

 

Um dia perguntamos e existem províncias onde 30% ou 40% da população recebem alguma coisa, um pouquinho; mas o negócio de enviar dólares, é tão bom, tão bom!, que nos podem arruinar perfeitamente enviando dólares devido ao enorme poder de compra que tinham num país bloqueado, produtos racionados em grande medida subsidiados e serviços gratuitos ou extraordinariamente baratos.

 

Por exemplo, falando da eletricidade, sabem quanto custa atualmente ao país, em divisas convertíveis, produzir um quilowatt, com esse sistema que tem tantos problemas, ao qual pertencem a “Guiteras” a “Felton” e mais outras, que provocam a interrupção do serviço elétrico e mais outras dificuldades? Sabem quanto custa ao país em divisas convertíveis? Por volta de US$ 15 centavos um quilowatt, porém se você — este companheiro, que é inteligente, no existem dúvidas, que falou muito bem — recebesse, por exemplo, um dólar, que poderia fazer com ele? Você reconheceu que é a eletricidade é muito barata; sea damos de presente ao aposentado, ao trabalhador, demos de presente, e chega; porém também damos de presente ao camelô, aquele que cobrou mil pesos por uma viagem daqui a Guantánamo, ou cobrou duas vezes o ordenado mensal de um médico para levá-lo de Havana a La Tunas, com combustível roubado tentando subornar o empregado do posto de gasolina.

 

Não tenho nada contra ninguém, mas também não tenho nada contra a verdade. Não me casei com a mentira, para aquele que se zangar, sinto muito, mas posso lhe advertir de antemão que perderá a batalha, e não será um ato de injustiça nem de abuso de poder. Demos de presente a eletricidade àquele que vendeu a livra de feijão em oito pesos.  E, por favor, não deixem de vendê-la, não o façam agora para depois me culpar por isso. Continuem vendendo-a, não vamos proibi-lo, o que quero saber é que farão quando houver mais feijão.

 

Mesmo agora não sei se baixarão o preço ou não, mas metade da população viu como se triplicou sua cota, e a outra metade viu que se incremento em 50%. Imagino que terão que fazer alguma rebaixa.  Talvez, nalgum momento, de algum dinheirinho, da energia poupada, quando entreguemos mais 10 onças e chegue o momento, quando esteja garantida a honradez de todos os que distribuem e não se perda nem um só grão de feijão, e o que não se compre seja devolvido, visto que não existiria maneira de roubá-lo, nem razão para roubá-lo, nem condições para roubá-lo, e o especulador acabará vendendo nada ou comendo tudo.

 

O camponês produtor consome o seu e vende o excedente. O especulador rouba e não produz nada. Uma notícia da Reuter apresenta o governo golpeando os “avanços progressistas” dos tempos vindos com o período especial. O progressista é tudo isto do que falo.

 

Eles não dizem que o bandido, ou aquele, qualquer que seja, possivelmente não é um bandido, aquele afortunado te envia um dólar e você gasta muito pouco em eletricidade, você consume menos de 100 quilowatts, gastou nove pesos cubanos por cada quilowatt de eletricidade, viu? Divide 24 entre nove (Calcula).

 

O de você são 2.400 centavos, e por cada 100 quilowatts pagou 900 centavos, não chegou nem à metade do dólar, restam-lhe 1.500 centavos, mas apenas gastou 100 quilowatts; você é um rapaz muito poupador, você apaga a lâmpada, você apaga o outro, você não têm lâmpadas fluorescentes, todas as que você possui são fluorescentes, sua geladeira gasta menos de 40 watts/hora, você não tem nenhuma geladeira velha herdada de sua avó, você é bom demais (Risos).

 

Quiçá agora você gasta 150 quilowatts, vai te custar um pouquinho mais caro porque os outros 50 custam 20 centavos em vez de nove, são 10 pesos; então você, que pagou um pouquinho mais caro esses 50, gastou 19 pesos. Mas, olhe bem, você ainda não gastou um dólar, você não vive na Flórida, você vive em Cuba. Aquele que mora na Flórida é um avaro, desavergonhado, paga a eletricidade lá a US$ 15 centavos, porém te envia um dólar para que por menos de um dólar pagues 150 quilowatts; mas, finalmente, você, apesar disso, é moderado, tem muitos aparelhos elétricos velhos, pode ser um ar condicionado e outras coisas, e gasta 300 quilowatts. Você calcula e diz, os primeiros 100, igual a nove pesos; os segundos 200 seriam 40 pesos, somo os dois e são 49 pesos. Você gasta finalmente US$ 1,9 por cada 300 quilowatts de eletricidade; quer dizer, um preço de US$ 0,63 centavos por um quilowatt cubano de eletricidade. Que maravilha!

 

 

Quanto gasta o povo de Cuba, por culpa desse dólar que enviaram a você de lá? Porque este não foi um dólar que você ganhou, ou um peso, trabalhando, nem aquele intermediário ganhou-o vendendo a libra de feijão a oitos pesos; te mandam de lá, alguém que foi sadio, tudo o que estudou foi gratuito desde que nasceu, não está doente, são os cidadãos mais saudáveis que chegam aos Estados Unidos, têm uma lei de ajuste, e, além disso, lhe proíbem enviar remessas.

 

Bom, por menos de US$ 2.00 o país gastou, em troca, US$ 44 para subsidiar esse dólar que enviaram dos Estados Unidos. Este é um país nobre, subsidia os dólares que estão lá, que em vez de lhe ajudar notavelmente, lhe dirão: “Olha, vou te enviar dois dólares para eletricidade, porém não gaste tanta, por favor, poupe, apague luzes”. “Olha, vou te enviar, aliás, uma geladeira, ou vou te dar o dinheiro para que compres na loja” Depois o generoso remissor de dólares continua: “Não se preocupe, vou te enviar o que necessitas, eu sou bom, eu sou nobre, eu vou para o céu, eu te garanto os 300 quilowatts que você lhe gasta a esse idiota Estado socialista que diz ser revolucionário e que vai lutar até a morte defendendo a Revolução”. Pode existir um cidadão que saiba que nós somos bons, mas pode pensar, com toda razão, que somos tolos; e, inclusive, tem uma parte da razão, cuidado!

