QUEM SÃO OS CHAMADOS DISSIDENTES E

OS PRESOS DE CONSCIÊNCIA EM CUBA?

 



Logo depois do triunfo da Revolução, quatro décadas atrás, Os Estados Unidos - que já era a mais poderosa potência imperialista e os nossos vizinhos, localizados a 90 milhas de distância- nem por um instante têm desistido no seu empenho de dar cabo dela. É uma coisa que era julgada e continua sendo julgada como um fato consumado. O verdadeiro fato é que não o têm conseguido e sejam quais forem as circunstâncias não o conseguirão.

Foram empregadas as mais diversas estratégias e táticas, passando pelas mais brutais, que colocaram ao mundo à beira da guerra nuclear, até as mais subtis, para nos destruir, a partir do estrangeiro ou de dentro. O dinheiro, talvez a sua arma mais poderosa, não tem adiantado nada. Descobriram, muito cedo, que nem o povo cubano, nem os homens e mulheres, que chefiam este histórico processo revolucionário, podem ser comprados. As armas ideológicas espatifaram-se contra as idéias e convicções, demonstrando que são invencíveis.

Hoje em dia, o país vizinho é muito mais poderoso. É a superpotência hegemônica que reina no mundo unipolar. Uma vez desaparecido o bloco socialista e a URSS, ficamos sozinhos no combate em defesa da nossa trincheira, sem cedermos qualquer coisa. Alguns compatriotas, os mais fracos ideologicamente e menos capazes de resitir o rigor das exigências de uma luta tão heroíca, têm cedido; outros, muito mais experientes e aguerridos, multiplicam o seu moral, as suas forças e as suas convicção. Novos e valiosos combatentes e quadros jovens fazem parte das imbatíveis fileiras revolucionárias.

Nesta edição, vamos desmascarar a atual política dos Estados Unidos e demonstraremos os túrbidos e incríveis métodos que utiliza contra Cuba, muito subtis por vezes, subestimadores e desprezativos frequentemente, não poucas vezes grosseiros e tôscos, descarados quase sempre, arrogantes e prepotentes sempre.

Ao longo de muitos meses a Revolução tem sido alvo de uma intensa campanha de difamação pela iniludível necessidade de prender e colocar a disposição dos Tribunais quatro apátridas pelas suas atividades contra-revolucionárias cada vez mais desvergonhadas, em estreita ligação com funcionários do Governo dos Estados Unidos e a máfia contra-revolucionária de Miami.

Os Estados Unidos, como inúmeras vezes, é o principal promotor e organizador destas campanhas, cujos onjetivos estão localizados quer no estrangeiro, quer no interior do país.

No plano externo, o propósito é enfraquecer a influência e o prestígio crescente de Cuba na sua heróica e invencível resistência face à monstruosa guerra econômica levada a cabo pelos Estados Unidos contra o nosso povo; justificar essa guerra junto da opinião pública mundial que condena sua criminosa política e junto da própria opinião pública interna, cada vez mais contrária ao vergonhoso crime que se tem vindo comentendo contra Cuba desde há mais de 40; multiplicar os entraves às relações econômicas e ao desenvolvimento do país, submetido desde o começo do período especial a novas leis, emendas, táticas políticas e carris subversivos.

No plano interno, a promoção, com descaramento, da desestabilização e da subversão. Nisto emprega muitas fundos e meios técnicos para a emissão de milhares de horas de rádio e televisão, cada semana, voltadas para a nossa população. Mente, desinforma, lança palavras de ordem políticas e subversivas; instroi sobre as mais variadas formas de sabotagem econômico, apela ao roubo e o crime e tenta desmoralizar o nosso corajoso e combativo povo.

Para a implementação dos seus planos de subversão interna paga agentes, organiza e financia grupos, promove líderes que apenas são conhecidos no estrangeiro e totalmente ignorados no seu país. Se nos anos de Girón, o Escambray, a guerra suja e a Crise de Outubro promoveu mais de 300 organizações para colocar bombas, fazer sabotagens e organizar o banditismo armado, hoje tenta a criação de dezenas de grupúsculos que são apoiados, encorajados, divulgados, orientados e financiados por eles. Assim sendo, recebem fundos, fazendo com que as atividades contra-revolucionárias internas se tornem un ofício e um modo de vida fácil, tendo desenhado uma nova categoria de vadios, sem valores patrióticos, sem ideais sociais e humanos de qualquer tipo, sem idéia da justiça nem das realidades atuais do mundo, que não trabalham nem suam a camisa, nem produzem qualquer coisa, salvo intrigas, ilusões vãs, palavreado esvaziado de sentido, e, repetindo palavras de ordem e mentiras que lhes são fornecidas desde o estrangeiro, e recebendo o cheque por seu triste ofício de difamar à Pátria e denegrir a glória e o sacrifício heróico do seu povo. Criaram mecanismos que contribuem para a exaltação destas personagens no estrangeiro através dos seus órgãos de comunicação social. Não lhes tem faltado a cooperação de alguns jornalistas credenciados no nosso país e de determinadas agências de imprensa estrangeiras que desde Cuba têm a missão de encaminhar para o estrangeiro todas as intrigas, calunias e impudicícias lançadas por seus agentes assalariados com uma única ideologia, a do anexionismo, a vida marginal e o sonho de viver nalgumas das cada vez mais insustentáveis sociedades de consumo. Para eles foi aprovado um novo título nobiliário "dissidentes".

Se no exercício das suas atividades ao serviço de uma potência estrangeira tiverem muitos excessos, violando flagrantemente as leis com que o nosso povo cumpre e cumprirá o iniludível dever de salvar as conquistas da Revolução e os interesses mais sagrados da nação e do povo, e por isso são penalizados, então passam a ser "presos de consciência". Não são movidos pela consciência; move-os um instinto.