 

Agora, para arrecadar US$ 45, temos que arrecadar 4.500 centavos. Tenho que pedi-lo a vocês. Quantos cabem neste lugar? (Lhe dizem que 405) Quatrocentos e cinco? Pois antes que todos irem embora, olhem bem, por favor, deixem 11 centavos, que isso o pagam vocês, esse dinheiro com que o Estado paga, é o dinheiro de vocês, quer dizer, o povo de Cuba. Deixem todos 11 centavos para subsidiar o consumo de eletricidade dele num mês. Não esqueçam! Vamos colocar alguém ai para vigiá-los e também para que os reviste (Risos). É verdade ou não?

 

Porém se a ele lhe dão uma cota de arroz, e esse arroz, essas primeiras cinco libras, quanto lhe custaram? Bom, pois com um dólar, quanto lhe pode custar, quantas pode comprar com um dólar, ainda com seu desconto, ainda com a revalorização que fizemos ao peso? Compra 100 libras de arroz, não em um só dia, como acham alguns tolos, se o guardei para este mês, para o outro, e demais meses.

 

Lógico que você não gastou nem um centavo do que lhe enviaram em medicina, a medicina está subsidiada, se a comprou numa farmácia, essa que não se levaram nem venderam por ai, você gastou 10% do que custam em divisas. Se você foi para o hospital e talvez o operaram do coração, do tornozelo, sua operação pode custar US$ 1.000, US$ 2.000, US$ 10.000, lá nos Estados Unidos se você sofreu um enfarte e lhe colocam um válvula, pode ser o que lhe custou a um empregado nosso lá na Repartição de Interesses, US$ 80.000.  Você jamais deixou de receber atendimento; podem existir alguns maus-tratos num hospital, mas, você freqüentou algum hospital onde não foi atendido? Lógico, nosso sistema não tinha a organização que começa a ter e terá, nem os equipamentos que começa a ter e já tem, de grande qualidade e padronizados, e, portanto, com possibilidade de serem mantidos, ou um tomógrafo computadorizado multicorte, de 64 cortes, os melhores do mundo, que já começam a chegar, que já foram comprados e pagados. Vejam. Com que? Com as poupanças e com as receitas do país que começa a crescer. Não lhe custa nada.

 

Você se gradua desde que ingressa no ensino pré-escolar até que recebe o honroso título de doutor em ciências agrícolas, ciências físicas, ciências médicas, não lhe custou um centavo.  Recebe um apartamento, se tem sorte, embora o mais provável seja que não tenha nenhuma sorte desse tipo — bom, oxalá seu pai o tenha recebido por que foi construtor —, porém você não paga pela casa, você não paga imposto. Quiçá você é um pouquinho mais inteligente e dize: “Vou alugá-la a uns visitantes, e em divisas convertíveis. Bom cobram-me 30 centavos de impostos por cada dólar de ingresso; bom, ganhei de presente esta casa, custou-me US$ 500, eu cobro US$ 800 num mês, dou US$ 240 ao Estado, e ganho US$ 500; cinco vezes dois 10, 12.500 pesos”. Você pode ir, em virtude desses sacrossantos direitos da liberdade de comércio, pagar a três pesos a libra de arroz no mercado livre, você pode dizer a um empregado do posto de gasolina: “Olha, eu tenho um calhambeque que comprei àquele e ao outro, lhe paguei em divisas ou em pesos conversíveis, e tenho quem me garante a gasolina, eu vou viajar 300 quilômetros, tenho três namoradas”, e esse carro é atrativo com os problemas que há nos transportes. A quem eu não conquisto com este calhambeque? (Risos).

 

Se vocês quiserem caros estudantes, posso-lhes acrescentar que os que consomem 300 quilowatts, consomem 40% da eletricidade da zona residencial que o país produz; 40% dessa eletricidade podem significar — cautelosa e conservadoramente — por volta de US$ 400 milhões que o estado generoso e lhes entrega a todos os que mais gastam. E quais são os que mais gastam? Visitem um novo rico e averigúem quantos aparelhos elétricos tem.

 

Lembro quando analisava aquele assunto do consumo de eletricidade e do preço, e descobrimos que um restaurante privado consumia 11.000 quilowatts e este Estado idiota subsidiava o dono, ao qual tanto gostava aos burgueses levar visitantes para que saboreassem a lagosta e o camarão, como milagre da empresa privada, tudo isso roubado em Batabanó por alguém. Não! E, logicamente, este Estado totalitário, abusador é inimigo do progresso, porque é inimigo do saqueio. Então o Estado subsidiava esse restaurante privado com mais de US$ 1.000 cada mês, e soube disto porque perguntei quanto gastava, quanto valia, e ele pagava a eletricidade a esse preço, 11.000 quilowatts; acho que depois de ultrapassar a cifra de 300, pagava 30 centavos por quilowatt. Você não sabia disso? Não, nenhum de vocês sabe nada (Lhe dizem alguma coisa). Não, não invente, eu averigüei muito sobre isso, e muitas vezes me desinformaram. São 30 centavos, 11.000 quilowatts, pagava 3.000 pesos. Olha que era o que pagava, o Estado se enriquecia, porque ele pagava 3.000 pesos cubanos, perto de US$ 120; porém ao Estado custava-lhe, naquela ocasião calculei a 10 centavos de dólar o quilowatt, hoje os 11.000, a um custo para o Estado de 15 centavos, obriga a fazer uma coleta adicional aqui, não sei como estão suas economias, mas este restaurante privado tem que ser subsidiado, e como são US$ 1.250 mensais, e vocês são 400, quando vão embora não deixem só os 20 centavos, por favor, deixem mais ou menos US$ 3.00, para o pagamento de um mês, assim que levem bem a conta, porque alguém tem que subsidiar este restaurante. Isso é liberdade de comércio, isso é progresso, isso é desenvolvimento, isso é avanço.

 

Nós vamos lhe ensinar o que é progresso, o que é desenvolvimento, o que é justiça, o que é acabar com o roubo. E advirto-lhes: com o apoio mais decidido do povo. Nós sabemos o que estamos fazendo, está nas matemáticas e nos números. Nós sabemos quanto custa cada uma das coisas que vamos poupar. Não vou falar do que estamos comprando agora, nem quero dizer muita coisa, os bilhões, apesar de que vão acabar os cortes elétricos, certamente vão acabar, podem estar convencidos.

 

Já temos no país perto de dois milhões e meio de panelas de pressão elétricas que podem ser graduadas, não só as panelas para fazer arroz; também teremos uns aparelhos que poupam mais de 80% da energia que vocês gastam para ferver um litro de água.

 

Estou certo de que posso fazer uma pergunta e vocês vão responder. Levantem a mão todos os que não usam água tíbia em agosto para tomar banho. Sim, mas com toda honestidade.  Cuidado, não se confundam.

 

(Uma jovem levanta a mão)

 

Bom, você jamais utilizou água tíbia? (Ela diz que não) E no inverno? (Também diz que não). Parabéns. Você faz parte, aproximadamente, dos 10% da população que faz isso.

 

Você sim, em inverno? (Um jovem responde que sim) Olhe, você é um homem sério (Risos). Eu perguntei para outras pessoas, não como aqui, aos estudantes; perguntei às companheiras trabalhadoras, e pedi que levantassem a mão aquelas que não a usavam. Sabem quando? No dia do meu aniversário, 13 de agosto; perguntei para 10 delas qual não esquentava a água para tomar banho e nenhuma delas alçou a mão. Isso é para tomar banho; há também quem o faz para que a água fique limpa, também pela criança, no verão. Um dia desses tão frios, eu quero ver quem de vocês toma banho sem água tíbia (Risos).

 

Vocês sabem o que fazem os bolsistas, o que eles fazem com esses aparelhos para esquentar a água? Vocês sabem? (Exclamações). Ah! E por que não averiguam que quantidade de eletricidade gastam? Posso dizer-lhes que existem várias formas de esquentar a água, que significam um consumo de energia quarenta vezes maior, quarenta vezes!

 

Digam-me sinceramente, nenhum de vocês jamais utilizou em casa a eletricidade com um fogão artesanal quando acabou o gás? Não falo daqueles que têm gás canalizado, esse é o mais econômico, esse não se deve tocar. Dos que cozinham com gás liquefeito ou querosene, nenhum de vocês jamais usou um fogão rústico para cozinhar alguma coisa?  Levantem a mão os que jamais o utilizaram.

 

Vamos ver, quem está aqui? Aquele que levantou a mão. Olhem para lá. Investiguem-no, quiçá não consigo avistá-lo muito bem.

 

Certamente, levantem a mão os que não a usaram. Uma. Põe-te de pé, rapariga. Por favor, vem cá. Sim, você, a que levantou a mão, você mesma, põe-te de pé. Por favor, vem. Olha, responde minha pergunta, você não diz nada que não seja verdade? (Responde que não) Você jamais utilizou isso. Onde você mora? (Explica que no campo, em Santa Maria) Há eletricidade? (Responde que sim).

 

Queria ver a cidadã ideal, essa que jamais utilizou uma panela elétrica rústica.

 

Diga-me uma coisa, alguma vez sentiu calor ali? Diga-me mais outra: você tem ventilador, porque lá há mosquitos, não é verdade? Que tipo de ventilador você tem? Qual o motor de seu ventilador?, Aurika? (Risos). (Diz que não, que é um Sanyo de motor elétrico eficiente).

 

Você é filha de agricultores, não é? (Responde que sim)

 

Mas você não vende nada nesse mercado (Risos). É honrada, ela tem um pouquinho mais de recursos.

 

Você não tem nenhuma lâmpada incandescente? (Responde que sim)

 

Quantas? De que tamanho? De quantos watts? (Expressa que tem duas de 60 watts).

 

Você vê bem com eles? (Ela diz que sim)

 

Quantas horas durante o dia as mantêm acesas (Ela diz que várias).

 

Cinco, ou seis? (Esclarece que há uma que está acesa a noite toda).

 

Uma a noite toda, um total de horas. Lógico para evitar a escuridão, 12, 10? (Responde 12 horas).

 

Doze horas. Que bom!

 

E a outra, quantas horas? (Expressa que se mantém acesa das 6 h da tarde até às 10 h e mais).

 

Até passadas às 10 horas, vamos calcular seis horas. Doze mais quatro, são 16 horas; por 60 são 960 watts. Em vez de gastar 960 watts, receberá duas lâmpadas fluorescentes que gastarão sete watts, cada uma trabalhando 12 e quatro horas; 16 por sete é igual a 112 watts e mais luz.

 

Você quer dar um presente para o país? Você quer? Acho que sim. Você mora lá? Eu não quis perguntar, mas já, o problema se resolveu. Vou-lhe dizer quanto você vai dar ao país em breve, a partir de amanhã mesmo.

 

Enrique manda-lhes duas lâmpadas de sete watts, se você quer de 15 ou de 20, vão ver mais do que vêm com a lâmpada incandescente e menos ladrões vão se aproximar desse lugar. O gasto dessas duas lâmpadas de sete watts, já eu fiz o cálculo, é de 112 watts, que o resto dos 960 que gastam hoje as incandescentes: 960-112 igual a 858 watts, multiplicado por 365 dias do ano, se não é bissexto, somam 313,17 quilowatts, dividido entre 1.000 são 313,17 quilowatts, multiplicando por 15 centavos, seu custo de produção em divisas é de US$ 46 com 97 centavos.

 

Agradeço de antemão, você vai dar de presente ao país — espere lá, ainda não vá —, do pagamento que tem que fazer agora, visto que você vai dar de presente a Cuba 12,7 centavos cada dia, em 100 dias você obsequiará US$ 12,7, e no próximo ano dará de presente a todos nós US$ 46,45, para comprar um pouquinho mais de feijões ou de outra coisa qualquer — exatamente, vou lhe dizer, e não é um imposto, e vai ver com mais clareza —, você nos vai presentear, com a simples substituição de duas lâmpadas,  US$ 46,45; não lhe vamos cobrar nada nem a você nem aos outros pelas lâmpadas, duram cinco vezes mais que as incandescentes e são mais frescas, terá que usar menos o ventilador Sanyo que você tem.

 

Mesmo assim, vejam o exemplo. Imaginem que em vez de duas lâmpadas sejam 15 milhões, e não só as que estão nas casas dos cidadãos, que têm mais que as calculadas, senão as que estão nas escolas, nos armazéns, em bancas de todo tipo, 15 milhões. Lógico, ela apenas tem duas e usa-as durante bastante tempo, há outros que as usam muito menos e alguns muitas vezes, desta maneira não pode aplicar a mesma norma a todos. Porém devemos poupar, possivelmente, durante umas quantas horas, de dois a três usinas de 100.000 quilowatts, como potência, mas as despesas de combustível e outros para produzir a eletricidade que é esbanjada, potência que o país precisa para que essas lâmpadas estejam acesas durante uma hora, que o obrigam a este gasto.