A abertura da Revolução, as entradas e saídas e as saídas e entradas dos membros da comunidade cubana no estrangeiro e os cidadãos que moram no nosso país; o turismo, o investimento compartilhado com capital estrangeiro, as remessas familiares do estrangeiro, as comunicações sem limite nem qualquer restrição e outras facilidades de comunicação e troca, são utilizadas no máximo pelo imperialismo para atingir os seus propósitos, no quadro das dificuldades e dos grandes sacrifícios que o rigoroso bloqueio e a guerra econômica nos impõem.

O julgamento contra os quatro arquétipos referidos verificou-se na segunda-feira passada. Em julgamentos de carácter interno, onde são julgados cidadãos nacionais por atividades contra-revolucionárias, não é comum autorizar e não foi autorizada a presença da imprensa estrangeira, alguns dos seus elementos credenciados temporaria ou permanentemente no nosso país, contribuiram muito, como depois veremos, para a conspiração e as campanhas de calúnias contra Cuba. Neste mundo de hegemonia unipolar, globalizado e convulso, cheio de contradições monopólicas, as multinacionais da informação, em feroz concorrência, buscam, é óbvio, as notícias, mas não necessariamente a verdade. A Revolução Cubana sempre esteve interessada na verdade mais do que na notícia.

Não costumamos utilizar as nossas páginas nas aventuras e vaivéns dos referidos delnqüente. Desta vez, contudo, achamos que é preciso e conveniente dedicar-lhes um espaço, por constituirem uma prova, denúncia e desmascaramento da política dos Estados Unidos contra Cuba.

Gramma teve acesso a vasta informação dos peritos, procuradores e pessoas que assistiram ao julgamento, documentos e material de prova apresentados, pormenores precisos sobre o desenvolvimento do processo e dos fatos julgados na segunda-feira pelo Tribunal.

O julgamento desvendou, com absoluta nitidez, tudo o que estava escondido por trás das atividades dos quatro acusados: Vladimiro Roca Antúnez, Martha Beatriz Roque Cabello, Félix Antonio Bonne Carcassés e René de Jesús Gómez Manzano, que não conseguiram contestar nenhuma das acusações formuladas.

Os mesmos advogados da defesa ficaram na difícil tarefa de encarar a gravidade dos fatos e a força das provas, circunscrevendo, inteligentemente, o seu alegato a elementos técnico-jurídicos para pôr em causa a coincidência dos fatos comprovados com a tipicidade definida no artígo do Código Penal arvoradodo pela brilhante acusação da procuradar, que representou o povo nesse julgamento, isto é, o carácter sedicioso ou não de tais fatos. Na verdade, eles não são inculpados de sedição, senão de terem incitado à sedição.

O que é que fez o imperialismo logo depois que foram presos?

Evidentemente, antes do mais, como era lógico, desencadear uma grande campanha publicitária internacional em favor de quatro "pacíficos dissidentes" e "presos de consciência" injustamente arrestados.

O governo dos Estados Unidos, para além da campanha publicitaria, costuma utilizar pressões de todo tipo, toda vez que alguém que trabalha para eles se depara com dificuldades desta natureza, em decorrência das suas atividades, apresentando-se mais ativos enquanto maior for o interesse e a avaliação da tarefa que levada a cabo. Costumam utilizar personalidades políticas que mantêm relacionamento ou amizade com Cuba, exigindo-lhes que façam gestões em favor dos rapidamente conhecidos, até famosos e inocentes "presos de consciência".

A partir da prisão dos quatro cidadãos supracitados, cada visitante ocidental de renome que se deslocava a Cuba, recebiam uma lista dos "presos de consciência", enviada pelo Departamento de Estado, onde são incluídos, de forma ineludível, em primeiro lugar, estes quatro elementos, fazendo apelos para que pressionassem em favor da sua libertação. Faz parte, invariável, do jogo sujo. Alguns visitantes, com maior o menor embaraço, faziam isso. O nosso governo se manteve firme e não cedeu.

A experiência ensina cada vez mais - e esta em particular, como vocês poderão ver a seguir- que a generosidade, muitas vezes demonstrada pela Revolução nem sempre gera os melhores frutos. Confunde-se seu aberto espríto humanitário com a obrigatória concessão face à guerra econômica e à chantagem imperial. Eles, no entanto, jamais aceitam a libertação de um patrióta porto-riquenho condenado a pesadas penas de prisão, ou a comutação da pena a um negro ou mestiço americano ou a alguém de origem latino-americana condenado à pena de morte, que são, quase sem excepção, os únicos assim penalizados nos Estados Unidos.

Para compreender esta história, tem de se partir de um documento publicado em Miami, em maio de 1992, assinado por algumas das mais conhecidas organizações contra-revolucionárias e terroristas que tenham agido contra o nosso país a partir dos Estados Unidos. Sob o título de "CARTA ABERTA AOS INVESTIDORES ESTRANGEIROS", cujo teor é o seguinte:

"Nós, na altura, tomaremos todas as medidas que couberem para encorajar e garantir a correta proteção dos investimentos privados numa Cuba democrática, e também vamos considerar, com a devida responsabilidade, as legítimas obrigações da dívida internacional. Contudo, somos do parecer que todo investimento feito em Cuba, sob as atuais circunstâncias, não merecerá o amparo das leis que formular um futuro governo cubano para a proteção da propriedade privada. Julgamos que esses investimentos deverão ser considerados como parte do patrimonio nacional, e nessa qualidade poder-se-á dispor deles livremente. Os investidores devem levar em conta que, em muitos casos, participam em "joint ventures" ou assinam acordos com entidades ou organismos que, com toda probabilidade, já não existirão mais".

[...]

"Achamos ser importante que a comunidade internacional de investidores conheça as nossas intenções, e que aquelas que estejam pensando em investir em Cuba, se apercebam, plenamente, da responsabilidade política dos seus atos, e os riscos que podem acarretar. Sabemos que a nossa posição é compartilhada por grupos políticos dentro de Cuba, que por razões óbvias, não podem inserir as suas assinaturas neste documentos".

É assinado entre outras, por cinco das mais importantes organizações terroristas: "Cuba Independiente e Democrática", a "Fundación Nacional Cubano-Americana", o "Directorio Revolucionario Democrático Cubano", o "Ejército Rebelde en el Exilio" e o "ex Club Asociación de Prisioneros e Combatientes Cubanos".

Por outro lado, numa carta datada em 15 de Outubro de 1994, endereçada aos invstidores estrangeiros em Cuba pela conhecida Fundação Nacional Cubano-Americana, dizia-se: "[...] desejamos informar-lhes que os seus investimentos ou gestões comerciais em Cuba são avaliadas como um ato de cooperação com um sistema totalitário" [...] "Isso sem ter em conta, também, que o seu investimento é feito em absoluta contradição, menoscabo e desprezo dos direitos de propriedade dos antigos proprietários da terra, instalação ou negócio.

"Todas as organizações democráticas de oposição ao atual regime cubano, quer dentro de Cuba, quer no estrangiro, coincidimos em que os recursos financeiros, ou de outra natureza, investidos em Cuba passarão a fazer, em uma Cuba pós-Castro, parte do património nacional e serão colocados à disposição do novo governo para que o mesmo disponha deles conforme os melhores interesses da nova república."

"[...] suas atividades empresariais, comerciais ou econômicas em Cuba, para além de constituir uma atividade ilegítima, [...] são consideradas imorais [...]

"Fica à sua decisão retirar-se ou não investir na Ilha e aguardar uma oportunidade certa numa Cuba democrática. Caso contrário, deverá encarar as conseqüências [...]

Esta carta foi assinada pelo tristemente célebre Jorge Mas Canosa que na altura chefiava a FNCA.

Para além destas ações, numa carta datada em 10 de abril de 1997 em Cidade de Havana, assinada por Vladimiro Roca Antúnez, Martha Beatriz Roque Cabello, Félix Bonne Carcassés e René Gómez Manzano, endereçada a todos os empresários estrangeiros comunicava-lhes o seguinte: "Em um prazo que cada vez se torna mais curto, verificar-se-á uma transição para a democracia no nosso país, isto aconselha a tomada de medidas que venham evitar que o investimento atual de capitais possa ser avaliado, nesse futuro próximo, como uma forma de cumplicidade com a promoção dos males com que se debate à sofrida população cubana." Como podem ver, há uma exata coincidência, quase que textual, entre a transcrição do parágrafo da carta das referidos personagens e as cartas das organizações terroristas de Miami e da Fundação Cubano-Americana assinada por Mas Canosa, com o pérfido objetivo de travar o desenvolvimento e a economia do país em pleno período especial.

A 10 de abril de 1997, em um "APELO AOS COMPATRIÓTAS DO EXILIO", datado em Cidade de Havana e assinado por Vladimiro Roca e os restantes três membros do grupo se diz:

"[...] Ainda é presente o debate sobre a conveniência ou não envio da ajuda às famílias e amigos dentro da Ilha. [...]

Visamos nos manifestar sobre o impacto que tais remessas poderiam vir a ter no intuito de afogar as vozes de muitos que, dentro da Pátria, não concordam com o regime comunista.

"Essa ajuda, na maioria dos casos, é enviada por pessoas que se exilaram por se oporem ao sistema, e os que a recebem cá têm critérios semelhantes; contudo, o fato de obterem essa renda adicional tem levado, na prática, a que muitos desses últimos adoptem uma posição de aparente indeferença face à crise nacional.

"Perante esta realiadade, gostávamos de nos dirigir àqueles que, apesar das críticas, apoiam economicamente os seus seres queridos que residem no país. Chamamos a atenção para o fato de enviarem, conjuntamente com o dinheiro, firmes apelos para que os destinatários adiram a luta pacífica pela mudança, isso traduzir-se-ia no aumento dramático dos que em Cuba enveredaram por esse caminho.

"Se uma parte desses destinatários da ajuda abandonasse as denominadas "organizações de massas", deixando de fingir um apoio ao regime do qual não gosta, não participásse mais nos comícios políticos convocados pelo governo e se recusasse a participar nas "eleições à comunista", onde nada é eleito, se bem que não é obrigatório votar, isso iria representar um grande apoio à luta pacífica que se trava dentro da nossa Pátria pelo consecução da mudança."

[...] "Cabe justamente aos irmãos exilados que enviam essa ajuda influir sobre os seus parentes e amigos para que os mesmos compreendam essa simples realidade e ajam em consequência [...] Fraternalmente,

"Félix A. Bonne Carcassés

"René Gómez Manzano

"Vladimiro Roca Antúnez

"Martha B. Roque Cabello."

Não levou muito tempo para que a máfia extremista de Miami reagisse.