 

De que falam vocês? Por que riem? (Mostram-lhe o teto da Aula Magna com grande quantidade de lâmpadas incandescentes). Ah! Não estou disposto a pagar algo para que o mantenham aí, estão muito bonitas. Isso não é esbanjar, trata-se de um enfeite tradicional e histórico e, além disso, aqui não se realizam atos todos os dias nem a todas as horas, e, de outra maneira, eu só o único culpável, porque este lugar tem estado aceso todo o tempo em que permaneci nesta tribuna.

 

Bom, muito obrigado.

 

(Agora fala com uma rapariga da província de Ciego de Ávila que se encontra junto da outra de Havana) Uma pergunta: Você tem geladeira em sua casa? (Ela responde que está avariada).

 

Avariada? Mas, não lhe colocaram a borracha da porta nem o termostato? (Ela disse que sim).

 

E por que se avariou novamente? (Diz que a máquina se queimou)

 

Queimou-se a máquina? Quando? (Responde que há tempo)

 

Que marca é? (Diz que é russa)

 

Russa, marca Minsk, ou fabricada com motores russos, INPUD, da província de Santa Clara e avariada, teu consumo sim era maior do que o dessas lâmpadas.

 

Suponhamos que não estivesse avariada, agora temos que dizer que faremos com você, porque temos que substituir essa geladeira, é um gasto elétrico muito alto.

 

Dizia que anteontem despedia uns trabalhadores sociais que iam averiguar onde é que estavam alguns caminhões e tratores, onde viviam, como se chamavam, a placa, quanto combustível gastavam, se é diesel por hora ou quantos quilômetros por litro; porém não temos que conhecer muito para saber que o de você que está avariado, marca Minsk, consume muitíssima eletricidade. Não lembra? Aço que gastou perto de 300 watts/hora, você sim acaba com a república, porque essa geladeira avariada deveria gastar uns sete quilowatts diários. Se em vez dessa tem uma nova, que gasta menos de 40 watts/hora, você podia estar — vou-lhe dizer o que estaria poupando , vou tentar , vou calcular apenas 200 watts/hora — gastando 4,8 quilowatts ao dia. Aprendam a multiplicar, porque vocês vão ter que fazer isso (Calcula). Ela, a 15 centavos o quilowatt, nos vai presentear 15 e 15, 30 e 30, quase 72 centavos diários. Ela vai ter sua geladeira. Vamos anotá-la, Enrique.

 

Você não tem nenhuma agora? (Ela responde que a está sendo consertada).

 

Donde vai tirar esse motor, diga-me? (Esclarece que vão consertá-lo).

 

Espera lá, vamos acrescentar quase 30%, porque esses motores reparados são um desastre. Enrique, quanto gastam os motores reparados? Isso é o que têm feito muitas pessoas; seu motor avariou-se, não tinham mais outra solução, elas não têm culpa. O Estado tem culpa, posso-lhe assegurar uma coisa: antes de seis meses você terá uma geladeira que não gastará mais de 40 watts/hora. Falo do que se esbanja, do que botam, com você devemos poupar perto de 200 por hora. Poupe isso, é pena que as 150 que tínhamos de reserva recém a repartimos. Talvez, Enriquinho, ainda temos sete, podemos fazer uma prova lá. Neste momento fazemos 150 provas na cidade, vamos ter uma reunião com os representantes do município Arroyo Naranjo, onde há quase 30.000 pessoas consomem gás liquefeito. Serão visitados.

 

 

Enrique, quantos saíram visitar os moradores de Arroyo Naranjo, umas 50 000 famílias? (Enrique diz que hoje saíram 1 098 trabalhadores sociais que visitaram por volta de 55 000 famílias. Esclarece que a média de visitas de cada um se aproxima das 20 casas por dia, pelo qual se calcula que hoje tenham visitado umas 20 000).

 

Em dois dias já terão visitado todas. Teriam tomado notas dos eletrodomésticos que existem nesse município. Estamos levando a cabo fortes experiências sociais. Vamos mudar o gás, possivelmente estejam me escutando, eles são os mais pobres da cidade, e estão recebendo gás liquefeito. Preço do gás liquefeito: mais de 700 dólares a tonelada 30 000 por 10 (Faz as contas) são 300 000 quilos, 300 toneladas de gás liquefeito, como mínimo, é a despesa mensal de Arroyo Naranjo. É de 3 milhões de dólares cada ano a despesa aproximada de desse município no gás liquefeito, se realmente são só 300 000 o que o consomem; um equipamento que tem que levá-lo, deslocá-lo, a incerteza se acaba ou não.

 

Vamos a realizar uma importante experiência, mas vamos recolher todos os dados, vamos nos reunir com todos os representantes diretos dos quarteirões, dos conselhos, dos conselhos populares, dos sindicatos, das organizações de massas, mais de 1 500 pessoas das mais próximas, dos moradores, para discutirmos com eles a experiência que nos propomos, e estou certo de que vai ser um sucesso, se você reduzir logo a despesa de energia.

 

Vamos ver o consumo no inverno, vamos ver o que poupam e economizam as lâmpadas que distribuiremos aqui nos fins de dezembro; vamos ver os ventiladores que substituirão os rústicos, que são mais de um milhão, aos que se acrescentará um número semelhante de simples, mas muito eficientes aquecedores manuais elétricos, de água, que reduzem consideravelmente a despesa energética ao ferver a água.

 

Em dezembro teremos catorze milhões de aparelhos e os iremos distribuindo: panelas de cozer arroz, panelas de pressão elétricas, aquecedores de água. Não incluo nesse número as lâmpadas de baixo consumo que vão substituir as lâmpadas de incandescência.

 

Já veremos o que vai acontecer com determinados veículos depois que conversem cada um deles com os trabalhadores sociais e aqueles aos que vamos dar cristã sepultura. Quando cada ministério receber os caminhões que deve ter e quando se exija que a disponibilidade destes não pode ser menor de 90% e que todos esses veículos estejam registrados, a poupança de energia por essa via será surpreendente.

 

Dizendo a verdade, temos idéias que não quero explicar: o tempo exato em que não ficará um só dos caminhões de gasolina e outros equipamentos altos consumidores de energia.

 

Temos falado em poupar dois terços da mesma. Pensamos poupar na esfera elétrica, nos fins de 2006, não menos de um milhão de quilowatts/hora que hoje está sendo gerado e esbanjado e teremos capacidade de gerar, com novos equipamentos, pelo menos, 1,4 milhão de quilowatts/hora, sem contar as usinas emergentes. Isso é mais certo do que as coisas que foram anunciadas e que foram cumpridas, e aquelas das quais nem se falou e que foram implementadas.