Um dos mais acérrimos promotores da guerra económica contra Cuba e das leis Torricelli e Helms-Burton , o congressista federal pela Florida, Lincon Díaz-Balart, em conversa com Luis Fernández, moderador do programa "Rueda de Prensa", de Rádio Martí, louvou calorosamente o trabalho feito pelo grupo que fez o apelo para a utilização das remessas enviadas dos Estados Unidos, em troca, de que os receptores das mesma fazam três coisas no mínimo:

Em entrevista concedida por Vladimiro Roca ao jornalista Álvaro de Insua, no programa "Las noticias como son", da emissora Rádio Martí, por ocasião da primeira conferência de imprensa convocada por aquele grupo, em 5 de maio, verificou-se o diálogo a seguir: Jornalista da emissora contra-revolucionária: "Vladimiro Roca, Presidente do Partido Social-democráta, é o encorajador de uma convocação para o abstencionismo eleitoral. Qual o papel do exílio cubano nesta convocação?"

Resposta de Vladimiro Roca: "Um dos primeiros trabalhos da convocação, que foi o Apelo aos Irmão do Exílio para que o pessoal que envia remessas aos cubanos que cá estão, lhes peçam que, por favor, utilizem a abstenção de modo a acelerar, ainda mais, a democratização, isto é, que os pressionem com a questão do envio das remessas, se eu estou mandando-te dinheiro, tu estás melhor do que os outros, faz alguma coisa para que isto mude! E é uma coisa muito simples, abster-se, não votar."

Enquanto o governo de Cuba autoriza as remessa, que nunca aceitara antes do período especial, por ser fonte de desigualdade social, é indignante que estes "dissidentes" submetam os seus parentes, que as enviam e os que a recebem, a tão ultrajantes condições e exigências, e que seja dito, além disso, que a maioria dos que as recebem pensam como eles e devem deixar de fingir.

Mais uma vez, a 15 de maio de 1997, aquele grupo lança ao ar, isto é, aos meios massivos de publicidade ianques uma DECLARAÇÃO onde exprime:

"Algumas semanas atrás, o nosso grupo de trabalho deu a conheccer a essência da sua posição face ao processo eleitoral anunciado daqui a alguns meses, exortando os nossos compatriotas para fazer em uso do seu direito de não comparecer nas urnas. Propomo-lo porque achamos que é o mais adequado na cojuntura atual, visto que o governo utiliza o número de votantes para medir o apoio popular que eventualmente possui, ao permitir que pessoas sem escrúpulos manipulem os resultados eleitorais, contando como válidos os votos anulados, porque votar significa legitimar um processo que -por não ser pluralista- apenas é legítimo para o sistema comunista e pecaríamos de muito ingénuos se o comparássemos com aquele dos países verdaderamente democráticos.

"A outra alternativa aberta àqueles que não concordam com a política governamental, é a anulação do voto, com efeito, não precisa de apelos, nem de campanhas da oposição, pois producir-se-á expontaneamente entre aqueles que, contra a sua vontade, se sintam obrigados a votar."

Em julho de 1997 redigem um "APELO AO POVO CUBANO" em que se sustenta: "Nosso grupo de trabalho reitera o apelo feito, no sentido de exortar os cidadãos para não votar, com isso não estarão infringindo disposição alguma. Sabemos que isto não é fácil, porque, mesmo que não seja obrigatório fazê-lo, as autoridades pressionam, de mil maneiras, os cidadãos para o fazerem, e assim poder apresentar, depois um elevado índice de participação, como uma suposta amostra de apoio ao sistema. Estamos cientes de que aqueles que têm emprego ou gozam de qualquer vantagem, estão com o receio de perdê-la, quem tem filhos menores, receia prejudicar, de algum jeito, o seu futuro se não agir como o regime espera dele. Mas estamos confiantes, também, de que o povo ultrapasse o medo e aproveite esta pequena possibilidade para demonstrar sua vontade de mudança pacífica."

Logo a seguir afirmam:

"Quase não é preciso assinalar que quem não comungar com o sistema, e apesar de tudo, vão às urnas, exortamo-los para anular seu voto, escrevendo a palavra "NÃO". Devemos advertir, no entanto, que dado que nos colégios eleitorais não haverá representantes da opisição, nem observadores internacionais, estamos certos de que parte desses votos nulos podem ser alterados ou manipulados por pessoas sem escrúpulos, coisa que não poderão fazer com aqueles que se abstiverem."

Este material pela sua infâmia e a eventual possibilidade de que os votos nulos sejam alterados ou manipulados, ao se referirem à eleições onde as urnas são vigiadas pelos pioneiros e a contagem é feita diante de todas as pessoas que queiram assistí-las, como é conhecido por milhões de cidadãos deste país, que participaram em 12 eleições, incluindo o plebiscito, desde 1976, ao longo de 23 anos, sem um único caso de fraude conhecido, não precisam de qualquer comentário.

A simples idéia de que uma criança cubana possa sofrer as consequências pelo fato do seu pai não ter votado, simplesmente é repugnante.

A 11 de julho de 1997 René Gómez Manzano endereçou uma carta ao senhor Frank Calzón, que transcrevemos a seguir:

"Sr. Frank Calzón

"1318 18 St. N.W.

"Washington, DC 20036

"Phone (703) 998-8384

"(202) 296-5101

"Prezado Frank:

"Aproveito a grata ocasião para apresentar-te os meus calorosos comprimentos.

"Há pouco cá esteve o recém formado da Mãe Pátria, que vinha enviado por ti. Como me disse que tinha interesse em temas de economia, que é a sua especialidade, dei-lhe as coordenadas da Martha Beatriz.

"Ele entregou-me duzentos dólares (USD $200.00) enviados pela senhora Bette" [ a mesma emissária que trouxe um computador enviado pelo Sr. Calzón]. "Agradeço-lhe imenso e agradecer-te-ei se o comunicar.

"Como deves conhecer, uma semana atrás chegaram os convites do embaixador Groth [relator especial contra Cuba que os Estados Unidos conseguiram impor na Comissão dos Direitos Humanos em Genêbra] "para o visitar em Nova Iorque, em Agosto. Não acho que isso seja possível, sabe-se que o governo cubano não costuma aprovar esse tipo de "licenças de saída", mas de qualquer jeito, tudo fazemos para tal. Tomara que me eu engane e tenha o prazer de comprimentar pessoalmente vocês e outros amigos daquelas terras nortenhas.

"Mais uma vez obrigado e um abraço de,

"René

"René Gómez Manzano."

Anexação pura!

Quem é Frank Calzón?

De origem cubana, foi recrutado pela CIA quando frequentava o curso da Universidade de Georgentown. Esteve nas fileiras da organização terrorista contra-revolucionária "Abdala", passando, depois, para cargo de Diretor Executivo da Fundação Nacional Cubano-Americana. Forçado a dimitir-se por conflitos con seu chefe principal, passou a encabeçar o programa "Transição para uma Cuba Livre" da chamada Fundação Freedom House.

Como fora largamente noticiado, a 6 de Outubro de 1995, o Presidente Clinton entregara-lhe, pessoalmente, diante da imprensa, meio milhão de dólares destinados à compra de computadores, equipamentos de fax, publicações e dinheiro para os grupos que se opunham dentro de Cuba ao Estado cubano. Esta entrega verificou-se cinco meses e seis dias antes de que o Presidente dos Estados Unidos assinasse a Lei Helms-Burton.

Em agosto de 1997, foi preso em Cuba e deportado para os Estados Unidos David Norman Dorn, emissário de Frank Calzón, que trazia equipamento técnico e instruções para os grupúsculos existentes em Cuba, tendo-se-lhe apreendido na ocasião um computador, rádios de longo alcance, várias máquinas fotográficas e dois mil dólares em efectivo, após ele ter distribuído grandes montantes e equipamentos a vários grupos, entre os quais o de Vladimiro Roca.

Em decorrência do escândalo, no final de 1997, Calzón abandona a Freedom House para criar uma nova organização sob o nome de "Centro para uma Cuba Livre". Recebeu logo 400 mil dólares da parte do governo dos Estados Unidos.

Na verdade, esse agrupamento tem já recebido importantes recursos financeiros e técnicos. Apesar de que nenhum deles trabalhou durante vários anos, têm níveis de vida bem por cima do cidadão médio. A tal ponto, que um deles, sem ter gasto um só pingo de suor em muito tempo, mantém quatro casas diferentes, como um sui generis Sultão da "dissidência", despesas essas que são custeadas pelo Tesouro dos Estados Unidos.

Ao serem interrogados sobre a procedência daqueles fundos, se recusam a responder com exatidão. Argumentam que são donativos feitos por amigos e companheiros de luta do exílio.

Em 27 de Junho de 1997, no decurso de uma conferência de imprensa concedida a jornalistas estrangeiros, convocada por aquele agrupamento na residência de Martha Beatriz Roque, para tornar público um outro dos seus documentos, o velho traidor Hubert Matos, Secretário Geral do "Cuba Independiente y Democrática" - uma das organizações terroristas mais agressivas contra o nosso país, envolvida em planos de atentados contra os dirigentes da Revolução e que já realizou sabotagens e ataques contra instalações econômicas no nosso território- declarou textualmente:

"Este é um documento muito objetivo, com indicações muito concretas." "Assinámo-lo, na íntegra, em nome de "Cuba Independiente y Democrática."

Ainda no decurso daquele programa, conversando com Martha Beatriz, disse eufórico e entusiasmado: "Vocês vão receber uma solidariedade muito grande".

A supracitada conferência de imprensa, em Havana, fazia parte de um programa simultáneo, coordenado pela Rádio Marti com mais dois grupos de jornalistas situados, respetivamente em Miami e Washington.

Huber Matos estava com José Basulto, cabecilha dos "Hermanos al Rescate" (Irmãos ao Resgate), um dos fornecedores de fundos da ordem de quatro algarismos para os muito "patrióticos" gastos pessoais do "dissidente" Vladimiro Roca.

Quando foi detido, na sua residência foram também achados, entre outros objetos, um bonê e um t-shirt do movimento "democracia", uma carinhosa lembrança enviada a Vladimiro Roca pelo velho terrorista Ramón Saúl Sánchez, chefe daquele agrupamento contra-revolucionário e coordenador das frotilhas que levam a cabo as provocações por mar nos limites das águas jurisdicionais de Cuba, inúmeras vezes violados.

Vale assinalar que este senhor Ramón Saúl Sánchez, com 24 anos de idade, foi o chefe de uma organização terrorista dotada com o idílico nome de "Jóvenes de la Estrella" (Jovens da Estrela), enquadrada em um grupo de organizações contra-revolucionárias denominado CORU, reunidas pela CIA sob o comando de Orlando Bosch, onde Raúl Saúl Sánchez chegou a ser o vice-chefe.

É bom recordar que essa organização, sob a direção da CIA, levou a cabo gravíssimos atos de terrorismo contra nosso país, entre os quais salientam-se:

Ano 1976. Seis de abril. Dois barcos pesqueiros, "Ferro-119" e "Ferro-123" foram atacados por lanchas piratas provenientes da Florida, matando o pescador Bienvenido Mauriz e causando graves danos às embarcações.

22 de Abril. É colocada una bomba na Ambaixada de Cuba em Portugal, que matou dois companheiros, vários outros receberam ferimentos graves e o local ficou completamente destruído.

5 de Julho. A missão de Cuba junto da ONU foi alvo de um atentado con explosivos que causou grandes perdas materiais.