 

Não é preciso falar muito, mas existem idéias que já começamos a aplicar em massa. Aproveitaremos que a despesa elétrica agora no inverno é de 15% menos, pois cada equipamento que vamos instalar deve ter a energia garantida, que a família possa cozinhar se a energia falhar; agora temos muitos problemas, mas todos estão sendo estudados minuciosamente, e com todos eles se trabalha com muita consciência, como diria Karl Marx.

 

Não vou me estender mais, em qualquer momento retorno e falamos.

 

Já falei de uns quantos temas. Devemos estar decididos: ou derrotamos todas essas desviações e tornamos mais forte a Revolução destruindo as ilusões que possa ter acalentado o império, ou poderíamos dizer: ou vencemos radicalmente estes problemas ou morremos. É preciso reiterar neste campo o lema de: Pátria ou Morte! Isto é a sério, e vamos empregar todas as forças necessárias, se for preciso, os 28 000 trabalhadores sociais, e esses que andam desviando gasolina, vale mais de se aconselhem e não tenhamos que descobrir, ponto por ponto, que cada qual esteja roubando combustível, porque já estão prontos os 10 000 trabalhadores sociais, e Cidade de Havana se converteu numa escola espetacular onde se aprende o que é preciso fazer, e cada vez mais, estamos dispostos a empregar os 28 000 e os 7 000 que estão estudando.

 

Se não forem suficientes 28 000, parte dos quais já estão trabalhando na criação de células contra a corrupção, em torno de cada ponto a observar, uma célula, lá temos membros da juventude, membros das organizações de massas, combatentes da revolução —a  mesma questão que expusemos no Coliseu.

 

Os problemas colocados estão sendo atendidos corretamente, vocês não imaginam o entusiasmo dos trabalhadores sociais. Jamais na minha vida eu tinha visto tamanho entusiasmo, tamanha seriedade, tamanha dignidade, tamanho orgulho, tamanha consciência do bem que vão fazer ao país.

 

Já falei do combustível, da energia em geral, vai se o mais importante, mas não o único. Quanto foi roubado aqui, em fábricas, fábricas que, por exemplo, produzem medicamentos. Sei de uma fábrica lá, na Lisa, onde tiveram que tirar o administrador e muitas pessoas, quase 100 no total, que estavam envolvidas na roubalheira de medicamentos, a administração dessa fábrica e um monte de pessoas. Tiveram que tirar cem pessoas: procurar este e o outro para substituí-los. Não é suficiente nem será a única solução.

 

E depois? É preciso usar também todos os meios técnicos ao nosso alcance. Já temos adquirido um número importante de bombas novas para a terça parte, aproximadamente, de todos os postos de gasolina que ficarão no país, e tudo medido, bem como um número de carros-cisterna de combustível novos, que não produzam engarrafamentos nas ruas em acidentes. Trabalharão de noite, a maioria, nas horas de menor tráfego. Não temos contabilizado o número de mortes que têm lugar devido aos acidentes.

 

E um dia qualquer — saibam bem — a Revolução, com os instrumentos desenvolvidos pela técnica, poderá saber onde se encontra cada caminhão, em qualquer lugar, em qualquer rua. Ninguém vai poder fugir no caminhão e ir visitar a tia, o outro, a noiva. Não é que seja mau visitar o familiar, o amigo, a noiva, mas não no caminhão destinado para o trabalho; e quando existe uma crise de combustível no mundo é pior o crime ao fazer isso; ou quando estão dando às pessoas um sabonete sem cheiro, que já viu seu preço aumentado, mas já estamos dando para subi-lo outra vez; o sabonete, a pasta de dentes, cada uma das coisas essenciais assinaladas, não será esquecida nenhuma que esteja ao nosso alcance resolvê-la.

 

Dispomos de 1 000 ônibus comprados; mas não para aplicar preços históricos.

 

Agora um número deles está indo de um lado para o outro resolvendo problemas vitais, como os assinalados aqui; outros chegarão nos próximos meses.

 

O transporte pode receber algum subsídio, mas não 90% de seu custo, que seria oneroso, mais bem deve ser mínimo. É preciso aplicar também a máxima racionalidade no salário, nos preços, nas aposentadorias e pensões. Zero esbanjamento. Não somos obrigados. Não somos um país capitalista, em que tudo foi deixado ao azar.

 

Subsídios ou gratuidade só nas coisas essenciais e vitais. Não serão cobrados os serviços médicos, nem a educação ou serviços similares. É preciso cobrar a habitação. Vejam quanto. Pode existir algum subsídio, pode havê-lo mesmo, mas o que se pague em um dado número de anos deve se aproximar do custo. Vocês dirão: E com que pagamos os custos? Uma parte importante com o que hoje está sendo esbanjado, e está sendo roubado, com as receitas não desprezíveis e cada vez maiores que o país irá recebendo. Tudo isso está ao nosso alcance, tudo pertence ao povo, a única coisa não permissível é esbanjar riquezas de forma egoísta e irresponsável.

 

Realmente, minha intenção não era ministrar uma conferência sobre temas tão sensíveis, mas teria sido um crime não aproveitar essa oportunidade para dizer algumas coisas que têm a ver com a economia, com a vida material do paìs, com o destino da Revolução, com as idéias revolucionárias, com as razões pelas quais iniciamos esta luta, com a força colossal que temos hoje, o país que somos e poderemos continuar sendo, e muito mais do que somos.

 

Não voltaria nunca a este lugar se estivesse mentindo ou estivesse exagerando. Eu gosto mais de fazer do que prometer. Em todo caso não tenho nada porque um homem sozinho não vale nada. Em todo o caso aproveito a experiência ou a autoridade que possa ter entre os compatriotas para travarmos batalhas. Temos milhões de cubanos prontos para a guerra do povo todo.

 

Disse que tínhamos atingido a invulnerabilidade militar, que este império não pode pagar a cota de vidas, não imaginada, e que talvez haja tantas ou mais do que no Vietnã, se tenta ocupar-nos, e já a sociedade norte-americana não está disposta a conceder a seus governantes o crédito de dezenas de milhares de vidas para aventuras imperiais. Vamos ver se chega às 3 00 no Iraque, já são mais de 2 000, e todos os dias chegam notícias piores para os que desataram a guerra.