9 de Julho. Uma bomba explode numa carruagem carregada com as bagagens do vôo da Cubana de Aviação, no aeroporto de Jamaica, pouco antes de terem sido transbordadas. Quer dizer, só por um acaso não explodiu no ar, nesse dia, um avião de Cubana que devia carregar aquelas bagagens.

10 de Julho. Uma bomba explode nas repartições da British West Indies, em Barbados, firma que representava os interesses da Cubana de Aviação naquele país.

23 de Julho. Um técnico do Instituto Nacional das Pescas, Artagnán Díaz Díaz, foi morto na tentativa de sequestro do cônsul cubano em Mérida.

9 de Agosto. Dois servidores da Embaixada de Cuba na Argentina foram sequestrados sem que até aqui se tivessen recebido quaisquer notícias deles.

18 de Agosto. Uma bomba explode nas repartições da Cubana de Aviação no Panamá, causando graves danos materiais.

6 de Outubro. O mais monstruoso de todos os crimes. Foi destruído em pleno vôo um avião da Cubana de Aviação com 73 pessoas a bordo.

Como são pacíficas as intenções e beatíficos os amigos de Vladimiro Roca y seu bando de quatro "dissidentes" atualmente "presos de consciência"!

A 3 de Junho de 1997, chega a Cuba o chefe do Gabinete dos Assuntos Cubanos no Departamento de Estado, Michael Ranneberger. Após ter solicitado autorização para realizar "trabalhos internos na Repartição de Interesses", foi pedida e aprovada a realização de encontros com responsáveis do Partido Comunista e do Governo cubanos. O seu comportamento se afastou logo dos assuntos internos da Repartição de Interesses, passando a se ocupar completamente dos assuntos internos de Cuba. Isso deu lugar a que, no dia 17 de Junho de 1997, o Ministerio das Relações Exteriores de Cuba apresentasse um vigoroso protesto oficial, vários de cujos pa_ágrafos transcrevemos a seguir:

"O Sr. Ranneberger, em aberta atividade de ingerência, manteve vários encontros com cabecilhas de ilegais agrupamentos contra-revolucionários, onde apelou para a subversão interna e a realização de atentados contra a ordem constitucional da República de Cuba. Prometeu ajuda econômica e apoio material e logístico para tais propósitos, avaliado em mais de um milhão de dólares americanos, conclamando para a realização de atos de desobediência civil, abstencionismo político e intermediação estrangeira nos processos eleitorais de Cuba.

"O Sr. Ranneberger deu, também, instruções àqueles contra-revolucionários sobre como agir tanto no interior como no exterior do país. Encorajou um deles a se promover como dirigente, exortando-o a desempenhar um papel de liderança na obediência mercenária à agressão do Governo dos Estados Unidos contra Cuba.

"O Ministério do Interior apurou, igualmente, que o Sr. Ranneberger teve vários encontros com representantes de empresas estrangeiras sediadas no país, tentanto presioná-los e impor-lhes as formas para negociar com Cuba."

No dia 9 de Junho, ainda no decurso da visita de Ranneberger a Cuba, que iria terminar no dia seguinte, Vladimiro Roca, encorajado pelos estímulos de tão prestigiado visitante, o qual lhe tinha concedido a grande honra de o ter recebido por mais de duas horas, na companhia de Martha Beatriz Roque Cabello, Félix Bonne Carcassés, René Gómez Manzano y outros cabecilhas contra-revolucionários, entre os quais Osvaldo Payá y Odilia Collazo, estabeleceu contato com a Rádio Marti para transmitir um assunto extremamente grave: seu apoio à internacionalização do bloqueio contra Cuba. Alegre e comprometedora, talvez sem ter avaliado o teor e o alcance de suas palavras, a emissora transmitiu na integra, na própria voz de Vladimiro o texto seguinte:

"Posso te dizer que, no meu entender, foi uma reunião muito boa, pois que decorreu num clima caloroso mesmo; havia um clima tranqüilo, sossegado e, sobretudo, pelas questões que abordamos. O que mais me chocou foi a forma em que o Sr. Ranneberger nos informou sobre a política do governo dos Estados Unidos para com Cuba e os esforços que estava envidando a fim de estruturar uma política comum com os países de Europa e América, ao qual expressamos o nosso apoio, visto que se torna necessário levar o problema para fora de Cuba, para o não ver mais no mundo como un confronto entre Cuba e os Estados Unidos, como um confronto entre ambos governos, tendo antes que ser visto como um problema entre o governo e o povo cubano no interior de Cuba, e não apenas com a oposição. Essa uma das partes que, no meu entender, teve maior relevo. Nós ratificamos o nosso apoio a essa política; uma outra foi ter-lhe informado o que estamos fazendo, como oposição no interior de Cuba, a fim de tornar mais célere o processo de democratização do país, referindo-nos não só à convocação do forum internacional que fizemos e a outros trabalhos, como também ao apelo, que você conhece, para a abstenção nas eleições. Ranneberger manifestou grande interesse em conhecer os pormenores daquilo que estamos fazendo. Foi esse um encontro de intercâmbio muito bom e, sobretudo, marcado pelo respeito, tornando-se evidente que a oposição cubana está sendo reconhecida e respeitada internacionalmente. Na verdade, isso constituiu um estímulo muito grande para levar adiante nossa luta posterior, na tentativa de alcançar a democratização do pais no mais breve prazo. Digo-te, novamente, que foi um encontro muito positivo e acho que vai ter bons resultados no futuro, para Cuba e para nós."