 

E vamos ver o que acontece com essa porcaria do bloqueio, porque temos muitos norte-americanos que se queixam de não ter aceitado os médicos cubanos, a maioria queria isso, e as autoridades locais muito mais.

 

Vamos ver, porque vamos demonstrar-lhes que é melor que acabem de tirar essa porcaria, que jamais vai destruir a Revolução. E à Europa podemos dizer: Guardem a ajudinha humanitária hipócrita, guardem ela todinha, que não precisamos dela. Que grande coisa é poder dizer que não precisamos da Europa nem do império! Acabem quando quiserem, nem precisam acabar o bloqueio, porque nos ensinaram, nos forjaram, aprendemos a poupar, aprendemos a crescer, multiplicamos nossas forças para estarmos à altura da colossal dimensão do adversário.

 

Falo a vocês com toda a confiança com que lhes posso falar. Já falei de cada uma das tarefas principais das brigadas dos trabalhadores sociais e sua ação de grande impacto. Às vezes, tiveram que agir de improviso, com rapidez, disciplina e eficiência. Na Cidade de Havana foram milhares e mobilizávamos outros milhares como reserva.

 

Já estão realizando inúmeras tarefas. Se não forem suficientes, quantos estudantes tem esta universidade? A partir de agora digo o que já disse a eles: Se 28 000 não forem suficientes, nos reunimos com vocês, os estudantes da gloriosa Federação dos Estudantes Universitários, e vocês procuram mais 28 000 estudantes (Aplausos), e de mãos dadas com os trabalhadores sociais, que já vão adquirindo experiência, se temos que mobilizar todos, os mobilizamos, e se        56 000 não forem suficientes, nos reunimos com vocês e vocês procuram mais  56 000 de reforço.

 

Sabem quem os vai alojar? O povo, como em todos lados; o povo que já tem um altíssimo conceito desses rapazes, e já não haverá muitos que digam: “Isto não pode ser resolvido”, “isto não acaba nunca”. E junto de vocês, junto do povo estaremos demonstrando que se pode. E, vejam, acho que vamos ter muitos mais recursos e não só para satisfazer necessidades, mas sim para o nosso desenvolvimento, porque estamos administrando melhor. Muitas das coisas que fazemos, as estamos fazendo com os recursos que temos poupado. Já estamos poupando centenas de milhões de dólares, e a poupança dependerá do ritmo e da eficiência com que possamos fazer cada coisa.

 

Todos os dias aparecem coisas novas, e o que poupemos com a energia logo se converte em recursos. As termelétricas piores e menos eficientes do país vão parar. Porém, sempre estarão prontas para enfrentar qualquer contingência imprevista em uma etapa o seu andamento.

 

Só para produzir eletricidade o país gasta 3 800 000 toneladas de combustível cada ano. Nosso sistema elétrico tem hoje um aproveitamento de apenas 60%.

Não será construída nenhuma termelétrica mais. Serão construídas usinas que aproveitam o gás dos poços de petróleo, usinas de ciclo combinado, cujo custo pode ser amortizado em quatro ou cinco anos, cobrando a 10 centavos a eletricidade que, por exemplo, os hotéis possam pagar, se amortizam entre quatro e cinco anos e produzem depois o quilowatt a 2 centavos de dólar.

 

Jamais será construída uma usina como a “Antonio Guiteras”. Essas eram loucuras, tinham que estar saturadas de dogmatismos e esquemas. Num sistema que precisava produzir por volta de 2 milhões de quilowatts, comprar uma usina capaz de gerar 330 000, é concentrar em uma única usina mais de 15% da capacidade de geração efetiva, e quando se apaga, ou cai um raio, como aconteceu semana passada na “Guiteras”, o apagão, o blecaute, e o corte do fornecimento de eletricidade afeta a população e a economia. E até quando a Revolução devia resistir o disparate de uma concepção errada que existia acerca do sistema elétrico? Concepção que garanto não era exclusivamente de Cuba e hoje somos o primeiro país do mundo a descobrir isso e terão que vir para verem o que estamos fazendo.

 

Não quero acrescentar mais, porque devo dizer coisas de maior transcendência.

Vamos deixar de ser um país idiota e passar na frente de todos os demais. Quero advertir que estão caindo no mesmo engano e cometendo o mesmo erro.

 

Não, não quero enumerar. Prometo um dia contar a história a vocês, aos líderes estudantis, talvez aos que estamos aqui. Hoje não, hoje tenho que ficar calado, porque falar pode advertir, falar pode orientar o inimigo. Já, naturalmente, com o que estou dizendo temos coisas que não as podem impedir, como os dois milhões e meio de panelas de pressão que estão aqui ou a caminho, ninguém as pode parar, e o que está a caminho são coisas compradas na China. E a China não é uma ilhota, a China é um dos maiores países do mundo, convertido atualmente no principal motor da economia mundial, a China é um país que produz muitas coisas, e estamos discutindo outras compras e medidas de intercâmbio, que avança a um ritmo crescente.

 

Dizia-lhes que nosso crédito cresceu. Este país pode mobilizar bilhões de dólares, dissemos isso ao “Bushecito”, para que sua vida fique cada vez mais amargurada se assim deseja, e aos que andam armando intrigas; que digam o que quiserem amanhã, dos “pobrezinhos”, desse pessoal “tão nobre”, que roubava “tão pouquinho”, desses que cobram ao povo qualquer preço por qualquer coisa, eu lhes digo junto de vocês: “Paguem o combustível que estão consumindo”. Na realidade tudo isso que estamos oferecendo de graça ao camelô, que estamos dando de graça ao bandido aquele, ou ao pão-duro aquele, ou ao egoísta aquele que quer que nós demos 15 centavos em cada quilowatt que pague ele, por que? Que lei da economia mundial nos obriga a isso? E que estejam prontos, porque temos as contas bem calculadas. Já numa ocasião desvalorizamos o dólar, mas esse dólar está desfruindo de privilégios demais.

 

Naturalmente, nem o dólar nem os que estão roubando têm o Instituto de Meteorologia, nem têm Rubiera, estão soprando ventos de furacões, mas ninguém sabe o rumo que levam, se oeste nordeste e três graus mais para o norte ou para o sul, ou com ventos tais e tais. A única coisa que eu lhes digo è que é um furacão com força cinco (Risos). Um furacão com força cinco não deixa nada em pé, sem cometer um abuso, sem matar ninguém de fome, só com princípios muito simples: a caderneta de racionamento tem que desaparecer, os que trabalham e produzem receberão mais, comprarão mais coisas; os que trabalharam durante décadas receberão mais e terão mais coisas. E o país terá muito mais, mas não será jamais uma sociedade de consumo, será uma sociedade de conhecimentos, de cultura, do desenvolvimento humano mais extraordinário que possa ser concebido, desenvolvimento da cultura, da ate, da ciência, e não para armas químicas, com uma plenitude de liberdade que ninguém poderá tolher. Isso sabemos hoje, não é preciso proclamá-lo, embora sim lembrá-lo.

 

Temos ganhado esse direito de fazer o que vamos fazer hoje, e dispor de quase um milhão de profissionais, intelectuais e artistas, dispor de 500 000 estudantes nas nossas universidades, de todos os ramos da ciência, e que são qualificáveis e requalificáveis, podem passar de uma a outra atividade e serão capazes de muitas coisas.

 

Advirto-lhes que nossa sociedade vai ser na realidade uma sociedade totalmente nova. E nesta corrida de longa distância, já levamos muita vantagem aos que estão mais perto. Não é nenhum mérito, o mérito é do império, foi grande demais a ameaça contra nós, o desafio que nos impôs. O mérito é deles, a única coisa que fez nosso povo nobre, generoso, valente e inteligente foi responder e hoje responde, com a grande força de muitas inteligências desenvolvidas.

 

Hoje, quando falávamos aqui de 500 000, isso foi produzido em pouco tempo, faz apenas três anos, quantos havia aqui e quantos haverá amanhã.

 

Algo mais, teremos dezenas de milhares de estudantes latino-americanos nas escolas de medicina e só nosso país deverá formar os próximos 10 anos mais de 100 000 médicos. Já estamos lutando para criar o melhor capital médico do mundo, e não só para nós, para nós que temos formado e continuaremos formando, para os povos da América Latina e de outros povos do mundo que já estão nos pedindo para formar seus médicos, temos com que formá-los e ninguém os pode formar melhor. Temos desenvolvido métodos pedagógicos que nem sequer sonhávamos. Já veremos e rápido.

 

Não haverá só 12 000 estudantes de medicina na ELAM, já temos 2 000 jovens bacharéis bolivianos aqui; além dos da ELAM, um número deles lá em Cienfuegos, alojados em lares de famílias de Cienfuegos, sérias, com preparação profissional e cultura, cujo perfil psicológico foi estudado, bem como o perfil do estudante e da família do estudante, uma experiência nova e única.

 

Ontem falava disso com alguns, é a solidariedade convertida em riqueza colossal. Como se poderia albergar 100 000 estudantes de nível superior? E sabemos o que custa cada um deles, o que custa alimentá-los, o que custa alojá-los. Sabemos que construímos, na primeira etapa da Revolução, centenas de escolas de ensino secundário ou de segundo grau e de ensino pré-universitário, e hoje temos menos da metade da matrícula dos anos setenta, sabemos o que custa repará-las, o tempo que demora a reparação. Haverá muitas escolas de medicina de 400 ou 450 alunos com excelentes condições materiais, o equipamento necessário para os estudos, meios audiovisuais, programas interativos. Como sabemos, e o mesmo companheiro Machadito disse, que se ele tivesse esses recursos nos cinco anos em que estudou, teria podido adquirir em um ano os conhecimentos que adquiriu em cinco. Isso não significa que vamos formar um médico em um ano, mas sim um médico em seis anos que vai ter os conhecimentos que, através dos métodos tradicionais, teriam sido necessários 20 anos para adquiri-los. Estou pensando na qualidade, na qualidade!, vamos adquirindo-a cada vez mais.

 

Sabemos o que estão fazendo nossos compatriotas em todos lados, mantemos comunicação permanente com eles, os do contingente “Henry Reeve” e muitos outros. Existe uma bela história, que neste momento se desenvolve, como nunca antes na história e na vida de nossa Revolução.

 

Fico contente pensando que num dia como este, Dia do Estudante, e este dia que vocês, como quantas vezes queiram fazê-lo, escolheram como data móbil para festejar o 60º aniversário do meu ingresso nesta universidade, me sinta realmente bem espiritual e fisicamente ao me reunir com vocês. Eram muitas coisas que vinham à minha mente, e tive que ir ordenando as recordações de ontem e as idéias e hoje, e tendo muito cuidado para não dizer o que não devo dizer e dizer tudo o que é preciso dizer.

 

Acho, e estou discutindo isso com os companheiros e me comunicando com eles, que neste próprio mês temos que tomar algumas medidas, disse este próprio mês, não se deve perder um minuto, porque já estão chegando coisas por aqui ou por lá.

 

É preciso urgentemente desalentar e pôr freio ao esbanjamento de eletricidade. Vejam, um certo desalento, não é a fórmula definitiva, que essa é outra, mas começamos a distribuir já em massa um número de equipamentos, enquanto mais pouparmos, mas economizaremos energia e mais dinheiro começaremos a recolher nos fins deste mês e nos começos do próximo ano, mas se torna imprescindível entrar no mês de dezembro estabelecendo certo limite ao colossal esbanjamento de eletricidade.

 

Não, nem um centavo de aumento para os que gastem 100, um pouquinho mais para os que gastem 150, 200 e 300 quilowatts. Haverá quem gaste 300, sem dúvida, terá que pagar um pouco mais, mas não muito. Talvez esses que esbanjam, em vez de dois dólares tenham que gastar quatro por 300; mas não gastem muito mais de 300, apaguem as luzes, desliguem o ventilador, não deixem ligado o televisor. Não falei disso, temos um milhão de televisores, 40 000 na mão e outros chegando, 50 watts, para que não fique um só televisor a preto e branco.

 

Outro monte de poupança, temos um monte, um monte, um monte e mais um monte, testado em laboratórios, o que consome cada equipamento, tudo está medido e todos os cálculos ficaram por debaixo do que dão os números; não fica um detalhe, ou muito pouco, e todos os dias fazemos mais experiências, mais experiências e mais experiências. Já vamos implementar uma num município completo, o mais pobre, e por isso já entraram lá os trabalhadores sociais: também entra em Cienfuegos uma força trocando lâmpadas.

 

 Enrique, que dia vão tomar conta dos postos de gasolina dessa província? No importa, que o saibam, devem imaginar. (Enrique explica que será a partir do sábado, que já foram trocadas mais de 158  000 lâmpadas em Cienfuegos e o que resta será acabado amanhã).