No termo das declarações de Vladimiro Roca, o entrevistador esclaresceou:

"Foi o dissidente Vladimiro Roca, referindo-se à importância do encontro mantido por um agrupamento da dissidência cubana com Michael Ranneberger, funcionário para os Assuntos Cubanos do Departamento de Estado." O método costumeiro de Vladimiro Roca para promover sua propaganda contra-revolucionária no exterior era se servir de frequentes entrevistas e declarações prestadas à Rádio Marti, que estava ao seu dispor. Em apenas um semestre, utilizou em 71 ocasiões os microfones daquela infame rádio contra-revolucionária, emissora oficial do governo dos Estados Unidos, tendo como média uma intervenção cada 2,5 dias, intervenção que era transmitida quatro vezes por dia, desde que fosse uma notícia e duas vezes se fosse um espaço de opinião. Acrescente-se mais 24 intervenções de Martha Beatriz, 13 de Gómez Manzano e mais 12 de Bonne Carcassés, para um total de 120 intervenções no período decorrido entre o primeiro de janeiro e o primeiro de junho de 1997. Note-se que tais declarações eram também reproduzidas por outros órgãos de comunicação social dos Estados Unidos e pela imprensa internacional.

Mas, ainda insatisfeito com essas façanhas, e sensivelmente encorajado pelas suas estreitas relações com os funcionários do governo dos Estados Unidos, em certa altura, aquele agrupamento decidiu a convocação de conferências de imprensa na casa de Vladimiro Roca ou de Martha Beatriz, as quais eram assistidas alegre e felizmente por um grupo de jornalistas estrangeiros, quase sempre os mesmos. Assim sendo, deram-se ao luxo de, em ocasiões classificadas de relevo -tal como no caso da conferência coordenada em simultáneo- transmitir para o exterior todo gênero de infames documentos e declarações.

Supunha-se que a Revolução devia suportar tão desvergonhadas provocações. Supunha.se que o poder do império, seus aliados e seus órgãos de comunicação social não podiam ser desafiados.

Para além das reiteradas visitas pessoais realizadas a Vladimiro Roca pelo Chefe da Seção de Interesses, Michael Kozak, ele era também o primeiro que o parabenizava logo depois de toda agressiva conferência de imprensa. Era tal a familiaridade do distinto "dissidente" para com a Repartiçâo de Interesses dos Estados Unidos que, em 25 de Fevereiro de 1997, endereçou uma nota pessoal a Steve Rice, funcionário daquela Repartiçâo, em que lhe dizia o seguinte:

"Caro Steve: "Estava precisando de que você fizesse 10 fotocópias do documento que te mando, como é lógico, uma ou mais fotocópias são para você, eu preciso de 10.

"Uma outra coisa, o senhor Marcos López, residente em Miami desempenhando-se como correio nosso e do CCIS, está aqui, encarando um pequeno problema que gostaria de analisar com algum funcionário da SINA. Se você puder marcar um encontro com o cônsul até o dia 5 de março, eu ficaria muito grato. Se a resposta for positiva, me liga e me diz o dia em que ele deve lá ir.

"Preciso também que me mande mais alguns exemplares do ‘Plano de Apoio...’ Tem grande procura e tudo faço para que o receba o maior número possível de pessoas.

"Um fraternal e grande abraço.

"Vladimiro Roca."

A atitude ingerencista da Repartiçâo de Interesses dos Estados Unidos não podia ser mais provocativa. Antes de mais, máxima proteção para seus cúmplices, boa remuneração e materialmente estimulados, essa era a divisa.

Em todo julgamento em que são julgados crimes do gênero, a Repartiçâo de Interesses convoca um pequeno grupo dos seus assalariados "dissidentes" e manda ao referido local servidores americanos que, aberta e impudicamente, tentam promover algum confronto com as autoridades e o povo, ato que seria assistido à vontade por vários jornalistas estrangeiros acreditados em Cuba para fotografarem e publicarem as imagens. Onde quer que haja a mais mínima hipótese de surgimento de um conflito, ali sempre está presente um funcionário ianque com uma máquina de filmar. São costumes da superpotência hegemónica, poderosa no terreno militar, muito fraca no terreno moral e torpe demais do ponto de vista político. Um gigante atoleimado e impotente que jamais poderá vencer um pequeno adversário. O seu comportamento deve ser denunciado, de provas na mão, diante da opinião pública internacional. Teimam em ignorar a inteligência, a capacidade de luta, a elevada moral, a determinação e a coragem do nosso povo.

O mais vil insulto à história da nossa Pátria registrou—se passados oito días da a visita de Ranneberger. Numa declaração assinada pelos quatro, largamente divulgada pelos órgãos de imprensa internacionais, ao se referir ao documento-base do V Congresso do Partido Comunista de Cuba, assinalaram textualmente o seguinte:

"Como bem afirma o documento, <tudo começou a mudar em 26 de Julho de 1953>, não devemos deixar de salientar que, com efeito, nesse dia, pela primeira vez em muitos anos, foi derramado tanto sangue cubano. Até então, as mortes ocorridas na luta política sob o governo de Batista podiam ser calculadas com os dedos de uma mão. Para se achar na história de Cuba um dia tão lutuoso e fraticida como esse, teríamos que nos referir a vários decénios atrás. Apesar de ser uma data tão triste, assume-se como um dia de folga, sendo assinalado aquilo que supomos mereça o repúdio inclusive dos próprios familiares dos mártires."