 

(Entregam ao Comandante para a estudante da província La Habana duas lâmpadas de baixo consumo).

 

Vea, Enrique, vem cá, que isso não serve, o que ela tem na mão. Esta gastando eletricidade demais. Rápido, já estamos nos aproximando do fim.

 

Ah!, a garota está lá. Mas, este é de sete (Enrique lhe esclarece que é um de sete e outro de 15).

 

Não, mas ela tem dois de 60, não apagues a garota, não apagues a luz na casa da garota. Ela me disse que tinha dois de 60. Eu dizia que lhe deviam entregar dois de 15.

 

 Pega, você não, ela. Leva-as, diga que já você tem um (Entregam-lhe duas lâmpadas de 15).

 

Já sabemos o que poupamos no ano. Não é bobagem (Aplausos).

 

Vamos descontá-lo do que tem que pagar para subsidiar aquele que está lá. Estão mudando, quantas lâmpadas vão ser mudadas em Cienfuegos? (Enrique lhe responde que em Cienfuegos existiam 207 000 lâmpadas que deviam ser substituídas).

 

Quantas mais descobriram? (Diz que aumentou a procura e devem ser enviadas mais 100 000 para lá).

 

Tínhamos combinado que eram 150 000 de Havana. (Esclarece que já estão a caminho; que foram trocadas 158 000, com os 400 trabalhadores sociais que estão mergulhados na tarefa, mais 360 de reforço que enviaram. Ratifica que no sábado eles começam nos postos de gasolina).

 

Correto. E depois de amanhã os postos de gasolina. Tudo deve estar pronto, que de qualquer forma vamos descobrir o que compram as pessoas, e depois haverá umas máquinas de distribuição perfeitas, e o país saberá onde está cada máquina.

 

Quanto combustível se gasta com todos os que usam os carros, não só os caminhões, mas também até os carregadeiras frontais da construção, como aconteceu naquela ocasião? Quanto gastam todos os tratores do Ministério do Açúcar (Minaz)? Quanto gastam todos os tratores do campo, que são dezenas de milhar fazendo o papel de jipes, assim tão tranquilamente? Quanto gastam aqueles que, ao não bastar o queroseno, que é o combustível da imensa maioria, utilizam o diesel para cozinhar? São centenas de milhar, centenas de milhar e centenas de milhar.

 

Ao lado disso — advirto — máquinas totalmente novas, com capacidade de perfuração, nova técnica sísmica, que é muito moderna, perfurando em todos lados onde haja que perfurar e utilizando o gás dos poços para ir criando usinas geradoras de ciclo combinado que substituam para a vida toda a “Guiteras”, ou essas monstruosas usinas de Santiago de Cuba que consomem meio milhão de toneladas de diesel que produz a refinaria daquela própria cidade, gastando entre 300 e 350 gramas de fuel oil por quilowatt de eletricidade, ou essas máquinas engolidoras de diesel de San José de las Lajas que para produzirem 60 000 quilowatts nas horas de ponta gastam 400 gramas de diesel em cada quilowatt. Não fiquem assombrados no dia em que lhes diga: estão definitivamente retiradas, nenhuma enquanto existir o perigo de um déficit, porque temos que ir assegurando e assegurando. Inclusive, lá onde vai ser substituído um combustível por outro ficará, enquanto não tiver garantido este, garantido o anterior. Vão ser mudanças grandes.

 

Já disse que temos mil ônibus desses para distâncias longas, e terão seu custo. Ainda não agora, porque preferimos esperar. Às vezes é preciso esperar para que compreendam algo melhor; para que seja compreendida bem, por exemplo, uma medida, do que a Revolução precisa sempre é da compreensão e do apoio do povo aos passos que estamos dando, porque lhes garanto — repito isso aqui — que todo o povo receberá mais, todos os que trabalharam pelo país e pela Revolução receberão também mais; muitos abusos acabarão, iremos tirando o caldo de cultura a muitas dessas desigualdades, às condições que permitem isso, quando não tenhamos ninguém que tenha que ser subsidiado, teremos avançado consideravelmente no caminho rumo a uma sociedade justa e decorosa, que um socialismo verdadeiro e irreversível precisa.

 

O império sonhou que em Cuba seriam abertos muitos restaurantes particulares, pois pode ser que não fique nenhum, ou que vocês acham, que nos temos convertido em neoliberais? Nenhum de nós se tornou neoliberal; mas vamos demonstrar irrecusavelmente a crise de suas teorias, como temos demonstrado o fracasso do seu bloqueio, de suas agressões, de suas desestabilizações.

 

No ano que vem pode ser que haja menos abstenções, na votação contra o bloqueio nas Nações Unidas, embora já não fique nada, nada mais que o aliado fascista e genocida que sempre vota sem escrúpulo algum ao lado do império.

O mundo terá que travar uma batalha.

 

Ninguém deve ter direito de fabricar armas nucleares. Ainda menos o privilégio que pretende ter o imperialismo para impor seu domínio hegemônico e tirar aos países do Terceiro Mundo seus recursos naturais e matérias-primas. Temos denunciado isso mil vezes, mas não é a solução. A primeira solução para um país do terceiro Mundo é não ter medo nenhum, assim temos feito sempre e já começam a ficar desmoralizados.

 

Segundo, defenderemos a qualquer custo, nas tribunas internacionais, o direito dos povos de produzir o combustível nuclear e não teremos nenhum medo ou temor, vamos advertindo (Aplausos).

 

Deve acabar no mundo a prepotência, os abusos, o império da força e do terror. Este some diante da ausência total de medo e cada vez são mais os povos que têm menos medo, cada vez serão mais os que se revoltem e o império não poderá sustentar o infame sistema que ainda sustenta.

 

Um dia, Salvador Allende falou que mais cedo ou mais tarde, pois penso que mais cedo do que tarde esse império se desintegrará e o povo dos Estados Unidos terá mais liberdade do que nunca, poderá aspirar a mais justiça do que nunca; poderá usar a ciência e a técnica no próprio benefício e no da humanidade, poderá somar-se aos que lutam pela sobrevivência da espécie, poderá somar-se aos que lutam por uma oportunidade para a espécie humana à qual pertence.

 

É justo demais lutar por isso, e por isso devemos empregar todas nossas energias, todos nossos esforços, nosso tempo todo, para poder dizer na voz de milhões ou de centenas ou de bilhões. Vale a pena ter nascido! Vale a pena ter vivido!

 

(Ovação.)