Isso é tudo. Desse modo é interpretada a história de Cuba. Nem sequer uma palavra sobre as dezenas de prisioneiros assassinados no quadro de uma orgia de sangue que teve início naquele próprio dia, prolongando-se durante cerca de uma semana; nem sequer uma única referência aos inúmeros expedicionários do Iate Granma, assassinados logo depois da separaçao do combate de Alegria de Pio, nem aos líderes sindicais e outros militantes revolucionários assassinados na parte norte de Oriente, em dezembro de 1956, fato batizado pelo povo como o "Páscoa Sangrenta"; nem ao massacre total dos expedicionários do iate Corynthia; nem àqueles que foram igualmente chacinados no quartel Goicuria; nem aos que foram assassinados em 13 de Março de 1957, logo depois do ataque ao Palácio Presidencial; nem às chacinas de centenas de camponeses perpetradas pelas tropas sanguinárias de Sánchez Mosquera e Merob Sosa na Sierra Maestra; nem aos assassinados quando da greve revolucionária de 9 de Abril de 1958; nem sobre os milhares de jovens combatentes clandestinos mortos a sangue frio pela ditadura batistiana ao longo do país, muitos de cujos mais conhecidos vitimários acharam depois refúgio nos Estados Unidos, vários dos quais, ainda hoje, continuam agindo contra a Revolução. Nem sequer uma única palavra sobre aqueles que, depois do triunfo do Primeiro de Janeiro, foram mortos quando da sabotagem ao navio La Coubre, ou nos heróicos combates da Baia dos Porcos, nas batalhas travadas no Escambray e noutras zonas do país contra o banditismo organizado e financiado pelos Estados Unidos; nem sobre os passageiros e a equipe juvenil esgrimistas que foram alvo do terrorista e selvático atentado contra o avião em pleno vôo em Barbados, cujos autores fizeram parte daquelas mesmas organizações com que os quatro "dissidentes" trocam fraternalmente cartas.

Aqueles miseráveis deveriam ter incluído, também, os construtores que tombaram em Granada defrontando as tropas invasoras dos seus amigos ianques.

É também profundamente ofensivo, afrontador e feridor para o nosso heróico e solidário povo, terem vexado o nosso espírito internacionalista ao assinalarem, através de uma emissora de rádio que cada dia nos ofende, usurpando nada menos que o nome de José Marti, que:

"Por outro lado, em nome da unidade, foi entregue gratuitamente uma usina açucareira a Nicarágua, foi construído um aeroporto em Granada e, sob o tapete do denominado <Internacionalismo Proletário>, foram enviadas tropas a matar e morrer em diferentes países, coisa essa que, na verdade, jamais aconteceu naquilo que eles classificam de <República mediatizada>[...]"

Para eles, as centenas de milhares de combatentes cubanos que com exemplar e imbatível espírito de solidariedade cumpriram heróicas missões internacionalistas, são homens que lá foram matar e morrer. Os combatentes cubanos, lado a lado aos jovens soldados angolanos, foram capazes de derrotar, em Cuito Cuanavale e no sudoeste de Angola, na fronteira com a Namíbia, as até então temíveis tropas sul-africanas, quando estas dispunham já de sete armas nucleares, conseguindo-se, assim, avalancar a independência da Namíbia e desferir ao ignominioso regime do apartheid um golpe do qual não mais pôde se recuperar.

E foram capazes de realizar tais façanhas a mais de 12 mil quilômetros da Pátria.

Temos contribuído com a nossa modesta porém eficaz e desinteressada cooperação para a reivindicação do continente mais abalado e sofrido do planeta.

Os nossos combatentes não eram simples ferrabrases, e ninguém mataram que nao fosse em combate. Jamais maltrataram ou executaram um único prisioneiro. Cuba, no entanto, não apenas mandou soldados, mandou também 26 mil médicos e pessoal da saúde, milhares de mestres, professores, engenheiros, construtores e outros trabalhadores manuais e intelectuais. Inúmeras vidas foram salvas; dezenas de milhares de crianças receberam instrução.

Orgulhamo-nos dessa nobre e generosa obra, que vai passar para a história como um imbatível exemplo de fraternidade e solidariedade.

Essa é a nossa ideologia e a sua parte mais formosa.

Os túmulos dos heróis que num dia memorável levamos enterrar estão em vilas e cidades de todas as províncias do país -donde, voluntariamente, aderiram as forças internacionalistas-, estão cobertos das flores frescas que ali depositam mães e pais, irmãs e irmãos, filhas e filhos, e um povo inteiro que deles se orgulha e nunca vai esquecer, um povo que jamais vai trair a causa que defenderam, e por ela os revolucionários cubanos, até o último homem e mulher, estão prestes a entregar o último pingo de sangue ou morrer. Incontestavelmente, o mundo os admira.

A história de um país é sua melhor arma. Com ela nosso povo tem encarado, ao longo de mais de 130 anos, as tentativas de domínio e anexação de uma potência tão voraz e agressiva. Destruir essa história é destruir sua identidade, sua independência e sua vida. Quem isso deseja merece desprezo. Quem tão repugnantemente tem agido ao serviço dos interesses da potência que agride a nossa Pátria, mais do que violadores de um ou vários artigos do Código Penal, são verdadeiros traidores à nação, a seu povo e a seus valores; são mercenários que por 30 moedas foram vender-se a quem nos bloqueia e desde há 40 anos nos fustiga e nos agride.

Se na altura em que foram cometidas tais malfeitorias tivesse estado vigorando a Lei recentemente aprovada pela Assembleia Nacional do Poder Popular, apenas por uma fração do que fizeram como cúmplices da subversão e a guerra econômica, a Procuradora, com certeza, teria solicitado penas bem mais severas para tão infame, continuada e reincidente conduta.

Eis aí os "dissidentes" para os quais o Congresso dos Estados Unidos recentemente aprovou uma ajuda de, "pelo menos", dois milhões de dólares. Depois, irão chamá-los de "prisioneiros de consciência".